Cinco motivos para não viver em Pirassununga

Pirassununga é uma protuberância tumulada, encravada no flanco esquerdo do grande Estado de São Paulo, perdida no meio do caminho entre Campinas e Ribeirão Preto. É a cidade conhecida mundialmente pela deliciosa cachaça 51 e afamada por ter botado medo em Chico Xavier, que pensou duas vezes antes de parar aqui para beber água.

É aqui que eu vivo, juntamente com muitas outras almas infelizes e atormentadas, de alguma forma magicamente presos para sempre na “terra de meus amores, região de sonhos e de alegrias”.

Eu trago esse aviso e o dependuro nos portões virtuais da cidade para que nenhum viajante incauto caia na asneira de querer se fixar nestas paragens.

Mas todos serão muito bem vindos se assim o desejarem, temos vagas!

1 – Não tem cinema/diversão
Nos tempos de glória Pirassununga teve três salas de cinema funcionando ao mesmo tempo. O último virou templo evangélico. Outras opções culturais como teatro, museus e exposições de arte são pífias, inconstantes ou sucateadas. Casas noturnas abrem e logo fecham, quase nenhuma consegue criar tradição ou se manter de forma digna.

2 – Não tem shopping por perto/Comércio ruim
O centro comercial é pequeno, amontoado e redundante, com milhares de lojinhas de moda com coisas compradas na 25 de março e vendidas aqui como artigo de luxo.

3 – Saúde ruim
Pirassununga é uma espécie de curva de rio de médicos. Santa Casa sucateada, um verdadeiro matadouro de pobres. Investigações por suspeita de corrupção em andamento.

4 – Administração sem rumo
Pior do que apenas mal cuidada, é uma cidade que balança ao vento dos interesses dos mesmos grupos de elite e sua visão tacanha e coronealista. Nenhum plano de desenvolvimento está realmente sendo aplicado. A cidade patina já faz algumas décadas. Esse motivo meio que abrange os outros.

5 – Não tem emprego
Com poucas indústrias e falta de boas oportunidades, Pirassununga praticamente expulsa os jovens quando chegam na idade de ganhar a vida. Talvez voltem quando estiverem se aposentando.

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A beleza reside na simplicidade

Praça

Contemplando essa foto, a gente percebe que as coisas bonitas costumam ser simples. No caso de uma praça, basta um bom serviço rotineiro de jardinagem para que ela se mantenha como um lugar agradável de estar. Não precisa de nada especial além de árvores e flores bem cuidadas. Infelizmente até mesmo uma inocente praça pode virar campo de batalha da vaidade humana, que é o que está acontecendo com a praça central aqui em Pirassununga.

Com seu jeito costumeiro, o prefeito anunciou um grande projeto de revitalização da Praça Conselheiro Antônio Prado e lá mandou suas máquinas para inicio imediato. Sem consultar a população antes, ele pretende recriar a principal praça da cidade seguindo seu bom gosto, felizmente dessa vez com os conselhos de uma arquiteta. Ora, estamos num ano eleitoral. Que prefeito não gostaria de fechar seu mandato reinaugurando o que talvez seja um dos poucos pontos turísticos de uma pequena cidade, tendo naturalmente ao seu lado a presença do seu pré-candidato para o próximo pleito?

Vindo na contra mão de planos tão dignos, temos uma fraca oposição política disfarçada no pedido de embargo feito por uma ONG. A praça, se não é tombada como patrimônio histórico, pelo menos fica ao lado do antigo Instituto de Educação, esse sim tendo suas características garantidas por tombamento. Pelo que sei, há restrições nesse tipo de caso. O resultado agora é uma praça que parece ter sido alvo de bombardeio, cercada por tapumes e sitiada por interesses escusos de todos os lados.

Eu me pergunto se antes de tudo isso acontecer a praça vinha sendo minimamente bem cuidada. Vinha? Lembro que o calçamento de pedras portuguesas estava bastante desnivelado, provocando tropicões em quem não costuma andar marchando. Uma simples rotina de podas, limpeza e manutenção, quando bem planejadas, é suficiente para manter qualquer praça funcional, ou estou muito enganado? Qual a grande necessidade de reformar uma praça inteira?

Precisamos de uma administração pública menos comprometida com aparências e mais engajada em hábitos de manutenção. Lembro aqui o exemplo mais próximo que conheço que é a praça do jardim Olímpio Felício, perto da minha casa e por onde sempre passo no caminho do trabalho. Durante todo o ano passado ela foi mal cuidada. Quando o mato crescia até um metro de altura, lá vinham os funcionários da prefeitura e cortavam até o chão, de qualquer jeito. Os bancos vivem sujos e quebrados. Iluminação ruim, quadra de esportes com alambrado todo arrebentado e piso mal cuidado, sem pintura. Agora a quadra está recebendo cobertura e cerca. Aposto que tudo estará lindo para as fotos e palmas na inauguração. E depois? E antes?

Esse mesmo problema que é visto numa praça pequena, de um bairro pequeno, pode ser constatado em toda a cidade. Como eu disse, temos uma administração que se ocupa com aparências e não realmente em administrar, e quando se mete a construir algo para o futuro, comete coisas como o Centro de Convenções, um prédio público novo tão mal planejado que sequer tem acesso para cadeirantes.

Manutenção preventiva adequada não chama atenção, portanto não angaria votos, justamente por não ser nada mais que a obrigação em qualquer boa equipe de administração. Afinal de contas, não é isso que é administrar? Resta torcer para que, através do voto democrático, possamos mudar isso na próxima oportunidade.

Nada acontece em Pirassununga

Minto, porque às vezes acontece, mas quase sempre é algo ruim.

Depois de montar o portal de clippings de notícias sobre a cidade (Pirassununga.org), passei a acompanhar com mais atenção o dia a dia dessa minha querida Sucupira. Com alguns meses trabalhando nesse projeto, duas coisas ficaram bem claras para mim (além do título desse artigo): desgraças familiares e jornalismo rasteiro existem em todo lugar.

No dia 11 desse mês, um garoto de 15 anos matou a avó com cinco facadas. O motivo do crime, divulgado pela imprensa local, foi que a avó o proibiu de jogar vídeo game por estar indo mal na escola. O caso aconteceu num bairro nobre da cidade e teve bastante repercussão, saindo matéria até mesmo no JN da Globo. Sendo Pirassununga uma cidade tranquila e sendo esse o segundo homicídio no ano, o caso ganhou bastante visibilidade.

O ponto é que foi logo esclarecido que no computador do menino residia o grande mal eterno, o culpado por boa parte da violência dos últimos anos, malignamente disfarçado na forma de um jogo eletrônico chamado GTA.

A revista Superinteressante, numa matéria especial da edição de maio de 2011, disse que “há 69 milhões de psicopatas no mundo, o que dá 1% da população em geral”. Ou seja, uma em cada cem pessoas pode ser perigosa de verdade. E é justamente na adolescência, por volta dos 15 anos, que o distúrbio se manifesta. E isso pode ocorrer sem problemas sociais, ou seja, o sociopata ou psicopata pode passar despercebido em muitos casos e rapidamente “aprender a viver” com discrição. Psicopatas são responsáveis ??por 50% de todos os crimes mais graves, incluindo a metade de todos os serial killers e estupradores reincidentes (fonte).

Mesmo com todas essas evidências e estudos, todos devidamente disponíveis na Internet, os fatos continuam sendo jogados para segundo plano.

Parece que é muito mais fácil para a imprensa em geral desconsiderar essas informações e manter o mito de que videogame estimula a violência de tal maneira que uma criança pode matar a avó por causa dele. Da mesma forma, é economicamente mais vantajoso (leia-se vende mais jornal) alardear que isso é um reflexo do caos moderno e do fim do mundo iminente ao invés de por as coisas na perspectiva austera e científica de que alguns de nós simplesmente não funcionam bem em sociedade.

Resolvi escrever sobre esse caso porque hoje li uma notícia que se encaixa na mesma questão.  Foi divulgado que Anders Behring Breivik, o atirador norueguês que assassinou 77 pessoas no ano passado, usou o jogo Call of Duty como treinamento para os ataques.

Os dois casos, distantes em vários sentidos, têm o videogame e a psicopatia em comum. Se por um lado a desordem mental não convence como causa de tantos infortúnios, o videogame pode ser o bode expiatório que sacia a loucura de muita gente.

Finalmente outra operadora com acesso 3G em Pirassununga

Quando comprei meu celular atual, meu primeiro que acessa a Internet de maneira decente, mudei da operadora OI para a Vivo, pois era a única com 3G na minha gloriosa cidade. 

Meu plano de dados é o mais barato e menos extorsivo, mas é ridículo: tenho acesso ilimitado, voando a 32 kbps por apenas R$ 9,90 por mês. O plano é vendido com uma maravilha de pacote de 20mb e velocidade de um mega, mas na prática é isso que eu tenho, porque gasto esses 20mb em cinco minutos e a Vivo me joga no chão sem dó.

Eu não sei como são os preços em outros lugares, mas aqui, qualquer plano melhorzinho fica absurdamente caro, e opções melhores são para planos pós pagos. Ou seja, acesso móvel decente e por um preço acessível é uma ilusão.

Hoje li a notícia de que finalmente aleluia mais uma operadora virá oferecer 3G aqui na amaldiçoada terra da cachaça, a TIM.

Fui correndo lá no site ver os planos. Em resumo, o que eles oferecem como contraponto a Vivo é isso: 50 kbps por R$ 15,00 por mês. Que maravilha de concorrência, fiquei até emocionado. 

O jeito é continuar esperando que um dia o futuro chegue de verdade, não só em Pirassununga como no resto do país.

Lembrança de Pirassununga

Finalmente eu trouxe o scanner do sebo pra casa e fiz uma coisa que estava pretendendo fazer já faz algum tempo: digitalizar essas fotos.

Sei lá, achei válido fazer minha parte como cidadão e digitalizar essa parte da história da minha cidade. São fotos antigas de Pirassununga de um álbum que era provavelmente um souvenir para turistas.

O que diabos um turista iria fazer em Pirassununga? As fotos são de meados de 50 e, hoje, tal qual na época, não há muito pra se ver por aqui.

 


Essa é a fotografia mais danificada do álbum. Mostra um pedaço da praça Conselheiro Antonio Prado, também conhecida como Praça da Bandeira, e um trecho da rua General Osório.

 


Essa mostra o trecho da rua Duque de Caxias em frente à praça. Era o centro comercial. Aliás, ainda é. A Lojas Pernambucanas e a Casa São Paulo estão no mesmo lugar.

 


Essa foto foi tirada a partir da torre da Igreja Matriz, mostrando um bonito pedaço da praça e um trecho da rua General Osório cheio de casas que agora são lojas.

 


Aqui um ponto de vista de dentro da praça, com o prédio do antigo Instituto de Educação ao fundo. Eu estudei nessa escola, junto com metade dos pirassununguenses.

 


Agora sim, o que talvez fosse o ponto alto do turismo da época: pescar no rio Mogi-Guaçu. Quase todo mundo com roupa social e chapéu.

 


Essa é a igreja Matriz. Logo atrás é possível ver o término da construção do prédio que já foi Cadeia Municipal, depois Prefeitura e agora Câmara Municipal.

 


Nessa imagem, também tirada da torre da Igreja Matriz, é possível ver a esquina das ruas Siqueira Campos e José Bonifácio. O Hotel Municipal e a Papelaria Curimatá continuam no mesmo lugar. Atente para o topo da foto: a cidade não ia muito longe desse centro.

 


Nessa foto você vê o prédio da finada Caixa Econômica Estadual, que ainda está lá e agora é do Banco do Brasil. Essa é a esquina da rua Duque de Caxias com a José Bonifácio. Aquela casa, ao lado do banco, foi demolida recentemente, dando lugar a uma farmácia.

 


Essa Piscina Pública eu não tenho ideia de onde fica ou ficava. Detalhe para o moleque foreveralone no pé da foto.

 


Na última foto do albinho (albuzinho, albunzinho?), outra vista da praça pela torre da Igreja. A praça estava bonita e bem podada nesses dias, não?

 

Se você quiser uma cópia das fotografias em alta resolução (formato png, 600dpi), baixe o arquivo compactado aqui (157mb). O álbum está à venda no meu sebo.

E viva Cacilda Becker!

Pirassununga e suas escadas

A atual gestão municipal de Pirassununga tem erguido vários novos prédios públicos. Como não sou de perambular frequentemente pela cidade, acabo surpreendido quando me deparo com um desses prédios novos já prontos.

Pondo de lado a importância dessas obras para o progresso da cidade, para mim essas surpresas costumam ser desagradáveis por dois motivos. Primeiro, pela notável deficiência estética no desenho desses projetos arquitetônicos; segundo, pela clara falta de consideração para com as pessoas que possuam alguma limitação de movimentos. Ou seja, em Pirassununga não se considera construir prédios públicos seguindo princípios de acessibilidade.

Nesse mês o prefeito Ademir Alves Lindo inaugura o novo Centro de Convenções, que fica próximo ao lago municipal, na avenida Painguás. Veja algumas fotos do edifício:

Mais feio que isso, só se fosse um templo evangélico.

Note a escadaria íngreme. Você é cadeirante e quer entrar? Espere aqui na calçada, debaixo do sol, enquanto vou procurar o Tião para ele abrir o portão lateral…

Quanto a qualidade das construções em si, não posso afirmar nada, mas ouvi da boca de um funcionário da Secretaria Municipal da Saúde que o novo Centro de Especialidades Médicas já foi entregue com goteiras quando chove. Sem falar na precária circulação de ar que torna o corredor interno extremamente quente no verão.

A impressão que se tem vendo essas novas obras da prefeitura é que elas são criadas por pessoas sem formação técnica, principalmente no que tange à arquitetura.

Como dizem os antigos, tem-se a impressão de que são feitas “a toque de caixa”, “pra inglês ver”, e que “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”.

Não é o que se deseja ver numa cidade que ainda tenta se firmar no caminho do progresso.

Triste.

Fotos: vickradialista.blogspot.commemoriadepirassununga.blogspot.com e difusorapirassununga.com.br