A beleza reside na simplicidade

Praça

Contemplando essa foto, a gente percebe que as coisas bonitas costumam ser simples. No caso de uma praça, basta um bom serviço rotineiro de jardinagem para que ela se mantenha como um lugar agradável de estar. Não precisa de nada especial além de árvores e flores bem cuidadas. Infelizmente até mesmo uma inocente praça pode virar campo de batalha da vaidade humana, que é o que está acontecendo com a praça central aqui em Pirassununga.

Com seu jeito costumeiro, o prefeito anunciou um grande projeto de revitalização da Praça Conselheiro Antônio Prado e lá mandou suas máquinas para inicio imediato. Sem consultar a população antes, ele pretende recriar a principal praça da cidade seguindo seu bom gosto, felizmente dessa vez com os conselhos de uma arquiteta. Ora, estamos num ano eleitoral. Que prefeito não gostaria de fechar seu mandato reinaugurando o que talvez seja um dos poucos pontos turísticos de uma pequena cidade, tendo naturalmente ao seu lado a presença do seu pré-candidato para o próximo pleito?

Vindo na contra mão de planos tão dignos, temos uma fraca oposição política disfarçada no pedido de embargo feito por uma ONG. A praça, se não é tombada como patrimônio histórico, pelo menos fica ao lado do antigo Instituto de Educação, esse sim tendo suas características garantidas por tombamento. Pelo que sei, há restrições nesse tipo de caso. O resultado agora é uma praça que parece ter sido alvo de bombardeio, cercada por tapumes e sitiada por interesses escusos de todos os lados.

Eu me pergunto se antes de tudo isso acontecer a praça vinha sendo minimamente bem cuidada. Vinha? Lembro que o calçamento de pedras portuguesas estava bastante desnivelado, provocando tropicões em quem não costuma andar marchando. Uma simples rotina de podas, limpeza e manutenção, quando bem planejadas, é suficiente para manter qualquer praça funcional, ou estou muito enganado? Qual a grande necessidade de reformar uma praça inteira?

Precisamos de uma administração pública menos comprometida com aparências e mais engajada em hábitos de manutenção. Lembro aqui o exemplo mais próximo que conheço que é a praça do jardim Olímpio Felício, perto da minha casa e por onde sempre passo no caminho do trabalho. Durante todo o ano passado ela foi mal cuidada. Quando o mato crescia até um metro de altura, lá vinham os funcionários da prefeitura e cortavam até o chão, de qualquer jeito. Os bancos vivem sujos e quebrados. Iluminação ruim, quadra de esportes com alambrado todo arrebentado e piso mal cuidado, sem pintura. Agora a quadra está recebendo cobertura e cerca. Aposto que tudo estará lindo para as fotos e palmas na inauguração. E depois? E antes?

Esse mesmo problema que é visto numa praça pequena, de um bairro pequeno, pode ser constatado em toda a cidade. Como eu disse, temos uma administração que se ocupa com aparências e não realmente em administrar, e quando se mete a construir algo para o futuro, comete coisas como o Centro de Convenções, um prédio público novo tão mal planejado que sequer tem acesso para cadeirantes.

Manutenção preventiva adequada não chama atenção, portanto não angaria votos, justamente por não ser nada mais que a obrigação em qualquer boa equipe de administração. Afinal de contas, não é isso que é administrar? Resta torcer para que, através do voto democrático, possamos mudar isso na próxima oportunidade.

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Lembrança de Pirassununga

Finalmente eu trouxe o scanner do sebo pra casa e fiz uma coisa que estava pretendendo fazer já faz algum tempo: digitalizar essas fotos.

Sei lá, achei válido fazer minha parte como cidadão e digitalizar essa parte da história da minha cidade. São fotos antigas de Pirassununga de um álbum que era provavelmente um souvenir para turistas.

O que diabos um turista iria fazer em Pirassununga? As fotos são de meados de 50 e, hoje, tal qual na época, não há muito pra se ver por aqui.

 


Essa é a fotografia mais danificada do álbum. Mostra um pedaço da praça Conselheiro Antonio Prado, também conhecida como Praça da Bandeira, e um trecho da rua General Osório.

 


Essa mostra o trecho da rua Duque de Caxias em frente à praça. Era o centro comercial. Aliás, ainda é. A Lojas Pernambucanas e a Casa São Paulo estão no mesmo lugar.

 


Essa foto foi tirada a partir da torre da Igreja Matriz, mostrando um bonito pedaço da praça e um trecho da rua General Osório cheio de casas que agora são lojas.

 


Aqui um ponto de vista de dentro da praça, com o prédio do antigo Instituto de Educação ao fundo. Eu estudei nessa escola, junto com metade dos pirassununguenses.

 


Agora sim, o que talvez fosse o ponto alto do turismo da época: pescar no rio Mogi-Guaçu. Quase todo mundo com roupa social e chapéu.

 


Essa é a igreja Matriz. Logo atrás é possível ver o término da construção do prédio que já foi Cadeia Municipal, depois Prefeitura e agora Câmara Municipal.

 


Nessa imagem, também tirada da torre da Igreja Matriz, é possível ver a esquina das ruas Siqueira Campos e José Bonifácio. O Hotel Municipal e a Papelaria Curimatá continuam no mesmo lugar. Atente para o topo da foto: a cidade não ia muito longe desse centro.

 


Nessa foto você vê o prédio da finada Caixa Econômica Estadual, que ainda está lá e agora é do Banco do Brasil. Essa é a esquina da rua Duque de Caxias com a José Bonifácio. Aquela casa, ao lado do banco, foi demolida recentemente, dando lugar a uma farmácia.

 


Essa Piscina Pública eu não tenho ideia de onde fica ou ficava. Detalhe para o moleque foreveralone no pé da foto.

 


Na última foto do albinho (albuzinho, albunzinho?), outra vista da praça pela torre da Igreja. A praça estava bonita e bem podada nesses dias, não?

 

Se você quiser uma cópia das fotografias em alta resolução (formato png, 600dpi), baixe o arquivo compactado aqui (157mb). O álbum está à venda no meu sebo.

E viva Cacilda Becker!

Know-how de segunda mão

Para completar o post anterior resolvi escrever minha história de vida com computadores. Também aproveitando para esclarecer minhas origens, já que antes desse blog se tornar absurdamente afamado eu não existia oficialmente na Internet. De repente você pode ficar encafifado e se perguntar “afinal de contas, quem é esse tio Roberto e de que buraco ele saiu?”.

Minha memória não me trái, ela me trolla, então não vou ser preciso na cronologia. Senta que lá vem a história.

O primeiro computador que eu tive na vida foi um TK 95, essa belezinha aqui:

TK95

Era de segunda mão e eu o comprei ou troquei com alguma coisa, sei lá. Era colorido, um grande diferencial na época, com incríveis 3,58 MHz de velocidade do processador e 48KB de memória RAM. Deve ter sido lá pelos idos de 89 ou 90. Junto veio uma infinidade de fitas K7 com programinhas e joguinhos. Você ouviu direito, eu disse K7, aquelas fitas magnéticas que seu bisavó punha no som do DKW dele. Essa maravilha da tecnologia desapareceu da minha vida não faz tanto tempo assim. Tenho um pouco de remorso por não ter guardado, mas não muito.

O funcionamento era muito bizarro. Pra usar um determinado programa, você ligava nele a saída de fones de ouvido de um gravador e tocava a fita K7 que continha esse programa. Sabe aquele som de modem discando? Pois então, você ouvia esse som por alguns minutos enquanto a tela da TV (sim, ligava na TV) piscava em um jogo de cores psicodélicas. Demorava um século para carregar qualquer coisa. Por exemplo, você podia carregar um editor de textos que se parecia com isso:

TK95 word
Eu tenho quase certeza de que era uma das primeiras versões do MS Word.

Da mesma forma que você carregava o programa “ouvindo” a fita K7, você podia salvar dados gravando numa outra fita. Brinquei bastante com esse microcomputador, jogando uns joguinhos até que bem elaborados e com bons gráficos, além de fuçar um pouco em linguagem BASIC e LOGO. Aliás, lembro que cheguei mesmo a ter aulas de informática no primeiro grau que se limitavam a ensinar comandos em linguagem LOGO.

Em algumas revistas de eletrônica do meu irmão havia páginas com “receitas” enormes em BASIC. Você digitava aquela merda toda só pra ver o computadorzinho desenhar um chapéu tosco na tela. Mais ou menos nessa época, tive uma meia dúzia de aulas de datilografia. Graças a elas hoje consigo digitar relativamente rápido usando 4 dedos.

Voltando um pouco antes de tudo isso, em algum ponto entre 85 e 87, meu irmão apareceu em casa com um Atari novinho em folha. Na verdade era um clone e se chamava Dactar, da Dynacom:

Dactar

Foram horas e horas de alegria e alienação que dividíamos entre quatro irmãos. E foi um vai e vem de cartuchos sem fim, emprestados, perdidos, trocados e roubados. Apesar de gostar de games esse meu lado não se desenvolveu muito.

Agora nessa história entra um personagem chamado “meu amigo Chico”. Meu amigo Chico me deu (ou vendeu, ou trocamos, sei lá) meu próximo pseudo computador que foi esse Commodore aqui:

Commodore 64

Isso deve ter sido em meados de 93. Aqui temos um hiato na história porque não me lembro de ter usado essa coisa. Acho que estava quebrado ou sei lá. Apenas lembro que veio junto um enorme drive de disquete externo, tão grande quanto ele. Bizarro.

O próximo item nessa lista de relíquias já é um PC de verdade, um PC (AT ou XT?) completo com monitor de tela verde, semelhante a este:

PC

Esse eu tenho quase certeza que meu amigo Chico me deu. Deve ter sido lá em 94 ou 95. Também não lembro muito como usei esse trem. Era uma coisa horrivelmente verde e sem graça. Lembro que pesava uma tonelada.

Em seguida já estamos em 1998 e meu amigo Chico me dá aulas de informática no computador dele para um concurso público que eu ia fazer. Acho que era Windows 95. Eu fico encantado com a boniteza dos gráficos e com uma ferramenta mágica chamada “mouse”.

Meu próximo contato com computadores foi pouco tempo depois, se não me engano com um 486 usado que meu irmão descolou. Horrivelmente lento e que travava muito. Nem lembro que sistema operacional era, talvez windows 3.11? Ficamos pouco tempo com ele.

Só fui ter contato íntimo e pessoal com um computador mais moderninho em 1999 na faculdade, quando pude sentar na frente de um daqueles de 166MHz já com monitor VGA, abrir um programa chamado Netscape e conhecer melhor uma coisa chamada Internet. Já sabia alguma coisa sobre ela e sobre html que aprendi junto com meu amigo Chico, quando ele resolveu criar um site para nossa banda de rock, mas foi na faculdade que me iniciei na nobre arte de programar em html e fazer algumas experiências com essa linguagem, engatinhando na criação de homepages. Depois de algum tempo assumi o comando do site da banda.

No angar
Se eu fosse falar das bugigangas musicais...

Em 2002, fui chamado para preencher uma vaga na prefeitura, daquele concurso que falei (valeu as aulas Chico) e passei a ter um computador de trabalho só para mim. Acho que rodava Windows 98, mais logo veio um novo com Windows XP… Quando alguém me perguntou se eu sabia “mexer com computador” eu e minha boca grande viramos uma espécie de faz tudo da informática. Apenas uma observação: nesse período o acesso a Internet era bem limitado e era acesso discado.

Depois que comecei a trabalhar, comprei dividindo com meu irmão um computador novinho, mas que era muito mal montado, com uma placa mãe PC Chips que vivia travando.

Inversamente a condição da minha banda, fui tentando melhorar o nosso site. Cheguei a brincar e aprender muito sobre Flash, mas quase nada saiu do rascunho. Mais ou menos em 2003 ou 2004 comecei a ter acesso rápido no trabalho e a coisa ficou mais fácil.

Apesar de ter acumulado até então bastante conhecimento sobre criação de websites, foi apenas em fevereiro de 2009 que entrei na blogosfera, quando por sugestão do meu amigo Chico eu criei meu bloguizinho pessoal chamado longevai.wordpress.com. Antes disso, em 2008, eu já havia transferido o site da banda supercaras para o formato de blog, mas até então eu não tinha uma boa impressão e nem conhecimento sobre blogs em geral. Até 2008 a blogosfera era para mim apenas um monte de textos inúteis que poluíam as buscas no Google. Quando comecei a escrever na Internet e ler alguns blogs, minha visão mudou bastante e continua mudando.

Em fevereiro de 2010, registrei o supercaras.com e criei esse blog como suporte complementar ao site da banda supercaras, que agora está no palco mp3. A partir daí você já me conhece, manolo.

E é isso.

Minhas bugigangas

Um amigo me acusou de gastar muito com tecnologia e parei pra pensar um pouco sobre isso. É verdade, ele tem razão. Mesmo sendo um pobre, volta e meia derramo rios de dinheiro em bugigangas eletrônicas inúteis. Crucifica-o!

Já li alguns posts de blogueiros contando suas histórias com gadgets, resolvi contar a minha também. É bem sem graça, então pegue um café pra acompanhar esse texto longo.

Primeira coisa a dizer é que não gosto dessa palavra, gadget, prefiro chamar bugiganga eletrônica. A primeira que tive foi um celular Ericsson a1228d, no tempo em que a operadora Claro se chamava Tess.

Ericsson a1228
Um tijolinho bem simpático, até.

Fucei no que ele tinha para ser fuçado. Brincava com alguns códigos “secretos” de configuração que não funcionavam. Nessa época, meu sonho era ter um tecladinho qwerty que você acoplava e podia escrever SMS com mais conforto:

Tecladinho pro Ericsson a1228
Tecladinho bizarro

Também tive um outro parecido, esse aqui:

Ericsson
Esse era duro na queda.

Na faculdade tive contato pela primeira vez com um Palm e fiquei abismado. Achei maravilhosas as possibilidades que ele trazia e fiquei desesperado para ter um. Por algo que considero um azar do destino, acabei encontrando um Palm m125 usado sendo vendido numa loja de informática. Não consegui me segurar, gastei uma grana indecente, quase o dobro do que ele realmente valia. Era o preço de ser um otário vivendo em Pirassununga em 2002.

Palm m125
Um clássico da finada Palm

Usei muito essa bugiganga para ler ebooks e escrever um ou outro pensamento. O Palm m125 tinha um defeito congênito documentado: um capacitor interno perdia a capacidade de segurar carga elétrica e fazia com que os dados fossem apagados da memória toda vez que você trocava as pilhas, o que era uma coisa constante porque o bicho era um devorador. O jeito era tentar sempre bater o recorde de velocidade na troca de pilhas. Outro grande problema era a sincronia com o PC, que não era nada fácil como conectar um pendrive numa porta USB.

De qualquer maneira, me diverti e aprendi muito com ele. No auge, eu conseguia mudar as fontes (dava trabalho) e até conectava na Internet via cabo. Bem nerd, hein?

Ele ainda está por aqui, jogado numa gaveta porque não vale absolutamente mais nada. A questão é que não tenho mais aquela paciência que ele exigia.

Na época em que eu fiquei de saco cheio com as limitações e obsolescência do Palm, eu tinha esse celular aqui:

Motorola w220
Bonitão

Que era charmoso mas não tinha nada de especial, nem mesmo camera.

Não lembro direito como foi, mas foi assim. Em abril de 2009 troquei ou vendi esse celular para meu irmão e comprei um smartphone na esperança de ter uma bugiganga moderna para ler meus ebooks. Lembro bem de ficar perguntando para a vendedora da loja CEM (é sério) se era possível abrir arquivos PDF nele. No fim, fuçando lá na hora, descobri que sim e fechei a compra.

Samsung BlackJack
Só não fazia empada.

Com o Samsung BlackJack II, que rodava Windows Mobile 6, fui feliz até o dia 27 de maio de 2010, quando esqueci-o na mesa de um bar. Perdeu, playboy.

Depois desse episódio decidi nunca mais ter alguma coisa pequena e cara que eu pudesse perder facilmente por aí. Fiquei um bom tempo sem telefone. Atualmente estou com um bem velhinho e simples.

Em fevereiro de 2010 eu havia comprado meu primeiro notebook e na mesma época passei a ter acesso rápido a Internet. Nesse mesmo mês eu lancei a pedra angular na fundação deste querido blog e virei um nerd de verdade, sem querer querendo. Desde então tenho lido muito sobre bugigangas eletrônicas e as coisas foram ficando mais claras.

Notebook Lenovo

Em junho de 2010 (?) eu soube do lançamento do Positivo Alfa e novamente fiquei abismado. Eu já vinha acompanhando a evolução do Kindle e da tecnologia e-ink. Me empolguei com a idéia de ter um “Kindle brasileiro”, barato e fácil de encomendar pela Internet. Assim que o botão “comprar” apareceu na Saraiva, eu cliquei. Era agosto de 2010 e dessa vez não senti que estava fazendo um mau negócio.

Positivo Alfa
Finalmente algo decente pra ler meus ebooks

Como eu disse no começo, sou um pobre, então não posso gastar além da conta. Da mesma forma que acompanhei com atenção o Kindle e o lançamento do Alfa, também fiz com o iPad, porém nem sonhava em ter um. Mas hoje, um ano depois de lançado, vendo até onde chegou o sucesso e tudo que é possível se fazer com essa bugiganga… e agora sendo vendido no Brasil…

Enfim, estou vendendo meu Alfa e levantando a grana pra comprar um iPad. Com um pouco de sorte, já pego a segunda versão.

Concluindo, espero que esse artigo ajude meus amigos a entenderem melhor meu lado nerd. Ou não.

iPad
Vai, manolo, autografa aqui no meu iPad!