A culpa é do cupim

Sendo um dono de sebo que gosta de ler, vivo sabotando meu negócio ao surrupiar regularmente algum produto das estantes. Nessa história de “hum… quero ler esse, vou levar…” começou a faltar espaço na minha pequena biblioteca, que consiste em duas prateleiras com pouco mais de um metro cada.

Para minha sorte as prateleiras pegaram cupim. Tremo de imaginar esses bichinhos começando sua escavação nos livros que guardo com tanto carinho! Não vi outra solução: estou numa maratona de leitura pra acabar com a biblioteca e migrar de uma vez para os livros digitais. Na verdade vou manter apenas minha coleção do Stephen King, que inclusive quero ampliar.

Uso meu iPad como ereader faz tempo mas somente agora joguei pra dentro dele o fruto de anos e anos de pilhagem cultural. Tenho lá uns 3000 livros devidamente socializados.

Apesar de curtir bastante a ideia do livro digital e ter desenvoltura pra ler mil páginas numa tela de vidro, tenho certa resistência em comprá-lo. Primeiro porque não tenho escrúpulos sou pobre e piratear é fácil, segundo porque ainda considero os livros em papel mais vantajosos.

Eu sei que no formato digital as possibilidades são maiores mas ainda não chegamos lá.

Livros de papel não são presos a nenhum software, plataforma ou empresa, não dependem de nada para serem usados, não exigem senha ou autenticação. Podem ser emprestados sem necessitar de nenhum tipo de sincronização além de um aperto de mãos. Podem ser dados, revendidos e até mesmo jogados fora. Podem cair no chão, levar banhos dos mais diversos líquidos e até mesmo serem parcialmente devorados sem que isso acarrete perda ou corrompimento de dados. Ou seja, zero por cento de frescura.

Ebooks são geralmente uma simples cópia digital do livro impresso, sem maior preocupação com aparência e ainda por cima com quase o mesmo preço. Qual a vantagem? O peso, sim, é uma vantagem. Bem mais fácil ler “Sob a redoma” ou “Novembro de 63”, dois calhamaços que beiram mil páginas, no iPad do que no papel. Mudar o tamanho da fonte? Sim, com certeza é uma grande vantagem. O quê mais?

Por enquanto mais nada. Mas talvez eu esteja por fora, não sei. Mas o que estou dizendo? Claro que estou por fora, ainda acredito que dá pra viver vendendo livro velho!

Pra você ver o malabarismo mental que a gente precisa fazer pra justificar a pirataria.

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Como digitalizar textos usando um smartphone

Quero compartilhar um método de digitalização de textos que estou usando com bastante eficiência e é particularmente útil para quem não tem um scanner ou mesmo quer experimentar outra maneira de fazer esse tipo de trabalho tão cansativo.

Trata-se de usar um celular com Android e alguns apps. As vantagens são poder fazer a digitalização enquanto lê-se o livro e/ou longe do PC, sem precisar usar um scanner de mesa. O único porém é que o smartphone precisa ter uma câmera boa e você vai precisar investir na compra de um dos apps.

Os apps a serem usados são:

Nota: aconselho testar primeiro a versão free do Mobile OCR (somente Android) para ver como a câmera do seu smartphone se comporta. Tente scannear um texto em inglês e veja se o resultado fica bom e com um número tolerável de erros. É importantíssimo tirar a foto em presença de bastante luz.

O método é o seguinte

Instale os apps no celular e o app do Dropbox no computador. Se você não tem uma conta do Dropbox, crie uma agora clicando aqui pelo amor de Deus! O Dropbox oferece 2GB de espaço gratuito na nuvem, com possibilidade de ampliação gratuita ou paga e oferece um monte de recursos interessantes pra você acessar e usar seus arquivos a partir de qualquer lugar.

Configure sua conta recém criada do Dropbox no celular e no PC. Sincronize uma pasta no PC e crie dentro dela uma arquivo txt.

Agora é só digitalizar! Abra o Mobile OCR, escolha o idioma e toque em CAMERA para tirar uma foto da página do livro na hora ou em ALBUM para usar uma foto que tenha sido feita previamente.

O autofoco do smartphone precisa estar ligado, não esqueça de ter boa luz (não use flash) e enquadrar o texto da melhor maneira possível. Feita a foto, toque em SALVAR ou DESCARTAR para refazer, caso não tenha saído boa. Tendo uma boa foto, toque em SALVAR e em seguida CONVERT.

Leva pouco mais de um minuto para o aplicativo capturar o texto. Ele vai apresentá-lo todo centralizado. Corra o texto verificando se o número de erros é tolerável. Caso não apareça texto algum ou este apresente muitos erros, aperte o botão VOLTAR do smartphone e repita o processo. Não esqueça: boa luz, enquadramento e foco. Se você não conseguir um bom resultado de jeito nenhum, pode significar que sua câmera não é boa o suficiente, por isso é importante testar primeiro com o Mobile OCR gratuito.

Deu certo? No final do texto haverá o botão COPY TO CLIPBOARD. Toque para copiar. Em seguida aperte o botão HOME e abra o Dropbox. Abra o arquivo de texto que você criou e que está sincronizado com o PC. Cole o texto.

Pronto! Agora é só repetir o processo. Cada foto uma página. Uma dica para agilizar o trabalho: segure o botão HOME do smartphone pressionado para ver os últimos apps abertos e assim poder pular rapidamente entre os dois aplicativos. Depois de pegar o jeito o processo fica rápido, limitado apenas no tempo que o aplicativo demora para recognizar o texto, algo em torno de um minuto e meio.

Nota: A sincronia do Dropbox entre o smartphone e o PC é ligeira, em alguns segundos o arquivo txt no computador já estará atualizado. Daí basta copiar e colar o texto sem formatação para o seu editor usual e fazer o trabalho duro de sempre (tirar as quebras de linha, corrigir negrito e itálico etc).

É isso aí, mãos a obra!

Os ciclos do conhecimento

As pessoas em geral têm dificuldade de perceber o mundo como um lugar onde quase tudo é cíclico. Nasce-se e morre-se enquanto as coisas meio que se repetem sem que tomemos consciência.

Não há nada de novo debaixo do sol e, ao mesmo tempo, tudo se renova. Pra você ver o quanto isso vai longe, veja:

Nossa juventude adora o luxo, é mal educada, caçoa da autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem a seus pais e são simplesmente maus.
Sócrates, 470-399 AC

Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje assumir o poder amanhã, porque essa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível.
Hesíodo, 720 AC

Nosso mundo atingiu seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais seus pais. O fim do mundo não deve estar muito longe.
Sacerdote desconhecido, 2000 AC

Essa juventude está estragada até o fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura.
Escrita em um vaso de argila de 4000 anos descoberto nas ruínas da Babilônia, atual Bagdá

Essas constatações e lamentos soam extremamente pertinentes e atuais e, no entanto, o mais recente é de 2600 anos atrás. Todos são de outros tempos, de culturas e sociedades diferentes. A desconfiança com o novo e a supervalorização do velho está aí desde que o mundo é mundo.

Podemos aplicar essa tendência a uma discussão muito comum nos dias de hoje: a decadência ou não do livro de papel. De um lado há os que afirmam com toda convicção que o livro de papel nunca desaparecerá e de outro os que preveem seu fim histórico.

A história do livro é bastante conturbada e se confunde com a evolução do homem e do pensamento racional. Mais significativa que a evolução do livro é a da palavra escrita, ou seja, do pensamento registrado.

O livro como o apanhado de textos organizados e delimitados que conhecemos surgiu há bem pouco tempo na história da humanidade e foi somente com o advento da prensa de Gutenberg que ele tomou forma de objeto prático e funcional, além de acessível. Foi um longo caminho para o pensamento humano desde os primeiros rabiscos em paredes de cavernas e tabuletas de barro, passando pelos rolos de papiro e pergaminho.

No filme A máquina do tempo, de 2002, baseado na história homônima de H. G. Wells (mas tão diferente que é odiado por muitos) o protagonista reencontra oitocentos mil anos depois o guia fotônico da biblioteca pública de Nova Iorque, uma espécie de supercomputador inteligente que encerrava em si todo o conhecimento humano e que podia ser acessado através de um holograma na simpática e estranha figura de Orlando Jones. Enquanto os livros viravam pó, naquela única máquina residia tudo o que o homem construiu antes de se autodestruir.

Gosto muito dessa cena. A ideia de um robô ou computador inteligente que sabe tudo me atrai bastante, principalmente nessa aplicação tão bonita de realidade aumentada.

Como será o futuro? Teremos isso algum dia? Não sei, ninguém sabe, mas a ponte que possibilitaria isso está sendo atravessada. Uma nova ponte, muito diferente de outras e ao mesmo tempo bastante similar. Mais um grande salto que torna o registro e o acesso ao conhecimento muito mais flexível e eficiente.

Por mais apegados que sejamos ao livro como objeto do nosso tempo e por mais que desejemos que ele viva para sempre, devemos em primeiro lugar ser pragmáticos e enxergar as coisas de forma ampla. Isso envolve ver o mundo por um angulo otimista, só para variar.

Publicando seu livro do jeito mais fácil do mundo

Foi-se o tempo em que para ver seus escritos publicados era preciso que antes uma editora apostasse no escritor. Hoje qualquer idiota pode publicar um livro. Até mesmo eu! Ou você.

A impressão sob demanda surgiu há alguns anos na gringolândia e ficou popular com muita rapidez no mundo todo. O primeiro grande site a oferecer esse serviço foi o Lulu. Depois vieram muitos, muitos outros.

Imagino que você concorde comigo que, no caso do Brasil, não é interessante usar serviços estrangeiros, visto que o frete para cá encarece o livro, além de haver um tempo extra para a entrega. Aqui, atualmente temos duas empresas que prestam esse tipo de serviço via Internet, a PerSe e o Clube de Autores.

Hoje, com a ascensão dos ebooks, não se sabe como ficará esse mercado. Por enquanto está no auge. O preço do livro impresso sob demanda, que no começo era bem salgado, caiu consideravelmente, de modo que já se compara ao de edições de grandes editoras.

COMO FUNCIONA?

Funciona da seguinte forma: você envia seu texto num arquivo digital (doc, pdf) de acordo com o padrão definido pelo site, escolhe e monta a capa, escolhe as características do livro (tipo de miolo, de capa) e publica o livro na loja do portal. Pronto, daí basta alguém comprar um exemplar para que ele seja impresso. Nada de estoque ou tiragem mínima. Obviamente, uma compra de vários exemplares recebe um desconto especial.

Esse tipo de serviço não só tem saciado a vaidade de escritores amadores e “de gaveta” como também tem sido uma mão na roda no uso acadêmico, para pequenos editores e para autores profissionais, que veem no serviço um caminho prático, rápido e finalmente barato de ter suas obras devidamente impressas.

Quando fiz o Melhores posts de sempre, que é a coletânea dos (creio eu) melhores textos que publiquei aqui nos últimos anos, fui atrás desses serviços. Coloquei o livro a venda em três deles: PerSe, Clube de Autores e o gringo Create Space.

Encomendei um volume de cada serviço e agora, com a chegada do último exemplar, apresento essa pequena análise do produto dessas três empresas.

PERSE

  • Tempo total entre compra e entrega: 5 dias.
  • Preços: R$ 50,50 + R$ 5,37 de frete.
  • Características: 14x21cm, 175 páginas, brochura, capa cartão c/ orelhas, papel “especial livro” 75g, miolo em cores.
  • Pontos positivos: liberdade para confecção da capa, disponibilização também como ebook grátis ou não.
  • Ponto negativíssimo: sem opção de colocar título na lombada.

O PerSe é novo e ainda tem muito a melhorar, principalmente no design do portal, que é feio. O livro foi confeccionado e entregue rapidamente e a qualidade da impressão ficou muito boa. Mesmo as fotos coloridas não tendo sido enviadas na resolução recomendada – 300dpi – elas ficaram bem nítidas. O único problema sério é a falta de opção de inserir o título da obra na lombada. Não consigo imaginar a razão disso. O processo de envio do arquivo pdf e criação da capa é fácil e simples, assim como no Clube de Autores.

CLUBE DE AUTORES

  • Tempo total entre compra e entrega: 12 dias.
  • Preços: R$ 23,84 + R$ 6,14 de frete.
  • Características: 14,8x21cm, 175 páginas, brochura, capa c/ orelhas, papel couche 90g, miolo em preto branco.
  • Pontos positivos: opção de o comprador poder escolher miolo colorido ou preto e branco, várias opções de capas com ilustrações autorizadas predefinidas.
  • Pontos negativos: limitação de design da contracapa.

Vou confessar uma coisa: Lá pelos idos de 2009, quando eu ainda acreditava que me tornaria um grande escritor de ficção, usei o Clube de Autores para imprimir um conto. O Clube de Autores já está no mercado brasileiro faz uns bons anos.

Gostei muito da qualidade da impressão, as fotos convertidas automaticamente para branco e preto não ficaram borradas. Fiquei muito satisfeito com a capa que, ao contrário da do PerSe, que é brilhante e menos espessa, é daquelas foscas, com aspecto encerado. Bem profissional e super moderno! Só não gostei mesmo foi da obrigatoriedade dos logos na contracapa, juntamente com um QR-code (que deveria levar a uma busca pelo nome do autor no site mas que, por conter um erro, não encontrou nada).

CREATE SPACE

  • Tempo total entre compra e entrega: 17 dias.
  • Preços: U$ 4.50 p/ o autor ou U$ 6.28 p/ leitores + U$ 7,98 de frete.
  • Características: 6”x9” (15,24×22,86cm), 150 páginas, brochura s/ orelhas, papel “cream” 90g, miolo em branco e preto.
  • Pontos positivos: Gera números de ISBN (só dos EUA), liberdade na criação da capa, oferece outros produtos por demanda, como DVDs e CDs e canais de divulgação e distribuição pela Amazon (por um custo extra).
  • Pontos negativos: demora na entrega, burocracia para liberar vendas, sem opção de orelhas na capa.

O que surpreende no Create Space é a burocracia para liberar a venda de uma obra. Assim que você termina de preparar o livro para publicação, você é orientado obrigatoriamente a comprar um exemplar. Só depois de alguns dias (onde se presume que você tenha recebido o exemplar) será liberada a opção de disponibilizar o livro para venda. Caso você encontre algum defeito ou problema e for necessária alteração e outro envio do arquivo matriz, precisará comprar outro exemplar. Quer dizer, na verdade é um bom dispositivo para garantir qualidade, mas complica bastante. O Create Space tem o sistema de criação de livro mais sofisticado e oferece liberdade na criação de capas, mas infelizmente não oferece a opção de capa com orelhas.

O interessante é que o serviço também oferece a manufatura de CDs e DVDs, para distribuição de músicas e filmes. O serviço tem um parceiro (ou dono?) de peso: a Amazon. Com um custo extra você consegue colocar sua obra a venda nesse megaportal.

Mas não gostei da impressão feita por eles. Achei o papel cream amarelado demais. A definição das fotos ficou um pouco baixa, granulada. Eu sei que todos os serviços pedem imagens em 300dpi, mas esse foi o único em que a baixa resolução ficou evidente. De modo geral, o exemplar passa uma impressão de baixa qualidade.

CONCLUSÃO E OUTRAS OPÇÕES

Existe uma alternativa para publicação que não envolve derrubar árvores. Tanto o PerSe quanto o Clube de Autores oferecem a venda do livro também em forma de ebook, enquanto existem muitos outros que trabalham exclusivamente nessa área, como o Smashwords e o BookiC. Com serviços desse tipo você pode oferecer o livro por um preço bem mais convidativo.

Dentre os três serviços de impressão por demanda que testei é difícil eleger o melhor porque a escolha não se limita somente a qualidade do produto. Em termos de qualidade da publicação, o Clube de Autores parece estar na frente, mas o PerSe não fica muito atrás. Em contra partida, o Create Space oferece maior possibilidade de distribuição e divulgação, mesmo sendo um serviço internacional.

Mas não há motivo para não usar todos os três e tantos outros, afinal o alcance acaba sendo maior.

Alguns dos serviços de publicação sob demanda e/ou em ebook:

 

E vamos nós de novo

…falar sobre aquele lance de ser e não ser vegetariano, ou melhor, ser vegetariano só da boca pra fora.

Pois então, acabei comprando um livro que versa sobre esse dilema. Caiu na minha mesa uma resenha sobre o “Comer animais”, de um sujeito de nome engraçado, Jonathan Safran Foer. Até então, ele era conhecido por duas boas ficções, mas de repente resolveu lançar esse livro contando sobre o dilema alimentício que passou com a chegada de um filho.

Li um trecho do livro, gostei, tá encomendado. Parece ser uma mistura de reportagem com reflexão filosófica e reminiscências da infância. Você sabe, aqueles textos bem pessoais, despretensiosos e que são gostosos de ler. Como esses que você encontra aqui 🙂

Vegetarianismo é um tema espinhoso. Só de ouvir a palavra, muitos já sobem as guardas e soltam as piadas. Assim como um ex-fumante chato ou um ecochato, um vegetariano militante também é igualmente odiado. Ninguém quer ser catequizado, não é?

Quando parei de fumar fiquei com meu olhar superior pairando sobre todos os fumantes a minha volta durante algum tempo, mas aos poucos fui suprimindo esse sentimento nocivo. Também tento resistir ao velho “bom pra mim, bom pra você” e ficar agarrando o braço de todo fumante e falar sobre as benesses de ter os pulmões limpos como uma esponja nova. Mas não é fácil, porque é uma tendência humana querer compartilhar o que consideramos bom pra nós. Obviamente, os mais próximos são os principais alvos no nosso proselitismo.

Enfim, é preciso ter paciência. Você precisa ter paciência, manolo. Com os ecochatos, vegetarianos e ex-fumantes. E também comigo.

Leia essas resenhas do livro, caso tenha ficado interessado. Uma da Folha, uma do Estadão e uma do iG.

“A pior parte foi perto do fim. Um monte de gente morreu bem no fim, e eu não sabia se ia conseguir sobreviver por mais um dia. Um fazendeiro, um russo, que Deus o abençoe, viu meu estado, correu até sua casa e voltou com um pedaço de carne para mim.”
– Ele salvou sua vida.
– Eu não comi.
– Não comeu?
– Era porco. Eu não ia comer porco.
– Por quê?
– Como assim, por quê?
– Porque não era kosher, é isso?
– Claro.
– Mas nem mesmo para salvar a sua vida?
– Se nada importa, não há nada a salvar.

A vantagem de ser vegetariano é que você pode se tornar totalmente um super vilão.