Esses DJs bobos e seu novo disco fantastique

Ando ouvindo o novo disco do Daft Punk, aquela dupla de DJs francesa que ninguém sabe direito como é por debaixo dos capacetes.

Estou gostando bastante. É música eletrônica bem feita. Dançante mas daquelas que você não se sente estranho se escutar parado.

daftpunkrandom

Foi um lançamento bastante aguardado pelos fãs, depois de oito anos sem novidades. Todas as faixas têm uma influência forte do som dos anos 70 e 80. O resultado não é exatamente revolucionário porém é bem sólido e refinado, com uma pegada rock marcante.

Muito agradáveis, as faixas soam macias aos ouvidos, com bastante feeling e um astral longe de ser considerado artificial, coisa que não é fácil de se ver no meio eletrônico. Acho que vai agradar bastante gente.

É um engano pensar que são apenas dois DJs bobos com roupas excêntricas. Pelo que li, essa dupla tem bagagem, não são reles apertadores de botão, daí conseguirem essa mistura sofisticada de texturas sonoras que soa tão coesa. Não é a toa que a música One more time foi considerada a melhor música eletrônica de todos os tempos.

Ouvir esse disco me dá vontade de brincar mais com sintetizadores e fugir do lugar comum do rock tradicional. Fiz um experimento eletrônico que acabou numa música eletrônica bem louca e sombria. Queria fazer um som alto astral assim. Que inveja!

Você pode ouvir todas as faixas do disco novo da dupla de robôs misteriosa no iTunes gratuitamente por tempo limitado. Entretanto mas porém todavia, é claro que já está tudo no Grooveshark e é claro que montei uma playlist.

http://grooveshark.com/album/Random+Access+Memories/8814557

Queria fazer um som

No final dos anos 80, Pirassununga era uma cidade sem grandes opções de diversão. Hoje não mais porque agora existe a Internet. A cidade continua mais ou menos igual.

Então eu era um menino entendiado sem muito o que fazer no tempo livre. Um dos meus passatempos preferidos era sempre que possível acompanhar meu pai nas viagens que ele fazia pela região. Meu pai, marceneiro, também não tinha opção na hora de comprar matéria prima para seu ofício e precisava visitar as cidades vizinhas atrás de fornecedores. Íamos de ônibus, observando a paisagem que naquela época não era monotonamente composta apenas de plantações de cana. Invariavelmente eu sentava perto da janela.

Foi num desses passeios, andando pelo centro de Araras, se não me falha a memória, que encontrei uma loja de discos e comecei a fuçar nos LPs. Escolhi um do Ultraje à Rigor e meu pai, para minha surpresa porque tínhamos poucos recursos, comprou para mim. O LP me atraiu por causa da capa, que consistia numa grande e nítida foto dos músicos num estúdio com seus instrumentos, todos fazendo pose escrachada. Era um LP chamado Por quê Ultraje à Rigor?, onde eles registraram alguns covers de músicas que fizeram parte da história da banda. Um LP que passou a fazer parte da minha história.

As gravações eram calculadamente desleixadas, com cara de improviso e cheias de brincadeiras, com um ou outro palavrão que me obrigava a ouvir no volume mínimo em casa. Mas o mais surpreendente para mim estava no encarte, que trazia as letras juntamente com estranhos símbolos que prometiam transformar qualquer garoto esperto num rockstar.

Acho que nessa época havia um violão em casa, mas ninguém sabia tocar e sequer estava afinado. Lembro que esbocei uma tentativa e miseravelmente falhei. E no encarte o pessoal dizia que era fácil! Sou um fracasso, essa é a minha história.

Alguns anos mais tarde quando conheci meu parceiro Chico e montamos uma bandinha de garagem, forcei algumas das músicas desse LP no nosso repertório. Foi uma época bem divertida. Lembro da gente tentando tocar Barbara Anne e Os quatro cabeludos.

Nessa época a gente usava um balde dentro de um carrinho de feira como bateria. Dava um som legal. Foi um começo bem improvisado, inspirado em parte por esse álbum do Ultraje.

Em algum momento, depois de tanta teimosia, as músicas começaram a soar minimamente parecidas com o que a gente ouvia e acabamos seguindo em frente rumo ao estrelato.

Encontrei todas as faixas no Grooveshark e montei uma playlist. Curte aí!

http://grooveshark.com/widget.swf
Por quê Ultraje à Rigor? by Roberto Strabelli on Grooveshark

 

Artistas originais, sucessos originais

Eu não gosto de LPs mas tenho carinho pelos que eu ouvia quando era garoto. Muitos ainda estão por aqui porque meu irmão coleciona essas porcarias.

Encontrei esse da foto e tive um surto de nostalgia. É a minha coletânea preferida, gosto de todas as músicas! Faz parte da minha história e é base do meu gosto musical.

Encontrei todas as faixas no Grooveshark e fiz uma playlist. Curte aí comigo!

http://grooveshark.com/widget.swf

Kings of Pop Music by Roberto S on Grooveshark

O melhor riff de contrabaixo de todos os tempos

Você, garoto imberbe, que pensa que sabe contrabaixo só porque aprendeu a tocar uma música do Restart com seus amigos bichinhas, perca-se na confusão da sua ignorância frente a melhor linha de baixo de todos os tempos. Ouça (e veja também):

Spectreman! 

Spectreman!

Hear the flash
Like a flame
Faster
Than a plane
A mistery
With the name

Spectreman!

Power
From the space
He’ll save
The human race
Yes they’ll never know the face

Spectreman!

We will never know the source
Of his power and his force
As he guides this planet’s course

Spectreman!

A música toda é um primor de vigor e composição de rock moderno. E a letra é ótima. Fico arrepiado só de ouvir. E tem mais, Spectreman é a minha série japonesa sem noção preferida.

Procure no youtube por “cover spectreman” para ver e ouvir algumas releituras. Claro que nenhuma supera a original (na verdade, a versão americana). Selecionei a seguinte por ser bem peculiar:

É ou não é uma das músicas mais fodas que você já ouviu, pequeno gafanhoto?

 

O cabelo de Paulo

Cabelo é uma coisa importante, sem cabelo não há rock’n’roll.

Sou um roqueiro calvo.

Deve ser por isso que estou aqui, escrevendo bobagens que quase ninguém lê ao invés de estar voando pelo mundo com uma megaturnê de puro rock tupiniquim, balançando a cabeleira para os meus fãs alucinados. Só pode ser por isso.

Ou então, a vida é injusta e Deus realmente tem o misterioso costume de dar asas à quem não sabe voar e, nesse caso, sou como uma águia míope.

Mas é porém e todavia que esse é um dito popular incorreto, qualquer um que ganhe asas vai inevitavelmente aprender a usá-las, ora bolas! E é se agitando que o vôo começa. E tem mais: ninguém nasce com um plano de vôo no bolso.

Mas então isso quer dizer que… do que eu estava falando mesmo? Ah, sim, perucas.

Não preciso usar peruca, tenho algum cabelo e posso afirmar sem sombra de dúvida que não sou careca. E mesmo que tivesse nenhum fio na cabeça, nunca usaria. Roqueiros não usam peruca. Isso é um fato.

E ser careca também não é uma coisa ruim, não me entenda mal, existem muitos roqueiros carecas. Se há famosos, não sei, não vem nenhum a memória neste momento… De qualquer forma, sem ter pelo menos os pára-lamas, não se faz rock.

Paul McCartney é um cara que sabe disso e, por mais velho que fique, ainda balança o cabelo como só um beatle sabe fazer. Veja aí em baixo dois clipes da música Band on the run em diferentes épocas que mostram como tudo isso que eu disse funciona.

Esse é mais um texto sem sentido ou direção, com a qualidade que você já conhece, by Roberto.