A culpa é do cupim

Sendo um dono de sebo que gosta de ler, vivo sabotando meu negócio ao surrupiar regularmente algum produto das estantes. Nessa história de “hum… quero ler esse, vou levar…” começou a faltar espaço na minha pequena biblioteca, que consiste em duas prateleiras com pouco mais de um metro cada.

Para minha sorte as prateleiras pegaram cupim. Tremo de imaginar esses bichinhos começando sua escavação nos livros que guardo com tanto carinho! Não vi outra solução: estou numa maratona de leitura pra acabar com a biblioteca e migrar de uma vez para os livros digitais. Na verdade vou manter apenas minha coleção do Stephen King, que inclusive quero ampliar.

Uso meu iPad como ereader faz tempo mas somente agora joguei pra dentro dele o fruto de anos e anos de pilhagem cultural. Tenho lá uns 3000 livros devidamente socializados.

Apesar de curtir bastante a ideia do livro digital e ter desenvoltura pra ler mil páginas numa tela de vidro, tenho certa resistência em comprá-lo. Primeiro porque não tenho escrúpulos sou pobre e piratear é fácil, segundo porque ainda considero os livros em papel mais vantajosos.

Eu sei que no formato digital as possibilidades são maiores mas ainda não chegamos lá.

Livros de papel não são presos a nenhum software, plataforma ou empresa, não dependem de nada para serem usados, não exigem senha ou autenticação. Podem ser emprestados sem necessitar de nenhum tipo de sincronização além de um aperto de mãos. Podem ser dados, revendidos e até mesmo jogados fora. Podem cair no chão, levar banhos dos mais diversos líquidos e até mesmo serem parcialmente devorados sem que isso acarrete perda ou corrompimento de dados. Ou seja, zero por cento de frescura.

Ebooks são geralmente uma simples cópia digital do livro impresso, sem maior preocupação com aparência e ainda por cima com quase o mesmo preço. Qual a vantagem? O peso, sim, é uma vantagem. Bem mais fácil ler “Sob a redoma” ou “Novembro de 63”, dois calhamaços que beiram mil páginas, no iPad do que no papel. Mudar o tamanho da fonte? Sim, com certeza é uma grande vantagem. O quê mais?

Por enquanto mais nada. Mas talvez eu esteja por fora, não sei. Mas o que estou dizendo? Claro que estou por fora, ainda acredito que dá pra viver vendendo livro velho!

Pra você ver o malabarismo mental que a gente precisa fazer pra justificar a pirataria.

Anúncios

O que tá escrito aqui?

Nada pior que um blogueiro e seus lamentos por falta de inspiração, mas vá lá, esse texto acabará sendo algo melhor que isso.

Parece que venho escrevendo cada vez menos. Eu estava revendo a lista dos meus melhores textos e isso ficou bem claro ao notar que o número de artigos listados é menor a cada ano. Me conforto com a esperança ou ilusão de que estou escrevendo menos mas melhor.

FORMA, FUNÇÃO E GORDURA

No ócio que a falta de vontade ou inspiração para escrever traz, acabo voltando meus olhos para a forma e fatalmente mexo no layout do blog. Sempre em busca do diagrama perfeito.

Quando comecei blogar, tinha ideias grandiosas, queria fazer um portal repleto de recursos e artigos maravilhosos, ganhar dinheiro. Tudo ilusão, pois eu já deveria estar acostumado com o fato de que sei fazer várias coisas, menos ganhar dinheiro. Então, aos poucos fui pondo os pés no chão e a aparência do blog seguiu a mesma onda.

Agora estou numa vibe minimalista, tentando dar foco ao conteúdo e sendo cuidadoso com a acessibilidade, legibilidade e responsividade do design web.

Estou testando este novo tema de WordPress que construí a partir do zero mas chupinhando algumas ideias do Medium, mistura de rede social e plataforma de publicação lançada pelos criadores do Twitter. Fiquei encantado quando vi aquela fonte grande, numa página limpa e simples, com um cabeçalho que mudava de lugar de acordo com a largura da janela do navegador. Destrinchei o código pra entender como aquela página funcionava e roubei um pedacinho do código pra mim, só um pedacinho. É o que os grandes fazem, não?

Após algum tempo encarando minha página inicial decidi por retirar sem dó tudo o que desviava a atenção do conteúdo em si e joguei pro pé da página o que acho importante que seja fácil de encontrar (como os botões de doação! — Dá um reau?).

Mas não parei por aí.

TIPOGRAFIA FOR DUMMIES

A minha letra nos cadernos de escola era terrível. Preenchi cadernos e mais cadernos de caligrafia e nada de me emendar, até que um professor moderninho falou que a letra é expressão da nossa personalidade e tentar endireitá-la pode ser um erro. Ora, se é assim, assim será. Hoje sou um jeca com letra de médico.

Quando escrevo a mão algo que é apenas para mim, a coisa fica bem feia. Tempos depois, nem eu sei o que escrevi. Se é algo que deve ser legível para outros, escrevo em letra de forma, coisa que boa parte das pessoas faz também, imagino.

Acho bacana a ideia de criar fontes personalizadas e a possibilidade de usar uma fonte com minha letra sempre esteve em minha mente. Tipografia é uma arte bastante fina e sutil que fica subentendida por trás do texto, afetando a leitura de modo bem subliminar. Acredito que um texto fica especialmente impactante quando escrito à mão, por mais feios que sejam os traços.

Redescobrindo meus traços

Esses dias venci a letargia que me é usual em se tratando de por ideias em prática e fui ler um pouco sobre como funcionam as fontes tipográficas para web. Antes de sair instalando programas free ou piratas voltados pra esse tipo de arte, entrei na loja da Apple pra saber se havia algum app pra isso, afinal com o iPad seria muito mais fácil digitalizar meus garranchos.

Sim, tem, e ele é bastante bom! Chama-se iFontMaker e pelo preço de 7 obamas me obrigou a realizar uma boa análise antes da compra. Não se equipara a um soft especializado em criar fontes, daqueles que custam centenas de dólares, mas chega bem perto e vale cada centavo, mesmo que você só vá usar uma vez ou outra. E tem versão para Windows 8, baratinha também.

Se você se interessou pela ideia de fazer suas próprias fontes tipográficas, comece lendo esse artigo.

Juntando tudo isso, tema novo, fonte personalizada, e o fato de não haver mais acesso aos meus textos fora do site porque retirei RSS/feed, espero criar uma experiência mais pessoal e próxima com quem me lê, mesmo com aqueles que chegam aqui via Google, apenas procurando ajuda pra consertar a porcaria do myPad.

E se você teve uma dificuldade tremenda pra ler esse texto porque a letra tá muito ruim, me avise, posso tentar refinar. 😀

[ATUALIZAÇÃO: não estou usando mais minha letra feia como fonte do blog, se você quiser ver como ela é, clique aqui.]

Brincando de ser artista

Sempre fui metido a artista, sabe? Cantar, tocar, escrever… e tem mais!

Mesmo sendo desenhar a cara do Pato Donald o ápice da minha técnica, também gosto de pintar.

A propósito disso, devo ter gasto já uma boa grana comprando apps para o iPad. A maioria quando em promoção, mesmo que nem seja algo que eu precise, simplesmente pela oportunidade de ter apps de qualidade que podem ser úteis no futuro.

E foi nesse grupo de apps instalados e jogados num canto escuro coberto de teias de aranha que, alguns dias atrás, reparei num entitulado Procreate.

O Procreate é um poderoso aplicativo de desenho (assim como o SketchBook) que tem uma interface extremamente intuitiva e fácil de usar. Artistas de verdade fazem coisas fantásticas com ele (um exemplo).

Bem, confesso que tenho feito algumas artes, uns desenhos bizarros que ando upando no Flickr.

Criatividade é algo que todo mundo tem, sendo artista ou não. Acredito que é bom a gente por pra fora senão sobe pra cabeça e vai nos deixando loucos.

Sim ou não?

 

O guru da maçã

A história é contada pelos vencedores. Mesmo sem intenção de falsear a verdade, o historiador, como integrante desse time, acaba passando uma visão não tão fiel do que realmente aconteceu.

Terminei de ler a biografia de Steve Jobs escrita por Walter Isaacson. Desde as primeiras páginas o autor demonstra buscar desprendimento na tentativa de fazer um relato imparcial da vida desse ícone da tecnologia. Eu diria que conseguiu pois a idéia que ele me passou é a de que Steve Jobs era um grande filho da puta, mas um filho da puta pra lá de genial.

Meu conhecimento sobre a Apple e suas bugigangas caras era bem limitado. Limitado justamente aí: produtos caros e bonitos. Fui começar a reparar melhor na marca quando lançaram o iPad, algo que me interessou por se aproximar do mundo dos livros. Acompanhando o grande sucesso do dispositivo e as tentativas fracassadas de cópia por parte de outros fabricantes, fui ficando intrigado. O que há de especial nele que não se consegue copiar?

Depois de algum tempo com um ereader Positivo Alfa, percebi que um tablet me cairia melhor e desejei um iPad, mas a falta de grana me levou a tentar algo mais barato. Primeiro um modelo da Coby, o Kyros 1024, depois um péssimo negócio com o caro myPad da Semp Toshiba.

Tanto um quanto outro me deram grande alegria e prazer, valendo o “investimento”. Mas, depois de alguns infortúnios causados pela minha mania de fuçar, acabei brickando meu segundo tablet de maneira que a solução foi enviar para a assistência técnica. Durante esse meio tempo, talvez por sofrer uma espécie de síndrome de abstinência de tablet, tomei no susto a decisão de comprar um iPad. No review que fiz questão de escrever é possível ver uma ponta do entusiasmo que senti.

A diferença de qualidade entre os dois tablets e o iPad é abissal. Ampla de maneira difícil de transmitir em palavras. Mágico, incrível, como dizia Jobs? Talvez palavras subjetivas assim sejam as únicas que conseguem descrevê-lo. Longe de mim diminuir o valor dos meus outros tablets porque eu acredito que tudo que traz experiências tem seu valor. Por outro lado, se eu pudesse voltar atras, provavelmente teria comprado o iPad logo de cara.

É mais fácil entender os produtos da Apple quando você passa a conhecer criatura e criador. A história da empresa e do seu fundador peculiar se misturam de modo inseparável. A biografia de Jobs é uma lição e tanto. Uma lição de que objetos são ferramentas, um meio e não um fim, de que a experiência do consumidor é o mais importante, de que simplicidade, qualidade e beleza são essenciais e inegociáveis. De que a junção da arte e da tecnologia é um bom objetivo a se perseguir, e que a técnica deve servir ao homem, e não o contrário.

Steve Jobs era um sujeito notável que buscava a integração entre tecnologia e arte olhando muito a frente e caminhando a passos largos, não parando nem quando pisava em alguém. Ele separava as pessoas entre gênios e babacas e dificilmente mudava sua impressão, mas respeitava quem o enfrentasse. Não o imagino como alguém agradável de se conviver, por outro lado sua filosofia de que um produto deve ser bonito não só por fora mas também por dentro, nas partes invisíveis, é tocante. Alguém com dificuldades patológicas para escolher uma máquina de lavar pode causar receio a primeira vista, mas ao mesmo tempo pode encantar com suas idéias inovadoras sobre a forma e a função dos objetos do dia a dia.

Só sei que precisamos de mais pessoas como Steve Jobs. Um pouco mais equilibradas socialmente, sem dúvida, mas que tenham esse perfeccionismo acima de tudo, até mesmo acima da necessidade de lucro, como ele demonstrou ao longo da sua carreira. Um dos seus objetivos era criar uma empresa duradoura e conectada com seus consumidores. Com certeza conseguiu.

iPad na criação musical

Estou aqui brincando com o GarageBand no iPad. É uma espécie de Protools ou Cakewalk Sonar para leigos. Quando digo leigos, estou falando de músicos sem intimidade com softwares de criação musical, não de pessoas que não sabem nada de música. Mas claro, qualquer um com senso musical consegue tirar algo agradável dele. Ele é feito pra isso também. A grande sacada está justamente na facilidade.

Mas estive pensando, será que existem músicos que não se interessam pelo uso de softwares na criação musical? Não estou falando de Roberto Carlos, Chico Buarque, mas de músicos amadores, iniciantes ou em início de carreira profissional. É possível haver quem faça música e se mantenha distante da tecnologia aplicada na área?

Ser um músico já é meio caminho andado pra ser um nerd, afinal o músico domina e se interessa por algo que é visto como um enigma pela maioria das pessoas. Les Paul, que foi o inventor da gravação sonora em múltiplas pistas, era com certeza um músico nerd.

Talvez haja alguns poucos puristas, old schools, sei lá. Mas olhando para o passado é fácil perceber que a música, vá lá, evoluiu de mãos dadas com a tecnologia. Por incrível que possa parecer, toneladas de conhecimento separam o DJ de hoje daquele macaco que dominava a antiga arte de batucar troncos com ossos dos inimigos.

Poucos músicos podem se dar ao luxo de não se preocupar em aprender mais sobre sua arte.

Do fonógrafo ao iPad.

Ok, ok, estou sendo tendencioso. Do fonógrafo ao Digidesign.

Como simulador (de bateria, piano, guitarra, baixo) o iPad tem suas limitações, afinal emular a sonoridade desses instrumentos acústicos é tarefa difícil até mesmo para equipamentos profissionais.

O grande lance do GarageBand para iPad é ser simples e oferecer resultados rápidos. É uma versão melhorada dos antigos gravadores k7 portáteis, que justamente funcionavam como um bloco de anotações sonoras, uma ferramenta de rascunho e esboços. Simples de usar e sempre a mão, para não perder a inspiração e o pique nos momentos criativos.

Mas eu vejo no iPad um potencial musical realmente novo, que se mostra em softwares que não tentam mimetizar outros instrumentos, mas sim transformá-lo num instrumento diferente, aproveitando o que o controle tátil pode oferecer. Basicamente são sintetizadores com resposta mais humana, como esse que você pode ver no vídeo abaixo, mas é possível ir bem longe a partir daí.

Pode-se fazer coisas realmente legais com um iPad e alguma sensibilidade musical.

Blogando com o iPad

Estou testando o iPad como instrumento principal para blogar.

Escrevi esse post usando o Blogsy. Aqui temos uma foto tirada com celular e enviada para o Dropbox. Em seguida, baixada para o iPad, editada com o Photoshop Express e enviada para o servidor do blog usando o FTP On The Go. Por que não enviei a foto do celular para o iPad por bluetooth? Não sei se o iPad aceitaria… Talvez sim, já que fiz o jailbreak… Enfim, Agora já foi… :/

Foto teste

A parte trabalhosa foi enviar a foto para o servidor do site. Sou fresco e gosto que todas as imagens que uso estejam na pasta wp-content/uploads na respectiva pasta do ano e mês. O Blogsy até enviaria fotos diretamente para lá, mas pra isso as pastas precisariam estar com permissão 777, o que torna o servidor vulnerável. Inclusive o Windows Live Writer também não consegue fazer upload de fotos sem essa permissão. Então, de qualquer forma, sempre faço no manual.

Mas é muito mais fácil usar a inserção automática que o Blogsy oferece de fotos que estejam nos serviços Flickr e Picasa, ou mesmo enviar uma foto para um desse serviços ao mesmo tempo em que elas são inseridas no post.

Também é possível inserir fotos encontradas no Google Imagens.

E por último um vídeo gravado com o iPad e enviado direto para o Youtube. Lá no quintal 😀 

Apple iPad 2 – um review

Imagino que reviews e análises sobre o iPad, tanto da primeira quanto da segunda geração, existem aos milhares. Muita gente escreveu sobre ele e o debulhou, muitos com bem mais propriedade que eu, mas acredito que é importante para mim escrever esse review, dando continuidade a minha curta mas produtiva experiência com tablets. Se você leu meus reviews do Coby Kyros 1024 e do STI myPad, talvez se interesse por ler esse.

Dei de presente para mim mesmo um iPad2. Preto, claro, afinal estou em 0,5 na escala de Kinsey e sou macho pra chuchu.

Difícil não dizer isso sem soar tendencioso, mas me sinto numa linha evolutiva bem significativa, que começou num Palm e agora está num iPad. 🙂

Tendo já dois tablets que passaram pela minha mão, o Kyros e o myPad, penso que tenho uma boa noção do que observar no iPad para tentar entender e descrever o que ele tem de especial, suas falhas e vitórias.

Faz tempo que leio sobre a Apple e suas peculiaridades. Conclui que existem vários pontos em que ela claramente se sobressai aos concorrentes, justificando com isso o preço mais elevado dos produtos. Tendo o iPad em mãos confirmei isso, mas o valor que se dá a isso é algo que varia de pessoa para pessoa.

Preocupações iniciais e jailbreak

Antes mesmo de receber o tablet, uma das minhas preocupações foi saber como reproduzir no iPad o meu conteúdo “livre”, visto que ele não funciona como um pendrive, onde você joga arquivos de vídeo e áudio e pronto. Ou melhor, até funciona, mas pra isso é preciso o uso de um acessório e algum trabalho extra.

Felizmente existem alguns caminhos que sanam essa “deficiência”. Um deles é o Dropbox, onde posso jogar qualquer arquivo e depois puxar pelo iPad. Um atalho que dá trabalho mas resolve. Outro caminho é o AirVideo, programa de streaming de vídeo que já foi alvo de um post anterior. Tenho ele instalado e rodando no PC da sala, portanto bastou instalar o cliente no iPad para poder assistir tudo que tenho armazenado lá.

Quando li sobre o que é esse tal jailbreak e toda a polêmica que o envolve, percebi que seria inevitável fazê-lo, visto que sou um fuçador inveterado. Brickar e consertar tablets é comigo mesmo. 😀 Há vantagens que o jailbreak proporciona que me interessam. Foi a primeira coisa que fiz após terminar as configurações iniciais. Segui o guia do TechTudo.

Primeiro contato e impressões

Beleza e qualidade são as duas palavras em que posso resumir a impressão que eu tive ao manusear o iPad pela primeira vez. Ele é bonito, elegante. A parte da frente é simplesmente de vidro enquanto a traseira é de alumínio, isso causa uma boa impressão logo de cara. Ele é firme como se fosse uma peça maciça, sem estalos ou rangidos, como os que eu percebi no myPad e no Kyros, e que provavelmente estão também presentes em tablets de luxo como o Motorola Xoom. Passa uma aura de resistência, mesmo tendo linhas suaves. Esse cara aqui fez um teste hardcore sem querer e o resultado foi surpreendente, assista.

 

Ele não é tão mais leve que outros tablets a ponto de ser algo claramente perceptível, entretanto, por seguir o padrão 4:3 e ser quase quadrado, o iPad tem seu peso melhor equilibrado, exigindo menos esforço nos dedos quando você segura em modo paisagem.

Há vantagens claras nesse conceito que foi tão criticado. Obviamente, assistindo vídeos em fullscreen, você terá barras pretas em cima e em baixo, mas o norte do projeto parece ter sido manter a polivalência, ou seja, ser realmente multiuso. O tablet fica bem nas duas posições, o que não acontece com os outros, geralmente de 10.1 polegadas, que ficam desajeitados quando segurados em modo retrato. Por isso ele se mostrou excelente para leitura.

Juro que imaginei que a borda livre fosse mais larga, e não é, é mais estreita que a do myPad. Apesar de muita gente mesmo assim considerar uma borda exagerada, não é minha opinião. Uma borda larga torna o manuseio mais confortável e seguro.

Os botões de power, volume e trava são estranhamente salientes e ásperos, têm arestas. Talvez haja alguma razão para serem assim, não sei.

 

Ele é fino, principalmente próximo as bordas. Isso causa um efeito ruim: quando você o segura com apenas uma das mãos, tende a segurar mais firme e a mão fica muito fechada e tende a suar, o que causa algum incomodo. E nem sou dos que suam muito nas mãos.

Outro detalhe que torna um pouco complicado segurá-lo com firmeza é a textura da parte traseira, que é toda em alumínio escovado. Diferente do que acontece com o myPad e seu plástico brilhante, a mão não gruda, o que torna a pegada menos firme. Aquela posição de espalmar a mão na traseira toda não oferece firmeza nenhuma. A solução é usar uma capa.

Tela, desempenho e imersão

Voltemos àquelas duas palavras, qualidade e beleza. Elas não se aplicam somente ao exterior. Depois de algumas boas horas de uso ficou óbvio entender por quê o iPad é um sucesso. Não só ele é feito com material de qualidade como todo o sistema emana qualidade. Todos os detalhes parecem ter sido pensados e calculados. Não vi bugs, nenhuma rebarba, nada de truquezinhos irritantes pra obter o resultado esperado. Ele simplesmente funciona, e além de funcionar, funciona bonito.

É por isso que, para competir com ele, é importante que outros fabricantes tenham, no mínimo, preços realmente baixos.

Outra característica, talvez fruto dessas, é ele ter uma grande capacidade de envolver o usuário. Eu passei praticamente três horas apenas colocando em dia meus feeds através do Flipboard, algo que no myPad dificilmente aconteceria.

A tela é excelente, com uma resolução boa e cores muito vivas. A resposta ao toque é rápida, talvez um tiquinho mais que a do myPad, mas ele é muito mais suave, não há solavanco nenhum ao correr a tela. A tela de vidro tem tratamento hidrofóbico, ou seja, repele água. O resultado é que ela não fica toda ensebada. Uma invenção muito bem vinda!

A bateria tem uma grande durabilidade: em 6 horas de navegação (sem vídeo, música ou games) ela caiu apenas de 100% para 50%. O myPad e o Kyros vão de 100% a 30% nesse tempo.

Além de tudo isso, o iPad tem controle de brilho automático, a melhor invenção depois da água encanada.

Tudo isso torna o uso muito suave, de maneira que você fica imerso e não é interrompido por nenhuma necessidade de ajustes finos.

Eis aí outra palavra para a lista: qualidade, beleza, suavidade.

O myPad vem com processador nVidia Tegra 2, o mesmo do Motorola Xoom, que é considerado (ainda? Já tem o 2, não sei) o tablet mais poderoso a competir com o iPad. Porém, só consegui ver esse desempenho inerente ao processador quando troquei o Android que veio de fábrica no myPad pela versão customizada Corvus5. Alguns jogos pesados rodaram fluidamente e foi tudo muito lindo. Já o iPad, com a mesma alma de ambos, o ARM Cortex 9, mostra ser tão rápido quanto eles.

Comparativos com outros tablets

Assista esse vídeo comparando o iPad 2 com o Motorola Xoom 2. Atente para o reflexo de luz, que é menor no iPad. E assista também esse, feito pelo Gizmodo BR, entre o iPad 2 e o Xoom 1, que mostra bem a diferença na experiência de navegação web.

Som

Detalhes, é disso que estou falando! Fiquei surpreso ao rodar um vídeo e ouvir o som do iPad pela primeira vez! Ele é mono, sim. Por quê? Por que não faz sentido ser estéreo se os falantes forem ficar tão próximos um do outro, ainda por cima voltados para trás.

 

A qualidade sonora me impressionou. Os graves, ainda que modestos, são perceptíveis, e há equilíbrio de médios e agudos, ao contrário dos falantes do Kyros e do myPad, que se limitam a uma mistura de médios e só. E o iPad 2 também tem uma potência bem maior. Isso mostra preocupação real com qualidade sonora, o que é uma coisa que sempre renova minha fé na humanidade.

Câmera ruim?

O iPad 2 tem uma câmera frontal VGA e uma traseira de apenas 0,92 Megapixels. Parece piada algo tão mínimo ser apresentado num produto lançado nessa década, não? Mas são só números, e números necessariamente não indicam qualidade. Veja esse vídeo comparando uma filmagem feita com o iPad e com o Samsung Galaxy Tab 10.1. Assista esse vídeo surpreendente, na qualidade máxima, tendo em mente que são 0,92 contra 3,1 megapixels.

O resultado é que o iPad faz muito com pouco, enquanto o Galaxy faz pouco com muito. Levando-se em conta que a câmera é para uso principal em video conferências, o resultado é mais que suficiente. Obviamente estamos falando apenas de vídeo. Quando a questão é tirar uma fotografia, sem dúvidas o Galaxy vence.

Ecossistema e a vontade de comprar

O iTunes é o programa que gerencia não só o iPad como todo o conteúdo de mídia ligado a ele. É obrigatório passar a usá-lo quando você entra no mundo maravilho de Steve Jobs. Mas é um programa chato, muito burocrático e com recursos pouco intuitivos. Não sei, talvez eu esteja enganado, de repente é apenas estranhamento de quem não conhece direito o mundo Apple.

A loja da Apple tem mais ou menos o dobro de aplicativos do Android Market, e lá, assim como no Android, você encontra tudo que precisa, de forma básica, em aplicativos gratuitos. Eu senti a necessidade de comprar apenas alguns programas, entre eles o Pages, que é o editor de textos da Apple, e o Garageband. Esse último foi mais por curiosidade mesmo.

 

É interessante notar que todos os aplicativos que instalei, pagos ou gratuitos, parecem seguir regras rígidas para seu desenvolvimento. Além de bonitos, todos funcionam bem e são instalados com um só clique, no caso dos gratuitos. Na iTunes Store brasileira o conteúdo (filmes, músicas e livros) ainda é muito limitado.

Limitações

Sem porta USB, sem saída HDMI, sem possibilidade de expansão da memória interna. Para fazer o tradicional sem poder usar recursos tradicionais, você precisa usar caminhos diferentes e trabalhosos. Também vale morrer numa grana com um adaptador USB. Ou você pode tentar se adaptar as regras criadas pela Apple. Francamente, talvez não seja má ideia depositar alguma confiança num fabricante que claramente está um passo a frente dos concorrentes.

Qual o grande barato do iPad? O que ele tem que os outros (ainda) não têm?

Muitos dos reviews e análises sobre o iPad 1 e 2 que li diziam no final que poderia valer a pena aguardar mais um pouco, que um concorrente a altura estaria prestes a ser lançado, por um preço menor, maior liberdade etc… Quero que alguém me aponte nos comentários se isso já aconteceu, se já temos um ipad-killer de verdade.

Me convenci da superioridade do iOS. Por enquanto ele está imbatível frente a todas as versões do Android. Me arrisco a dizer isso mesmo não tendo ainda a oportunidade de conhecer o Ice Cream Sandwich.

Muitos criticam o sistema Android dizendo que ele ainda está na fase BETA se comparado ao iOS do iPad, é difícil não concordar com isso depois de conhecer os dois lados.

Qualidade, beleza, suavidade, experiência imersiva, funcionamento simples e eficiente. Esses são os diferenciais do iPad 2.

Outros reviews:

http://www.portaltech.blog.br/reviews/ipad-2/

http://www.blogdopaz.com.br/tecnologia/xoom-x-ipad-2-o-que-o-motorola-tem-de-melhor

http://macworldbrasil.uol.com.br/reviews/2011/03/11/mais-rapido-leve-e-fino-ipad-2-supera-modelo-original-e-rivais/