Apple iPad 2 – um review

Imagino que reviews e análises sobre o iPad, tanto da primeira quanto da segunda geração, existem aos milhares. Muita gente escreveu sobre ele e o debulhou, muitos com bem mais propriedade que eu, mas acredito que é importante para mim escrever esse review, dando continuidade a minha curta mas produtiva experiência com tablets. Se você leu meus reviews do Coby Kyros 1024 e do STI myPad, talvez se interesse por ler esse.

Dei de presente para mim mesmo um iPad2. Preto, claro, afinal estou em 0,5 na escala de Kinsey e sou macho pra chuchu.

Difícil não dizer isso sem soar tendencioso, mas me sinto numa linha evolutiva bem significativa, que começou num Palm e agora está num iPad. 🙂

Tendo já dois tablets que passaram pela minha mão, o Kyros e o myPad, penso que tenho uma boa noção do que observar no iPad para tentar entender e descrever o que ele tem de especial, suas falhas e vitórias.

Faz tempo que leio sobre a Apple e suas peculiaridades. Conclui que existem vários pontos em que ela claramente se sobressai aos concorrentes, justificando com isso o preço mais elevado dos produtos. Tendo o iPad em mãos confirmei isso, mas o valor que se dá a isso é algo que varia de pessoa para pessoa.

Preocupações iniciais e jailbreak

Antes mesmo de receber o tablet, uma das minhas preocupações foi saber como reproduzir no iPad o meu conteúdo “livre”, visto que ele não funciona como um pendrive, onde você joga arquivos de vídeo e áudio e pronto. Ou melhor, até funciona, mas pra isso é preciso o uso de um acessório e algum trabalho extra.

Felizmente existem alguns caminhos que sanam essa “deficiência”. Um deles é o Dropbox, onde posso jogar qualquer arquivo e depois puxar pelo iPad. Um atalho que dá trabalho mas resolve. Outro caminho é o AirVideo, programa de streaming de vídeo que já foi alvo de um post anterior. Tenho ele instalado e rodando no PC da sala, portanto bastou instalar o cliente no iPad para poder assistir tudo que tenho armazenado lá.

Quando li sobre o que é esse tal jailbreak e toda a polêmica que o envolve, percebi que seria inevitável fazê-lo, visto que sou um fuçador inveterado. Brickar e consertar tablets é comigo mesmo. 😀 Há vantagens que o jailbreak proporciona que me interessam. Foi a primeira coisa que fiz após terminar as configurações iniciais. Segui o guia do TechTudo.

Primeiro contato e impressões

Beleza e qualidade são as duas palavras em que posso resumir a impressão que eu tive ao manusear o iPad pela primeira vez. Ele é bonito, elegante. A parte da frente é simplesmente de vidro enquanto a traseira é de alumínio, isso causa uma boa impressão logo de cara. Ele é firme como se fosse uma peça maciça, sem estalos ou rangidos, como os que eu percebi no myPad e no Kyros, e que provavelmente estão também presentes em tablets de luxo como o Motorola Xoom. Passa uma aura de resistência, mesmo tendo linhas suaves. Esse cara aqui fez um teste hardcore sem querer e o resultado foi surpreendente, assista.

 

Ele não é tão mais leve que outros tablets a ponto de ser algo claramente perceptível, entretanto, por seguir o padrão 4:3 e ser quase quadrado, o iPad tem seu peso melhor equilibrado, exigindo menos esforço nos dedos quando você segura em modo paisagem.

Há vantagens claras nesse conceito que foi tão criticado. Obviamente, assistindo vídeos em fullscreen, você terá barras pretas em cima e em baixo, mas o norte do projeto parece ter sido manter a polivalência, ou seja, ser realmente multiuso. O tablet fica bem nas duas posições, o que não acontece com os outros, geralmente de 10.1 polegadas, que ficam desajeitados quando segurados em modo retrato. Por isso ele se mostrou excelente para leitura.

Juro que imaginei que a borda livre fosse mais larga, e não é, é mais estreita que a do myPad. Apesar de muita gente mesmo assim considerar uma borda exagerada, não é minha opinião. Uma borda larga torna o manuseio mais confortável e seguro.

Os botões de power, volume e trava são estranhamente salientes e ásperos, têm arestas. Talvez haja alguma razão para serem assim, não sei.

 

Ele é fino, principalmente próximo as bordas. Isso causa um efeito ruim: quando você o segura com apenas uma das mãos, tende a segurar mais firme e a mão fica muito fechada e tende a suar, o que causa algum incomodo. E nem sou dos que suam muito nas mãos.

Outro detalhe que torna um pouco complicado segurá-lo com firmeza é a textura da parte traseira, que é toda em alumínio escovado. Diferente do que acontece com o myPad e seu plástico brilhante, a mão não gruda, o que torna a pegada menos firme. Aquela posição de espalmar a mão na traseira toda não oferece firmeza nenhuma. A solução é usar uma capa.

Tela, desempenho e imersão

Voltemos àquelas duas palavras, qualidade e beleza. Elas não se aplicam somente ao exterior. Depois de algumas boas horas de uso ficou óbvio entender por quê o iPad é um sucesso. Não só ele é feito com material de qualidade como todo o sistema emana qualidade. Todos os detalhes parecem ter sido pensados e calculados. Não vi bugs, nenhuma rebarba, nada de truquezinhos irritantes pra obter o resultado esperado. Ele simplesmente funciona, e além de funcionar, funciona bonito.

É por isso que, para competir com ele, é importante que outros fabricantes tenham, no mínimo, preços realmente baixos.

Outra característica, talvez fruto dessas, é ele ter uma grande capacidade de envolver o usuário. Eu passei praticamente três horas apenas colocando em dia meus feeds através do Flipboard, algo que no myPad dificilmente aconteceria.

A tela é excelente, com uma resolução boa e cores muito vivas. A resposta ao toque é rápida, talvez um tiquinho mais que a do myPad, mas ele é muito mais suave, não há solavanco nenhum ao correr a tela. A tela de vidro tem tratamento hidrofóbico, ou seja, repele água. O resultado é que ela não fica toda ensebada. Uma invenção muito bem vinda!

A bateria tem uma grande durabilidade: em 6 horas de navegação (sem vídeo, música ou games) ela caiu apenas de 100% para 50%. O myPad e o Kyros vão de 100% a 30% nesse tempo.

Além de tudo isso, o iPad tem controle de brilho automático, a melhor invenção depois da água encanada.

Tudo isso torna o uso muito suave, de maneira que você fica imerso e não é interrompido por nenhuma necessidade de ajustes finos.

Eis aí outra palavra para a lista: qualidade, beleza, suavidade.

O myPad vem com processador nVidia Tegra 2, o mesmo do Motorola Xoom, que é considerado (ainda? Já tem o 2, não sei) o tablet mais poderoso a competir com o iPad. Porém, só consegui ver esse desempenho inerente ao processador quando troquei o Android que veio de fábrica no myPad pela versão customizada Corvus5. Alguns jogos pesados rodaram fluidamente e foi tudo muito lindo. Já o iPad, com a mesma alma de ambos, o ARM Cortex 9, mostra ser tão rápido quanto eles.

Comparativos com outros tablets

Assista esse vídeo comparando o iPad 2 com o Motorola Xoom 2. Atente para o reflexo de luz, que é menor no iPad. E assista também esse, feito pelo Gizmodo BR, entre o iPad 2 e o Xoom 1, que mostra bem a diferença na experiência de navegação web.

Som

Detalhes, é disso que estou falando! Fiquei surpreso ao rodar um vídeo e ouvir o som do iPad pela primeira vez! Ele é mono, sim. Por quê? Por que não faz sentido ser estéreo se os falantes forem ficar tão próximos um do outro, ainda por cima voltados para trás.

 

A qualidade sonora me impressionou. Os graves, ainda que modestos, são perceptíveis, e há equilíbrio de médios e agudos, ao contrário dos falantes do Kyros e do myPad, que se limitam a uma mistura de médios e só. E o iPad 2 também tem uma potência bem maior. Isso mostra preocupação real com qualidade sonora, o que é uma coisa que sempre renova minha fé na humanidade.

Câmera ruim?

O iPad 2 tem uma câmera frontal VGA e uma traseira de apenas 0,92 Megapixels. Parece piada algo tão mínimo ser apresentado num produto lançado nessa década, não? Mas são só números, e números necessariamente não indicam qualidade. Veja esse vídeo comparando uma filmagem feita com o iPad e com o Samsung Galaxy Tab 10.1. Assista esse vídeo surpreendente, na qualidade máxima, tendo em mente que são 0,92 contra 3,1 megapixels.

O resultado é que o iPad faz muito com pouco, enquanto o Galaxy faz pouco com muito. Levando-se em conta que a câmera é para uso principal em video conferências, o resultado é mais que suficiente. Obviamente estamos falando apenas de vídeo. Quando a questão é tirar uma fotografia, sem dúvidas o Galaxy vence.

Ecossistema e a vontade de comprar

O iTunes é o programa que gerencia não só o iPad como todo o conteúdo de mídia ligado a ele. É obrigatório passar a usá-lo quando você entra no mundo maravilho de Steve Jobs. Mas é um programa chato, muito burocrático e com recursos pouco intuitivos. Não sei, talvez eu esteja enganado, de repente é apenas estranhamento de quem não conhece direito o mundo Apple.

A loja da Apple tem mais ou menos o dobro de aplicativos do Android Market, e lá, assim como no Android, você encontra tudo que precisa, de forma básica, em aplicativos gratuitos. Eu senti a necessidade de comprar apenas alguns programas, entre eles o Pages, que é o editor de textos da Apple, e o Garageband. Esse último foi mais por curiosidade mesmo.

 

É interessante notar que todos os aplicativos que instalei, pagos ou gratuitos, parecem seguir regras rígidas para seu desenvolvimento. Além de bonitos, todos funcionam bem e são instalados com um só clique, no caso dos gratuitos. Na iTunes Store brasileira o conteúdo (filmes, músicas e livros) ainda é muito limitado.

Limitações

Sem porta USB, sem saída HDMI, sem possibilidade de expansão da memória interna. Para fazer o tradicional sem poder usar recursos tradicionais, você precisa usar caminhos diferentes e trabalhosos. Também vale morrer numa grana com um adaptador USB. Ou você pode tentar se adaptar as regras criadas pela Apple. Francamente, talvez não seja má ideia depositar alguma confiança num fabricante que claramente está um passo a frente dos concorrentes.

Qual o grande barato do iPad? O que ele tem que os outros (ainda) não têm?

Muitos dos reviews e análises sobre o iPad 1 e 2 que li diziam no final que poderia valer a pena aguardar mais um pouco, que um concorrente a altura estaria prestes a ser lançado, por um preço menor, maior liberdade etc… Quero que alguém me aponte nos comentários se isso já aconteceu, se já temos um ipad-killer de verdade.

Me convenci da superioridade do iOS. Por enquanto ele está imbatível frente a todas as versões do Android. Me arrisco a dizer isso mesmo não tendo ainda a oportunidade de conhecer o Ice Cream Sandwich.

Muitos criticam o sistema Android dizendo que ele ainda está na fase BETA se comparado ao iOS do iPad, é difícil não concordar com isso depois de conhecer os dois lados.

Qualidade, beleza, suavidade, experiência imersiva, funcionamento simples e eficiente. Esses são os diferenciais do iPad 2.

Outros reviews:

http://www.portaltech.blog.br/reviews/ipad-2/

http://www.blogdopaz.com.br/tecnologia/xoom-x-ipad-2-o-que-o-motorola-tem-de-melhor

http://macworldbrasil.uol.com.br/reviews/2011/03/11/mais-rapido-leve-e-fino-ipad-2-supera-modelo-original-e-rivais/

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Como comprar um bom tablet sem perigo de errar

As pessoas que não são ligadas em gadgets e eletrônicos portáteis começam a se interessar por tablets. A primeira coisa que elas olham é, obviamente, o preço.

A segunda preocupação é saber se o tablet “serve como notebook”. De fato, todos que puxam assunto sobre o meu tablet, que vivo carregando por aí, perguntam se ele “é igual a um notebook”.

Coby Kyros 1024 ainda é melhor custo/benefício da categoria

Uma amiga, interessada em comprar um tablet, me pediu algumas indicações de modelos. Depois de pesquisar nalguns cotadores de preços (buscapé, bondfaro, jácotei), me supreendi ao ver que o Coby Kyros 1024 ainda é a melhor opção na categoria dos tablets de 10 polegadas.

O myPad, da STI, sem 3G, seria um bom concorrente (em torno de R$ 900,00), mas ele anda em falta. O modelo com 3G pula para a faixa dos R$ 1100,00 – R$ 1200,00

Aliás, boa parte dos tablets de 10 plegadas, com Wi-Fi, bluetooth, USB, HDMI, ficam na faixa dos R$ 1000,00 a R$ 1200,00.

O Kyros 1024, infelizmente não tem bluetooth, mas a boa tela e o processador nVidia Tegra 2 compensam bastante. Ele está na faixa dos R$ 600,00 a R$ 800,00. Uma faixa de preço que considero adequada para quem quer arriscar investir nesse novo tipo de gadget mas quer algo de qualidade.

Como a maluca reclamou e disse que esperava algo na faixa de R$ 300,00, fiz uma lista das características que ela deveria procurar entre os milhares de modelos de 7 e 8 polegadas, e que valem pra todos os leigos interessados em comprar um tablet baratinho mas não sabem como escolher:

  • A tela obrigatoriamente precisa ser capacitiva e multitoque (fuja de telas resistivas), menos que isso será decepcionante.
  • Obrigatoriamente tem que ter Wi-Fi, se tiver 3G é excelente.
  • Processador de pelo menos 1GHz, menos que isso será decepcionante.
  • Memória RAM de no mínimo 512MB.
  • Memória interna não precisa ser grande, desde que ele tenha slot de cartão micro SD.
  • Bluetooth é aconselhável, mas não essencial, desde que tenha porta USB. São importantes para usar mouse e teclado externos.
  • A tela de 7 polegadas é pequena para certas coisas, mas quebra o galho, o ideal é 9 ou 10.

Com essas características em mãos, você consegue separar alguns modelos de 7 ou 8 polegadas que podem valer a pena. Entretanto, provavelmente serão na faixa de R$ 400,00 para cima. Ou não, afinal a concorrência anda forte e os preços flutuam muito de loja pra loja.

Zuando com seu Coby Kyros MID 1024

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Um test-drive de durabilidade da bateria do 1024

Tirei o tab do carregador as nove da manhã mas o uso contínuo começou a uma hora da tarde. Navegação pulando de site em site, com o Dolphin browser. Nada de áudio ou vídeo, pouco game. Instalando, abrindo e fechando vários apps, o tempo todo com wifi ligado e com brilho de tela em 25%.

As quatro e meia da tarde o ícone da bateria ficou laranja, indicando que a carga estava em apenas 29%. As cinco e trinta e seis a bateria chegou a 15% e começaram os avisos pedindo recarga.

Então, o que tiramos disso? Cinco horas de uso moderado me parece uma média mais ou menos certa.

Zuando

Estou acompanhando alguns foruns onde existem tópicos com discussão animada sobre os tablets da série Kyros. Já existe um movimento para a conquista de algum update que melhore o tablet. A Coby deixou claro na FAQ da página do produto que não há planos de futura atualização, mas em se tratando de android isso funciona mais como estímulo do que freio para os consumidores mais engajados.
O fato é que uma atualização é importante para extirpar alguns bugs e melhorar a experiência de uso. Ela virá, sendo oficial ou não.

Substituindo o cartão de memória interno

Todos aqui concordam que 4 gb é pouco pra memória de um tablet? Sim!

Por sorte nossa, existem os pioneiros. Algum maluco abriu um tablet Kyros e descobriu que essa memória é simplesmente um cartão micro SD, bonitinho, lá dentro, num slot. E esse mesmo sujeito deve ter pensado que seria uma boa ideia trocar esse cartão por um maior. Felizmente vários (não todos) tablets da série Kyros são assim, incluindo o MID 1024.

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A parte mais difícil sem dúvida é abrir o bicho. Não é uma pena que os parafusos estejam fora de moda? Existem várias linguetas na borda interna da tampa traseira e elas devem ser empurradas para dentro com cuidado, uma por uma. É humanamente impossível começar esse procedimento sem riscar e machucar a junção da tampa como o corpo do aparelho, assim como ao fazer isso existe a possibilidade de quebrar alguma coisa, já que é um procedimento que necessita alguma força.

Esteja ciente disso antes de mais nada. E outra coisa: basta começar a abrir pra perder a garantia da loja ou da fábrica.

Só o penitente passará!

Clique aqui pra ver um vídeo aonde um doido explica como abrir a bagaça.

Depois dessa parte dramática, basta você descolar com cuidado o adesivo que cobre o slot do cartão, retirar o cartão com cuidado (lembre-se que o slot é daqueles de trava) e cloná-lo de alguma maneira. Veja aqui um tutorial passo a passo pra fazer isso.

coby-kyros-mid-1024-ci coby-kyros-mid-1024-sd

Um detalhe: o cartão original é um SanDisk classe 4. Guarde a imagem clonada do cartãozinho para que você possa depois fuçar a vontade no sistema e testar outras roms.

Eu usei o EASEUS Partition Master Home Edition (só faltou um Megablaster nesse nome…) para clonar o cartão original usando um pen-drive com o mesmo tamanho. Depois clonei o pen-drive num cartão de 8 gb.
Entenda, só usei o pen-drive como uma ponte, porque não tive como conectar os dois cartões ao mesmo tempo no computador. Se há algum modo mais fácil de fazer essa clonagem usando o EASUS, sou burro.

Depois basta colocar o cartão e montar tudo com o mesmo cuidado, travando por toda a borda mas começando o encaixe pela parte onde ficam os conectores.

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É aconselhável dar um hard reset depois de tudo feito. É assim: com o tablet desligado, aperte o botão Home e Power ao mesmo tempo. O logo Coby vai aparecer. Solte os botões. O modo recovery abrirá. Aperte o botão de volume para cima. Ele vai reconstruir todo o sistema. Espere alguns minutos e ele vai desligar. Pronto, pode ligar.

É isso aí. O que você está esperando pra ir lá desmontar o seu brinquedo?

Tablet Coby Kyros MID1024 – um review

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Mesmo depois de resolver economizar pra poder comprar um iPad eu venho observando de perto os clones que surgem no mercado, desde os proclamados ipad-killers aos xing-lings mais toscos. Volta e meia fico uma tarde inteira garimpando na rede atrás de informações sobre os tablets que estão fazendo algum sucesso. Na minha última mineração encontrei o modelo MID 1024, um tablet de 10.1” lançado faz pouco tempo pela Coby.

COBY?

A Coby, cujo nome é uma abreviação maluca da palavra cowboy, é uma pequena marca coreana/americana que não copia a SONY nem na fonte do nome, só que ao contrário. Ela é conhecida no Brasil e nos EUA por vender de um tudo em matéria de aparelhos eletrônicos baratos.

É uma marca popular que orbita aquele espaço perigoso porém lucrativo que fica no limiar entre qualidade e preço (mas imagino que deva ser mais cuidadosa que a nossa querida brasileira Positivo). Também é interessante notar que, segundo a Wikipedia, a Coby é um fabricante OEM, ou seja, fabrica diversos produtos eletrônicos que levam o selo de outras marcas, como por exemplo, da Samsung.

Podemos dizer que é uma espécie de peixe-piloto que sabe aproveitar as oportunidades.

A Coby, ao contrário de marcas grandes, não ficou vergonhosamente empacada e embasbacada com o sucesso do iPad. Em 2010 logo caiu pra dentro na semeadura mundial de tablets.

Está indo bem ao oferecer vários modelos sob o codinome Kyros, todos a preços acessíveis e com qualidade equivalente, aliada a uma boa distribuição em lojas na Internet. Segundo Pedro Burgos do Meio Bit, pode mesmo ser que o tablet mais vendido no Brasil atualmente seja um Coby.

BOM BONITO BARATO

O Coby Kyros MID 1024 (MID significa Multimidia Internet Device) foi lançado entre 2010/2011 e por enquanto é o top da série. O que me atraiu nele foi a tela enorme, capacitiva e multitoque, e ainda vir recheado por um processador de respeito. Tudo por um preço atraente se comparado aos melhores tablets clones do iPad disponíveis hoje.

Bom, eu mandei o iPad às favas e comprei o Kyros. Fiz isso depois de bastante refletir e pesquisar, e baseado na esperança de que o Android vai bem também em telas grandes. Tenho isso pela experiência com o celular LG Optimus One, que de tablet tem tudo menos tamanho.

Claro que é só o que eu penso, eu que tenho pouco dinheiro pra gastar com esses brinquedos, mas já posso adiantar que paguei 1/3 do preço de um iPad num tablet que não faz feio perto dele.

Comprei o Coby Kyros MID 1024 na Eletronics Center, uma loja virtual de São Paulo que está no mercado há 7 anos. Houve um pequeno contratempo mas graças ao cuidado do pessoal da loja o tablet acabou chegando dentro do prazo.

DIFERENCIAIS DO COBY KYROS MID 1024

Bom, deixando de lado agora esse ipad wannabe, o que torna o Kyros um bom tablet? Se você conhece mais ou menos o  que existe hoje, sabe que nesse mar de opções são poucos que sobressaem com bom desempenho e qualidade aliados a um custo/benefício minimamente justo. Penso que esse modelo esteja dentre esses.

Características que fazem a diferença:

  • Saída HDMI 1080p e 720p.
  • Tela capacitiva e multitoque de 10.1” resolução 1024 x 600 (WSVGA).
  • Webcam frontal.
  • Flash 10.1.
  • Processador de 1GHz Samsung S5PV210 Cortex A8 (o mesmo usado no Samsung Galaxy Tab).

Características não tão legais e remendos:

  • Apenas 4 GB de memória (mas expansível até 32GB usando micro-SD).
  • Pesado: 680 gramas (igual ao do iPad1, apenas 80g a mais que o iPad2).
  • Não possui versão com 3G, somente Wi-Fi (mas é possível sem muita dificuldade conectar um modem 3G na porta USB).
  • Sistema operacional Android Froyo 2.2 (feito pra celular, eu sei, mas provavelmente em breve será possível um update oficial ou não para Honeycomb).
  • Não tem bluetooth (mas é possível usar a porta USB para conectar um mouse ou teclado).
  • Não tem GPS.

Veja aqui um comparativo entre o Coby Kyros MID 1024 e o Samsung Galaxy Tab 7”. Para mais detalhes técnicos, consulte o manual em pdf disponível aqui.

E antes de mais nada, uma apresentação em vídeo:

Pegadas, botões e conexões

As primeiras coisas que se notam são o tamanho e o peso do gadget. Como imagino que também aconteça com iPads, alguns minutos são suficientes para cansar o braço inteiro ao segurá-lo com uma só mão. O comprimento de absurdos 26,5 cm complica o equilibrio dos 680 gramas, mesmo estando bem distribuído no corpo. Parece que é feito para idealmente ser portado com as duas mãos, em paisagem. A posição da webcam e do microfone indicam isso.

Pra você ter uma ideia melhor, veja o Kyros 1024 ao lado de um iPad 2:

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O Kyros é um tablet espesso, cor de chumbo com detalhe prata em toda borda, o acabamento é satisfatório e a robustez também, mas ao pegar pela borda alguns estalinhos podem ser ouvidos. Imagino que não seja preciso um tombo muito feio para fazê-lo dormir pra sempre Smiley triste.

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Botões? Vários. Olhando na posição retrato, temos o volume na lateral do topo, power na lateral direita embaixo. Na frente embaixo os comandos comuns em dispositivos Android, mas um pouco diferentes: Browser, Menu, Home (que se parece com um CD em miniatura), Voltar e Pesquisar. Interessante que esses botões estejam voltados para serem vistos no sentido paisagem. O botão browser abre o navegador (dã!), irritantemente sempre o nativo a despeito do meu esforço em configurar para abrir o Dolphin.

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Os botões frontais, excetuando-se o Home, são de tato, não de pressão, e são bem sensíveis. Sensíveis até demais: não esbarrar a toa no botão Voltar pode ser difícil quando você estiver segurando o tablet em modo paisagem.

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Na lateral de baixo estão alinhadas todas as conexões: saída mini HDMI, botão reset, conector da fonte 9V, mini USB, saída de fones de ouvido padrão P2 e slot de cartão de memória micro SD.

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Ponto negativo para o manual do usuário que peca gravemente ao mostrar a posição de colocação do cartão SD de forma errada e para o slot que deixa o cartão inserido com uma bem pequena mas preocupante sobra para fora.

A webcam simples, pra não dizer ruinzinha, de apenas 300k, está localizada próxima ao microfone, na lateral direita.

Toques e tela

Usei o app Multitouch Visible Test e comprovei por mim mesmo que a tela é capacitiva e multitoque (pelo menos dez, não tentei usar os dedos dos pés Alegre). A resposta é suficientemente rápida e precisa, posso colocar no mesmo nível do celular LG Optimus One.

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Um porém fica para a regulagem de brilho, que é um pouco estreita e não tem a mesma força máxima igual a do celular. Em ambientes semi abertos e com sol alto você pode ter algum problema.

O ponto negativo fica mesmo para a resolução da tela. Lastimável em comparação com o Galaxy Tab 7”, que tem o mesmo processador mas uma tela bem diferente. O Kyros tem quantidade menor de Pixels Por Polegada – PPI, que é de 118 ppi distribuídos em 10.1”, enquanto que no Galaxy são 170 ppi distribuídos em apenas 7”.

Um palmo entre seu nariz e a tela são suficientes para que os pixels fiquem distinguíveis. Mas obviamente não é assim que você vai usá-lo, a distância média é de uns 2 palmos já que o gadget é grande, e nesse caso o picote das imagens não é notável. De modo geral posso afirmar que a experiência visual não é excelente mas esta longe de ser incomoda ou ruim.

Games, vídeos e som

Pela importância que o par de falantes recebeu no “design” da parte traseira, esperava-se um som mais potente. Não é o que ouvimos ao por uma música ou vídeo pra tocar. O volume mesmo no máximo pode ser insuficiente se você estiver num lugar com muito ruído ambiente. A qualidade também é sofrível, mas é algo relativamente comum em dispositivos móveis. Nos fones que acompanham o tablet o som é tão ruim quanto os próprios. São fones ordinários de R$ 1,99. Que vergonha, dona Coby! A saída é usar o seu par de fones preferido, simples.

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Jogos casuais, tradicionais da plataforma Android, rodam tranquilamente. Vídeos, idem. Ele vem com o famigerado e polêmico Flash embutido, que torna possível o uso de vários recursos da web. Também existe um app nativo para acesso ao YouTube e um para leitura de ebooks, o Aldiko.

O acelerômetro não tem lá muita precisão como o do LG Optimus One, mas parece ser suficiente para o uso geral. Veja aqui um vídeo que mostra alguns games rodando no Kyros MID 1024.

Leitura e escrita

A tela grande ajuda muito na leitura, o que, na minha opinião, aliado a um tamanho adequado da fonte e regulagem do brilho, permite uma leitura bastante confortável. Programas dedicados a isso não faltam para Android. Uma observação: a tela do Kyros MID 1024 tem mais que o dobro de tamanho da tela do Positivo Alfa.

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Escrever usando o teclado virtual é excelente, principalmente usando-se um app plugin chamado Hacker’s Keyboard, que acrescenta funções que deixa o teclado muito parecido aos reais.

Também existe o interessante recurso de se conectar um mouse e teclado na porta USB. O adaptador que acompanha o tablet vem com apenas um slot. Com um pequeno hub USB, é possivel usar mouse e teclado ao mesmo tempo. Testei apenas o mouse. Fiquei espantado ao ver surgir uma pequena seta na tela do meu tablet. Gostei, apesar de não ver muito uso pra isso no momento e crer que a luz do mouse deve com certeza sugar rapidamente toda a bateria do Kyros.

Por falar em bateria, não fiz nenhum teste no sentido de avaliar a autonomia, mas tenho a impressão de que é próximo ao especificado no manual. Assim é fácil, hein? Smiley mostrando a língua

Finalmente, para quê serve um tablet, ou melhor, esse tablet?

Não sei como foi, mas imagino que os caras lá na Coby que conceberam o projeto desse tablet (se isso existe fora da Apple) buscaram criar um tab com vocação para consumo doméstico de mídia via web, daí o nome da série Multimidia Internet Device.

A tentativa de alto-falantes estéreos, o formato widescreen da tela e o botão específico para abrir o browser, mostram isso. A ausência de GPS, 3G e bluetooth podem indicar preocupação com a duração da bateria, lembrando que não são importantes quando a intenção é tão somente jogar joguinhos casuais, ouvir música, eventualmente ler e principalmente assistir vídeos. Se esse era o plano, penso que o objetivo foi alcançado. Com algumas ressalvas, claro.

O Kyros MID 1024 é um produto barato e oferece recursos honestos. Nesse mercado atualmente tão complicado, para um formato que ainda nem convenceu a todos de sua utilidade, esse é um diferencial decisivo para alcançar algum sucesso.