Faça um case para seu leitor de ebooks usando uma caixa de DVD

Olha que legal: uma caixa de DVD comum funciona muito bem como case de transporte para um Kindle, Kobo e alguns outros modelos de leitores de livros digitais. Ou seja, se seu dispositivo tiver medidas de até 185 x 120 x 10 mm provavelmente cabe dentro de uma simples caixa de DVD. É rápido de fazer, eficiente e barato.

Você vai precisar de:

    Uma boa caixinha de DVD que feche bem.
    Um pedaço de TNT ou tecido fino e macio
    Cola escolar ou cola quente
    Dois pedaços pequenos de bastão de cola quente ou algo similar
    Dois pedaços de papel cartão ou papelão do tamanho do ereader
    Tesoura, faca ou estilete e um alicate

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Comece soltando o plástico da capa e cortando o suporte central onde vai preso o disco, deixando apenas as beiradas laterais que vão firmar o aparelho para que ele não fique dançando para os lados. Cuidado para não rachar a caixa toda.

Se você conseguir retirar apenas o necessário para encaixar o tablet, melhor, não vai precisar usar o cartão como reforço na parte traseira, mas isso é difícil de conseguir.
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Quebre as duas linguetas da parte interior, cole o cartão de papel grosso ou papelão na parte traseira da caixa e prenda novamente por cima o plástico da capa.

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Cole o forro de TNT ou tecido e o cartão que vai proteger a tela do ereader. Quanto mais rígido esse cartão for, melhor, desde que seja fino e leve.

Usando o próprio aparelho como gabarito, fixe os dois pedaços de qualquer coisa na parte superior e inferior para que ele não fique sambando dentro da caixa durante o transporte. Dois pedacinhos de bastão de cola quente envoltos por TNT funcionam bem.

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Pronto! Agora arranje uma capa bacana (ou nada a ver, como a minha) e corra pro abraço.

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A culpa é do cupim

Sendo um dono de sebo que gosta de ler, vivo sabotando meu negócio ao surrupiar regularmente algum produto das estantes. Nessa história de “hum… quero ler esse, vou levar…” começou a faltar espaço na minha pequena biblioteca, que consiste em duas prateleiras com pouco mais de um metro cada.

Para minha sorte as prateleiras pegaram cupim. Tremo de imaginar esses bichinhos começando sua escavação nos livros que guardo com tanto carinho! Não vi outra solução: estou numa maratona de leitura pra acabar com a biblioteca e migrar de uma vez para os livros digitais. Na verdade vou manter apenas minha coleção do Stephen King, que inclusive quero ampliar.

Uso meu iPad como ereader faz tempo mas somente agora joguei pra dentro dele o fruto de anos e anos de pilhagem cultural. Tenho lá uns 3000 livros devidamente socializados.

Apesar de curtir bastante a ideia do livro digital e ter desenvoltura pra ler mil páginas numa tela de vidro, tenho certa resistência em comprá-lo. Primeiro porque não tenho escrúpulos sou pobre e piratear é fácil, segundo porque ainda considero os livros em papel mais vantajosos.

Eu sei que no formato digital as possibilidades são maiores mas ainda não chegamos lá.

Livros de papel não são presos a nenhum software, plataforma ou empresa, não dependem de nada para serem usados, não exigem senha ou autenticação. Podem ser emprestados sem necessitar de nenhum tipo de sincronização além de um aperto de mãos. Podem ser dados, revendidos e até mesmo jogados fora. Podem cair no chão, levar banhos dos mais diversos líquidos e até mesmo serem parcialmente devorados sem que isso acarrete perda ou corrompimento de dados. Ou seja, zero por cento de frescura.

Ebooks são geralmente uma simples cópia digital do livro impresso, sem maior preocupação com aparência e ainda por cima com quase o mesmo preço. Qual a vantagem? O peso, sim, é uma vantagem. Bem mais fácil ler “Sob a redoma” ou “Novembro de 63”, dois calhamaços que beiram mil páginas, no iPad do que no papel. Mudar o tamanho da fonte? Sim, com certeza é uma grande vantagem. O quê mais?

Por enquanto mais nada. Mas talvez eu esteja por fora, não sei. Mas o que estou dizendo? Claro que estou por fora, ainda acredito que dá pra viver vendendo livro velho!

Pra você ver o malabarismo mental que a gente precisa fazer pra justificar a pirataria.

Como digitalizar textos usando um smartphone

Quero compartilhar um método de digitalização de textos que estou usando com bastante eficiência e é particularmente útil para quem não tem um scanner ou mesmo quer experimentar outra maneira de fazer esse tipo de trabalho tão cansativo.

Trata-se de usar um celular com Android e alguns apps. As vantagens são poder fazer a digitalização enquanto lê-se o livro e/ou longe do PC, sem precisar usar um scanner de mesa. O único porém é que o smartphone precisa ter uma câmera boa e você vai precisar investir na compra de um dos apps.

Os apps a serem usados são:

Nota: aconselho testar primeiro a versão free do Mobile OCR (somente Android) para ver como a câmera do seu smartphone se comporta. Tente scannear um texto em inglês e veja se o resultado fica bom e com um número tolerável de erros. É importantíssimo tirar a foto em presença de bastante luz.

O método é o seguinte

Instale os apps no celular e o app do Dropbox no computador. Se você não tem uma conta do Dropbox, crie uma agora clicando aqui pelo amor de Deus! O Dropbox oferece 2GB de espaço gratuito na nuvem, com possibilidade de ampliação gratuita ou paga e oferece um monte de recursos interessantes pra você acessar e usar seus arquivos a partir de qualquer lugar.

Configure sua conta recém criada do Dropbox no celular e no PC. Sincronize uma pasta no PC e crie dentro dela uma arquivo txt.

Agora é só digitalizar! Abra o Mobile OCR, escolha o idioma e toque em CAMERA para tirar uma foto da página do livro na hora ou em ALBUM para usar uma foto que tenha sido feita previamente.

O autofoco do smartphone precisa estar ligado, não esqueça de ter boa luz (não use flash) e enquadrar o texto da melhor maneira possível. Feita a foto, toque em SALVAR ou DESCARTAR para refazer, caso não tenha saído boa. Tendo uma boa foto, toque em SALVAR e em seguida CONVERT.

Leva pouco mais de um minuto para o aplicativo capturar o texto. Ele vai apresentá-lo todo centralizado. Corra o texto verificando se o número de erros é tolerável. Caso não apareça texto algum ou este apresente muitos erros, aperte o botão VOLTAR do smartphone e repita o processo. Não esqueça: boa luz, enquadramento e foco. Se você não conseguir um bom resultado de jeito nenhum, pode significar que sua câmera não é boa o suficiente, por isso é importante testar primeiro com o Mobile OCR gratuito.

Deu certo? No final do texto haverá o botão COPY TO CLIPBOARD. Toque para copiar. Em seguida aperte o botão HOME e abra o Dropbox. Abra o arquivo de texto que você criou e que está sincronizado com o PC. Cole o texto.

Pronto! Agora é só repetir o processo. Cada foto uma página. Uma dica para agilizar o trabalho: segure o botão HOME do smartphone pressionado para ver os últimos apps abertos e assim poder pular rapidamente entre os dois aplicativos. Depois de pegar o jeito o processo fica rápido, limitado apenas no tempo que o aplicativo demora para recognizar o texto, algo em torno de um minuto e meio.

Nota: A sincronia do Dropbox entre o smartphone e o PC é ligeira, em alguns segundos o arquivo txt no computador já estará atualizado. Daí basta copiar e colar o texto sem formatação para o seu editor usual e fazer o trabalho duro de sempre (tirar as quebras de linha, corrigir negrito e itálico etc).

É isso aí, mãos a obra!

Os ciclos do conhecimento

As pessoas em geral têm dificuldade de perceber o mundo como um lugar onde quase tudo é cíclico. Nasce-se e morre-se enquanto as coisas meio que se repetem sem que tomemos consciência.

Não há nada de novo debaixo do sol e, ao mesmo tempo, tudo se renova. Pra você ver o quanto isso vai longe, veja:

Nossa juventude adora o luxo, é mal educada, caçoa da autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem a seus pais e são simplesmente maus.
Sócrates, 470-399 AC

Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje assumir o poder amanhã, porque essa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível.
Hesíodo, 720 AC

Nosso mundo atingiu seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais seus pais. O fim do mundo não deve estar muito longe.
Sacerdote desconhecido, 2000 AC

Essa juventude está estragada até o fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura.
Escrita em um vaso de argila de 4000 anos descoberto nas ruínas da Babilônia, atual Bagdá

Essas constatações e lamentos soam extremamente pertinentes e atuais e, no entanto, o mais recente é de 2600 anos atrás. Todos são de outros tempos, de culturas e sociedades diferentes. A desconfiança com o novo e a supervalorização do velho está aí desde que o mundo é mundo.

Podemos aplicar essa tendência a uma discussão muito comum nos dias de hoje: a decadência ou não do livro de papel. De um lado há os que afirmam com toda convicção que o livro de papel nunca desaparecerá e de outro os que preveem seu fim histórico.

A história do livro é bastante conturbada e se confunde com a evolução do homem e do pensamento racional. Mais significativa que a evolução do livro é a da palavra escrita, ou seja, do pensamento registrado.

O livro como o apanhado de textos organizados e delimitados que conhecemos surgiu há bem pouco tempo na história da humanidade e foi somente com o advento da prensa de Gutenberg que ele tomou forma de objeto prático e funcional, além de acessível. Foi um longo caminho para o pensamento humano desde os primeiros rabiscos em paredes de cavernas e tabuletas de barro, passando pelos rolos de papiro e pergaminho.

No filme A máquina do tempo, de 2002, baseado na história homônima de H. G. Wells (mas tão diferente que é odiado por muitos) o protagonista reencontra oitocentos mil anos depois o guia fotônico da biblioteca pública de Nova Iorque, uma espécie de supercomputador inteligente que encerrava em si todo o conhecimento humano e que podia ser acessado através de um holograma na simpática e estranha figura de Orlando Jones. Enquanto os livros viravam pó, naquela única máquina residia tudo o que o homem construiu antes de se autodestruir.

Gosto muito dessa cena. A ideia de um robô ou computador inteligente que sabe tudo me atrai bastante, principalmente nessa aplicação tão bonita de realidade aumentada.

Como será o futuro? Teremos isso algum dia? Não sei, ninguém sabe, mas a ponte que possibilitaria isso está sendo atravessada. Uma nova ponte, muito diferente de outras e ao mesmo tempo bastante similar. Mais um grande salto que torna o registro e o acesso ao conhecimento muito mais flexível e eficiente.

Por mais apegados que sejamos ao livro como objeto do nosso tempo e por mais que desejemos que ele viva para sempre, devemos em primeiro lugar ser pragmáticos e enxergar as coisas de forma ampla. Isso envolve ver o mundo por um angulo otimista, só para variar.

Considerações atuais sobre o Positivo Alfa e outros e-readers

Comprei o Positivo Alfa já na pré venda, em julho de 2010. Assim que o recebi, virei ele do avesso e logo fiz um review. Horas depois descobri e ensinei um truque para tirar melhor proveito do aparelho.

Isso já está completando um ano e o cenário dos aparelhos portáteis mudou bastante nesse período. Na época, o Kindle e o Nook já se consolidavam como ótimos suportes substitutos do papel, enquanto que vários e-readers similares começavam a pipocar (o Alfa entre eles). Também aconteceu o sucesso avassalador e chegada ao Brasil do iPad da Apple, trazendo de arrasto trocentas cópias e similares e tomando até espaço dos aparelhos específicos dedicados a leitura. Quem não acreditou na supremacia desse tipo de equipamento, agora dobra a língua ao ver que o formato deu certo e veio pra ficar.

Como meus posts específicos sobre o Alfa alcançaram um sucesso estrondoso, mesmo já indo lá um ano, ainda recebo milhões de mensagens contendo muitas dúvidas acerca de ler usando dispositivos eletrônicos. Achei que seria bom pontuar algumas coisas a cerca do Alfa e dos leitores na atualidade.

Eu estou (ainda) tentando vender o meu Alfa. Se você leu esse post aqui, deve saber por quê. Mas enquanto não consigo convertê-lo em grana, continuo tranquilamente usando-o. Não me entenda mal, gosto dele mas acredito que vou gostar mais ainda de um iPad

Pois bem. Dividi em tópicos as principais dúvidas e ideias a cerca do Alfa, tablets e leitura digital.

O Alfa é um bom leitor?

Sim, é. Como leitor dedicado exclusivamente à leitura, ele não deixa nada a desejar frente ao Kindle, por exemplo. O problema do Alfa é unicamente a marca. A Positivo cometeu dois erros com o Alfa: primeiro no firmware porcamente feito e cheio de limitações. Felizmente isso pode ser resolvido, pois existem outras opções que melhoram muito a experiência de uso do aparelho. O segundo erro é imperdoável e se divide em 3: a qualidade do material, a garantia e a assistência técnica.

Se você procurar na web, encontrará vários relatos de consumidores que tiveram a desagradável surpresa de verem seus leitores pararem de funcionar de uma hora para outra, às vezes não sabendo a causa ou mesmo após um leve aperto na tela ou pequena queda. E quando procuram a assistência técnica, mesmo se oferecendo para pagar o conserto, descobrem que o aparelho não é do tipo que se desmonta e substitui-se uma peça danificada. Se o aparelho quebra, vai todo pro lixo e a garantia da Positivo se exime de qualquer dever em trocar o produto. É a velha fama de produtos de baixa qualidade que a Positivo aparentemente não se importa de carregar. O Alfa é montando na China, como quase tudo atualmente, e é apenas um dos muitos clones do N618 da 4FFF. O que muda em relação aos outros? O controle de qualidade, que no caso da Positivo, fica próximo ao chão.

Então, fica o meu conselho se você possui um Alfa: trate-o com carinho e segure-o com as duas mãos, como se ele fosse um livro muito raro.

Outra coisa a se lamentar é o preço, que continua salgado. Felizmente agora existem concorrentes, como esse aqui, por exemplo.

Não é ruim ler em telas eletrônicas?

Depende unicamente dos seus olhos e da tela em questão. Faça um teste: reduza bem o brilho do seu monitor e tente ler um texto longo nele. Se você chegar ao final sem se incomodar, ficar com olhos ardendo ou se sentir desconfortável, parabéns, você se adaptou sem problemas.

Se foi incomodo, ainda existe uma chance de você se dar bem com telas e-paper, que são aquelas que não emitem brilho e são feitas apenas e tão somente para leitura. São essas que vem em aparelhos similares ao Kindle, como é o caso do Alfa. Se você nunca viu uma de perto, acredite, é bem interessante. Veja isso para ter uma ideia melhor do que estou falando.

Se ler no monitor não foi ruim, você com certeza gostará muito de olhar uma tela e-paper e também se dará muito bem lendo num iPad.

O que é melhor pra ler, um leitor tipo Alfa ou um tablet como o iPad?

São propostas diferentes e não devem ser comparados. Nos dois é possível ler, mas apenas com um você pode fazer isso debaixo do sol ou encostado numa árvore num dia claro e lindo. Por outro lado, com o outro você também assiste vídeos e pode jogar games, editar textos etc. Um grande diferencial que conta muito na hora de se recostar para ler é que o Kindle ou o Alfa são super leves, enquanto que o iPad (e outros tablets em geral) pesam mais ou menos meio quilo. Isso pode fazer muita diferença.

Ler no papel não é bem melhor do que nessas bugigangas?

Você decide isso. Eu poderia ficar aqui falando sobre como esse fetiche do papel está fadado a desaparecer ou então como é bacana estar lendo um livro normal e uma garota se interessar pelo título e puxar conversa, mas não vou. Só posso falar de mim, então vou contar um fato corriqueiro que aconteceu comigo.

Comecei a ler um livro que por coincidência também possuia em formato digital. Ora, optei por ler a versão em papel porque eu realmente prefiro ler no papel. Mas aconteceu que o livro era grosso e um tanto quanto pesado, bem mais que os 240 gramas do Alfa. Então troquei o papel pelo digital e continuei lendo o livro da maneira que considerei mais confortável. Pronto.

Pra quem já leu muitos livros grossos usando um Palm m125 e um Samsung BlackJack, o Alfa é um paraíso. Mas talvez você não tenha essa facilidade que eu considero uma versatilidade minha. Pra você talvez seja incomodo ler em superfície que não seja de papel. Muitas pessoas são assim. Atente apenas para ter certeza de que não é um bloqueio apenas de hábito ou cultural.

Se você gosta bastante de ler e/ou precisa ler muito e está indeciso em investir ou não num leitor dedicado, aconselho que você pegue nas mãos e experimente um desses genéricos do Kindle.

É isso.