Cigarro Eletrônico – um review genérico

Esse é um review diferente. Vou falar mais sobre um conceito do que sobre um produto específico. Mas antes vou dar o meu rap lamentativo costumeiro. Caso queira ir logo pra parte interessante, clique aqui pra pular a choradeira.

Depois de dois longos anos longe do cigarro, voltei a sofrer surtos de fissura e caí em tentação. Aquele meio maço de Free azul com isqueiro e tudo que eu tinha lacrado e pendurado na parede do meu sebo no final de 2009 foi violentamente violado pela minha pessoa. Nem me preocupei com o fato de os cigarros estarem vencidos, talvez mofados. Para horror geral, fumei-os todos!

Voltar a fumar depois de todo esse tempo pode parecer uma grande burrice aos olhos de quem nunca foi viciado. E é! Como as estatísticas mostram que o vício do tabaco é um dos mais difíceis de serem superados e a recaída é muito comum, perdoem esse pobre homem fraco.

Fracamente, digo, francamente, sofri muito durante esse tempo. Todos aqueles argumentos excelentes e lógicos que me mantinham afastado do vício, arrebanhados e alinhavados com muita convicção nesse interim, caíram como um castelo de cartas. Não significaram nada na hora do aperto, por mais fortes que fossem. Como me lembrou um amigo, sou humano, afinal de contas.

E como já dizia Voltaire, “a natureza sempre tem mais força do que a educação”, por isso “o homem se precipita no erro com mais rapidez do que os rios correm para o mar”, mas “é preferível um vício tolerante a uma virtude obstinada”. E, já que é assim, o jeito é relaxar porque “a preocupação é uma doença em que cada paciente deve tratar-se a si mesmo”.

E sendo que “o segredo de não se fazer cansativo consiste em saber quando deter-se”, vou parar de emendar esses rifões! 😀

Nesses dias de triste derrota, acabei me deparando com cigarros eletrônicos muito baratos no Deal Extreme. No impulso, comprei. Numa situação muito comum aos fumantes que optam por essa saída, só depois de ler e me inteirar do assunto tomei conhecimento de que na verdade esse determinado modelo não é dos melhores. Li bastante coisa nesse fórum aqui e acabei então comprando algumas peças para montar meu ecig de iniciante nesse site aqui. Além das lojas indicadas por esse fórum, encontrei essas que vendem para o Brasil e cujos preços não são tão absurdos: http://www.e-cig.com.pt http://www.smuky.com.br.

Nas lojas nacionais o material é bem mais caro, porém a entrega é garantida e rápida. Comprar diretamente de sites internacionais fica muito mais barato mas a encomenda pode demorar, além de correr risco de ser taxada ou mesmo confiscada. O brasileiro é um feriado e os guardas da fronteira são uma festa! Geralmente quando eles identificam o que é, enviam para análise na ANVISA e aí é adeus…

Antes que eu me esqueça, preciso dizer algumas coisas que o meu advogado aconselhou:

CONFORME PORTARIA DA ANVISA, A IMPORTAÇÃO E O COMÉRCIO DE CIGARROS ELETRÔNICOS ESTÁ PROIBIDA NO BRASIL DESDE 2009. ESSE TEXTO NÃO É DE MODO ALGUM APOLOGIA AO USO DESSE TIPO DE EQUIPAMENTO. NÃO EXISTEM ESTUDOS CONCLUSIVOS SOBRE A SEGURANÇA DO USO DESSE TIPO DE EQUIPAMENTO.

Feito isso, vamos ao que interessa!

Anatomia do cigarro eletrônico

O funcionamento do ecig é básico. A bateria está ligada a uma pequena resistência (como as de chuveiro, mas bem menor) que por sua vez está em contato com o líquido de sabor (chamado de e-juice ou e-líquido e que pode ou não conter nicotina). Quando a bateria é acionada, manual ou automaticamente, ao mesmo tempo em que se aspira o ar através da piteira, o ar frio entra e é aquecido pela resistência juntamente com o líquido, gerando um vapor aromatizado. O vapor perde rapidamente o aroma após ser aspirado e expelido pelos pulmões, daí o ecig ser considerado inofensivo a quem estiver próximo ao fumante. Também o fato de conter apenas nicotina ao invés das quatro mil e tantas substâncias comumente encontradas no cigarro é o motivo levantado por muitos para considerá-lo minimamente seguro.

O ecig só é identificado como cigarro pela aparência e por conter nicotina na essência usada para dar sabor. Para todos os efeitos, ele não passa de um vaporizador pessoal, daí a razão de se rotular a ação de vaporizar ao invés de fumar.

Meu equipamento de vaporização pessoal

Comprei duas baterias padrão Joye 510, uma manual e uma automática, de 180mAh, carregador USB, dois frascos de 10ml de líquido sabor café com nivel médio de nicotina (16mg) da marca Dekang e três cartomizadores Health Cabin dual coil 1,6ml. Ficou um pouco mais barato que comprar um kit pronto. Esse seria o material básico suficiente para um fumante de no máximo um maço por dia.

As baterias, sendo de boa qualidade, têm vida útil de no mínimo um ano. As resistências presentes nos atomizadores, cartomizadores, clearomizadores e outros, têm vida variável mas geralmente curta, podendo durar de semanas a meses. Quanto ao lico, duas a quatro gotas são suficientes para uma ou duas sessões de vaporada.

Primeiras impressões

Depois de abastecer o cartomizador (parte que reúne piteira/cartucho e atomizador) com o e-juice e rosqueá-lo na bateria, tive um pequeno ataque de covardia. Fiquei com medo de acionar o botão e aspirar alguma fumaça tóxica, daquelas de plástico queimado. Meditei por alguns segundos, recapitulando todas as milhares de vezes em que traguei os mais diversos tipos de cigarros, dos bons aos mais baratos, e toda a fumaça que eu aspirei nos meus trinta e poucos anos de vida. Vamos lá, Robertão, nada pode realmente ser pior do que todos aqueles cigarros do Paraguai, nem de toda fumaça preta de caminhão que volta e meia a gente respira nas ruas!

A primeira aspirada foi tímida, apenas para ver se o gosto não seria ruim. Como não foi, parti então para uma puxada mais forte, juntando vapor na boca e tragando junto com o ar. Na terceira, traguei direto pros pulmões.

Ao tragar e soltar uma boa quantidade de vapor do ecig duvidei seriamente de que aquilo era, de fato, vapor. Sério. Precisei que me dissessem que a fumaça não tinha cheiro para ter certeza de que eu não estava empestando a casa. É realmente muito parecido com o cigarro convencional!

Mas como isso funciona?

A explicação para a semelhança entre a fumaça/vapor dos cigarros convencionais e cigarros eletrônicos é simples.

Quando você aspira o ar através de um cigarro comum aceso, duas coisas acontecem: o ar alimenta a queima do fumo, que por sua vez gera fumaça, enquanto que o calor condensa a umidade presente no ar e no cigarro, de maneira que você traga uma mistura de fumaça e vapor d’água.

No caso do cigarro eletrônico, apenas vapor é produzido no processo de aspiração pois não há queima de nenhum material, apenas aquecimento do líquido de sabor.

Mesmo variando de acordo com o modelo do aparelho, a ação e sensação de tragar e soltar a “fumaça” é muito parecida com a de cigarros normais. Até mesmo a característica de Throat Hit (coice na garganta) está presente no ecig, o que explica sua grande eficiência em emular o hábito de fumar e seu sucesso na eliminação do vício de forma muito suave.

Mais informações tecnicas sobre o ecig e o e-juice, você encontra na Wikipedia. Outras informações gerais nesse artigo aqui.

Diferenças

Os melhores ecigs guardam pouca semelhança física com os cigarros convencionais. São bem maiores, eu diria que mais se parecem com charutos, principalmente no modo como acabam sendo segurados. Esse modelo que montei, que é dos menores, é pouco maior que um cigarro slim, semelhante as cigarrilhas.

O peso é maior e o equilíbrio na mão é bem diferente, principalmente no caso de se usar baterias manuais. A posição do botão obriga a segurar de um modo diferente. No entanto, isso pode ser uma vantagem pois permite também uma grande liberdade de empunhadura. A questão de haver a necessidade de apertar um botão para fumar parece ser algo incomodo a primeira vista, mas a gente se acostuma rapidamente.

O hábito de deixar o cigarro pendente nos lábios me faz alguma falta, coisa inviável por causa do peso do ecig. Posso dizer que essa é a única diferença gritante. Todo o resto é extremamente parecido. De mais a mais, sempre é possível segurar nos dentes, como se fosse um charuto.

 

Outra característica interessante é o modo de fumar. No eletrônico não existe um compromisso de dar um número x de tragadas. O convencional te obriga a fumá-lo ou ele se fuma sozinho. Isso torna difícil mensurar o quanto se está fumando. Pelo que li, os adeptos costumam simplesmente vaporar a intervalos regulares que variam de 10 a 20 tragadas.

A nicotina e os malefícios do cigarro

Você pode aprender muita coisa sobre a nicotina lendo o verbete na Wikipedia, o texto bem esmiuçado do médico Drauzilo Varella ou o artigo do site Como Tudo Funciona. Apenas quero frisar algumas coisas:

  • A nicotina é apenas uma dentre as milhares de substâncias presentes na fumaça do cigarro.
  • A priori, não há consenso sobre seus efeitos maléficos ou benéficos para a saúde.
  • Existem estudos que mostram que a nicotina pode fazer bem, assim como existem estudos que mostram que ela pode causar alguns males.
  • Ela causa dependência pois é um alcalóide (composto orgânico de carbono, hidrogênio e nitrogênio que altera o funcionamento do sistema nervoso), assim como, por exemplo, a cafeína.
  • É uma droga. E, como toda droga, é tóxica em grandes quantidades e geralmente exige doses cada vez maiores para satisfazer.

A partir disso você pode tirar as conclusões que quiser. Na minha opinião, ela é uma vilã superestimada… O verdadeiro grande demônio que se ergue entre as outras quatro mil e tantas substâncias mortais presentes no cigarro é o alcatrão.

No cigarro eletrônico, apesar da falta de estudos comprovando, é evidente que você não encontra essa mesma quantidade absurda de substâncias nada amistosas e, principalmente, não encontra o alcatrão.

A proibição da importação e comércio no Brasil

A ANVISA foi taxativa na sua resolução proibindo a importação e comércio do cigarro eletrônico. Enquanto os fabricantes não apresentarem estudos enbasados mostrando a segurança no uso, nada feito. E essas autorizações, para piorar ainda mais a situação, são específicas para cada marca e modelo. A liberação vai depender do empenho dos fabricantes em explorar o mercado brasileiro.

Mercado há. Muita gente se vê obrigada a burlar as regras para conseguir usar ecigs, tendo que recorrer ao contrabando. Os testemunhos que li dão conta de que o equipamento cumpre bem o papel de eliminar paulatinamente o vício de fumar ou, pelo menos, reduzir muito o dano causado. No meu curto entendimento, me parece que a saúde pública está perdendo uma ótima chance de ter uma arma eficiente na luta contra o cigarro. Como toda nova tecnologia e mercado potencial, o cigarro eletrônico perturba o status quo. Há muitos interesses em jogo.

Se você é um fumante tentando se livrar dos cigarros fedorentos mas tem medo de se arriscar, saiba que o uso e a venda do cigarro eletrônico é legalizado em boa parte dos EUA e Europa, sendo que a troca do cigarro analógico pelo eletrônico tem crescido bastante. Pobre Philip Morris… snif…

Obrigado por fumar

Conclusão

Essa foi a terceira vez em que tentei parar de fumar. Dois anos e meio longe do cigarro e eu me sentia livre, mas de uma hora pra outra voltei a sofrer uma vontade forte e não me controlei. É um absurdo, eu sei. Não faz sentido e com certeza aos olhos de quem nunca fumou fica parecendo que eu sou uma besta. E é verdade, eu fui, desde a primeira vez em que pus um cigarro na boca.

Agora estou usando o cigarro eletrônico e larguei de lado o maço cheio que comprei recentemente. Por enquanto, ele está cumprindo bem o seu papel. Gosto muito de vaporar enquanto estou na frente do computador e é bom fazer isso sem deixar a casa fedendo, sem ficar fedendo. Basicamente é como fumar, só que sem aquelas coisas desagradáveis do cigarro comum.

Se você tiver interesse em trocar o seu cigarro fedorento pelo cigarro do futuro, você encontrará tudo que precisa saber no fórum http://e-cig.forumbrasil.net/

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O futuro é estranho e maravilhoso

Faz mais de dois anos que parei de fumar. Eu estava dando a guerra por vencida quando de uma hora pra outra voltei a sofrer picos de fissura. Meu organismo está livre de qualquer resquício de vício, então qual a razão disso? Estou puto e realmente com um medo, pequeno mas real, de cair em tentação. Caí!

Desde que fumei o último cigarro no final de 2009 nunca havia posto outro na boca, nem de brincadeira. Mas já que uma força maior parece me conduzir, talvez eu possa fazer isso sem culpa, com ajuda da tecnologia. Afinal de contas, estamos ou não no futuro? Calma, eu explico.

Estava eu de bobeira no Deal Extreme, entediado procurando algo legalzinho e barato pra tentar a sorte na alfândega, quando inesperadamente topei com isso:

Levei um belo susto! A primeira vez em que botei os olhos nesses cigarros elétricos eletrônicos, anos atrás, eu gargalhei enquanto soltava uma baforada do bom e velho Marlboro. Essas coisas eram caras e bizarras. Mas agora que o futuro chegou, eles são baratos, dude! Daí eu pensei: por que não?

Senhoras e senhores, o cigarro eletrônico

Fato é que enquanto eu me acabava no alcatrão dos cigarros tradicionais, todo um universo de cigarros eletrônicos e métodos modernos de fumar se desenvolveu. Existem n modelos de n fabricantes, venda permitida em boa parte dos EUA e Europa, fóruns de entusiastas, gente famosa usando. É a nova coqueluche! Até mesmo Charlie Sheen na sua malandragem está ganhando uma graninha com seu NicoSheen!

A Wikipédia tem um verbete bem completo sobre o cigarro eletrônico. Se você quiser saber mais e como funciona, leia isso aqui. Ele foi patenteado em 1965 por Herbert A. Gilbert, mas somente em 2003, ao ser novamente inventado, dessa vez por um chinês de nome Hon Lik é que finalmente a tecnologia tornou o invento viável e a ideia saiu do papel.

Infelizmente (ou felizmente, se você for um grande fabricante ou exportador de tabaco e cigarros), a ANVISA proibiu indefinidamente a comercialização desse tipo de produto no país com a publicação da Resolução número 46, de 28/08/2009, de modo que só dá pra comprar via Internet, quebrando as leis e sendo feio e bobo. Quer dizer, manter autorização para que a venda de drogas que comprovadamente matam está tudo bem, mas vender algo que possa substituir essas e talvez faça mal… nem pensar! É isso mesmo, Arnaldo?

Simulacro e simulação

A verdade é uma só: o que temos aqui é um aparelhinho barato e que bate de frente com o cigarro normal ao simulá-lo perfeitamente, só que sem toda a parte desagradável e prejudicial a saúde, além de ser capaz de criar vapor com nicotina, que é o que interessa para todos que fumam. Como nenhuma indústria de tabaco quer ver seus clientes migrando de mercado, vivemos num período de luta contra a aceitação e legalização desse invento incrível. Claro que nem tudo são flores, existem controvérsias sérias.

Caso você tenha ficado interessado e queira saber mais, aconselho esse fórum.

Só sei que, se tudo der certo e a encomenda não enroscar na fronteira, em breve estarei aqui passando vergonha fumando um cigarro falso. E é claro que farei um review 😉

Um ano redondo

pldhNo dia 30 de novembro de 2009, uma segunda-feira, exatamente as 12:45h, horário de Brasília, Roberto Strabelli jogou nas ruas sujas de Pirassununga sua última bituca de cigarro. Era um Free light.

O sol brilhava, os pássaros cantavam e Roberto sorria, na certeza de que o novo ano que se aproximava traria toda a dor e sofrimento que só a abstinência de 13 anos de vício poderiam proporcionar.

Hoje, exatamente um ano depois, Robertão está alegre e satisfeito mesmo ainda sofrendo intermitentes surtos de desespero e fissura galopante.

O blog supercaras, na pessoa do seu mais importante colaborador, conseguiu uma curta e exclusiva entrevista com o artista num dos seus intervalos de inconsciência, onde ele falou um pouco sobre como tem passado:

Olá Roberto, obrigado por nos conceder essa entrevista. Primeiramente gostaria de perguntar por que você parou de fumar e como se sente hoje em comparação a um ano atrás.

Olá Max, sempre fico feliz em conversar com você. Posso afirmar sem titubear que você teve um papel importante na minha decisão de para de fumar. Acho que muita gente não sabe e aproveito essa entrevista pra informar aos meus fãs que o Max aqui é o meu dentista. Foi ele que disse na minha cara que se eu não parasse de fumar ficaria com a boca toda podre em pouco tempo. Inclusive me mostrou algumas fotos coloridas e horrorosas pra apoiar seus argumentos. Foi bem convincente, seu viado.

É o meu trabalho, você sabe.

Sei, botar terror nas pessoas. Bom, enfim, a partir desse dia eu comecei a pensar em parar de fumar, de novo.

Essa é a terceira vez, né?

Sim, na primeira vez fiquei seis meses sem fumar. Isso foi em 2000, acho. Depois tentei de novo em 2003 e fiquei um ano longe do cigarro.

Então quer dizer que há chances de você cair na asneira de voltar a fumar?

O organismo se adapta e a dependência da nicotina some com o tempo, mas toda a parte psicológica da coisa demora pra desaparecer, se é que desaparece. O vício do tabaco é foda, cara.

Ou talvez você é que seja fraco demais.

Pode ser, vou perguntar isso pro meu novo dentista.

Calma, estamos apenas conversando. Mas me diga, você se sente mais saudável, o que mudou na sua vida?

O cigarro detona a saúde até nos mínimos detalhes como o viço da pele. Me sinto fisicamente mil vezes melhor, apesar de ter engordado um pouco.

Dez quilos não me parece pouco.

É, vou falar sobre isso com meu novo dentista também.

E como está sua vida social e amorosa?

Bom, continuo sendo o mesmo anacoreta, mas agora não tenho receio de estar fedendo ou com bafo de cinzeiro. Fico mais a vontade de me aproximar das garotas.

Só das garotas?

E da sua mãe e da sua irmã.

Calma, estou brincando, porra! Dá pra ver que o seu bom humor queimou junto com seu último cigarro. Tudo bem, diga o que quiser, seu maluco, você sabe que eu vou cortar isso tudo depois, né?

Não vai não. Eu que faço a revisão dos seus posts, esqueceu? E esse gravador aí é meu, eu que vou ter que transcrever essa merda.

Tá certo, então vamos terminar logo com isso. Pra terminar, me diga em poucas palavras o quanto valeu a pena ter abandonado o vício.

É difícil mensurar o quão vale a pena porque é pouco tempo. Um ano é pouco em se tratando de se livrar de um vício tão forte. Mas posso dizer que tomei uma decisão que afeta muito o meu futuro, uma das poucas decisões das quais nunca me arrependerei.

Ok, obrigado pela entrevista. Você vai ter que pagar pela consulta, sabe disso, né?

Só se você fizer pelo menos uma limpezinha, doutor.