O tamanho das coisas todas

Protágoras disse que “o homem é a medida de todas as coisas; daquelas que são, enquanto são; e daquelas que não são, enquanto não são”, a máxima do relativismo. Mas o quanto podemos medir usando o homem como régua? Cada homem é a sua própria régua?

Enquanto os gregos seguiam elucubrando idéias sobre o que é real ou não, moral ou não, a ciência seguiu medindo o mundo e tentando enxergar cada vez mais longe.

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escala

 

Vi no HypeScience

Seu pequeno lago de luz tremula

Com frequência, a desgraça humana evitável é causada menos pela estupidez do que pela ignorância, sobretudo pela nossa ignorância sobre nós mesmos. Minha preocupação é que, especialmente com a proximidade do fim do milênio, a pseudociência e a superstição parecerão mais sedutoras a cada novo ano, o canto de sereia do irracional mais sonoro e atraente. Onde o escutamos antes? Sempre que nossos preconceitos étnicos ou nacionais são despertados, nos tempos de escassez, em meio a desafios à auto-estima ou à coragem nacional, quando sofremos com nosso diminuto lugar e finalidade no Cosmos, ou quando o fanatismo ferve ao nosso redor – então, hábitos de pensamento conhecidos de eras passadas procuram se apoderar dos controles.

A chama da vela escorre. Seu pequeno lago de luz tremula. A escuridão se avoluma. Os demônios começam a se agitar.

(Carl Sagan – O mundo assombrado pelos demônios, 1995)

Isso é que é banda larga!

Para o bem ou para o mal, participei de dois dias da conferência em Cambridge, proferindo uma palestra e tomando parte na discussão em várias outras. Desafiei os teólogos a responder ao problema de que um Deus capaz de projetar um universo, ou qualquer outra coisa, teria de ser complexo e estatisticamente improvável. A resposta mais contundente que ouvi foi que eu estava forçando brutalmente uma epistemologia científica goela abaixo de uma teologia relutante. Os teólogos sempre definiram Deus como algo simples. Quem era eu, um cientista, para dizer aos teólogos que o Deus deles tinha de ser complexo? Argumentos científicos, como os que eu estava acostumado a empregar em minha área, eram inadequados, já que os teólogos sempre sustentaram que Deus está fora do âmbito da ciência.

(…)

Os teólogos de meu encontro em Cambridge estavam se autodefinindo numa Zona de Segurança epistemológica onde ficavam imunes aos argumentos racionais, porque haviam decretado que assim era. Quem era eu para dizer que o argumento racional era o único tipo admissível de argumento? Existem outros meios de conhecimento além do científico, e é um desses outros meios de conhecimento que precisa ser empregado para conhecer a Deus.

O mais importante entre esses outros meios de conhecimento revelou-se a experiência pessoal e subjetiva de Deus. Vários debatedores em Cambridge alegaram que Deus havia falado com eles, dentro da cabeça deles, de modo tão real e tão pessoal como qualquer outro ser humano teria falado. Já tratei da ilusão e da alucinação no capítulo 3 (“O argumento da experiência pessoal”), mas na conferência de Cambridge acrescentei mais dois pontos.

Em primeiro lugar, se Deus realmente se comunicasse com seres humanos, esse fato não estaria, de jeito nenhum, fora do âmbito da ciência. Deus aparece vindo de onde quer que fiquem seus domínios sobrenaturais e aterrissa no nosso mundo, onde suas mensagens podem ser interceptadas por cérebros humanos — e esse fenômeno não tem nada a ver com a ciência? Em segundo lugar, um Deus que é capaz de enviar sinais inteligíveis a milhões de pessoas simultaneamente, e de receber mensagens de todas elas simultaneamente, não pode ser, de jeito nenhum, simples. Isso é que é banda larga! Deus pode não ter um cérebro feito de neurônios, ou uma CPU feita de silício, mas se possui os poderes que lhe são atribuídos deve ter alguma coisa de construção bem mais elaborada — e nada aleatória — que o maior cérebro ou o maior computador que conhecemos.

(trecho do livro “Deus, um delírio” de Richard Dawkins)

 

A liberdade é verde e o céu é azul

beagle puppy

“Liberdade é liberdade, não é igualdade, ou equidade, ou justiça, ou cultura, ou felicidade humana, ou uma consciência tranquila.” — Isaiah Berlin

Difícil encontrar quem não goste de cães. O comum é ter medo de algumas raças, como Pitbull e Rottweiler, mas não gostar é coisa bem rara. Cães são animais sociais e tem suas vidas pautadas pelo relacionamento com os humanos. São o símbolo máximo de fidelidade e companheirismo. É talvez a parceria de maior sucesso entre homem e animal.

Hoje temos um fenômeno social muito comum que é tratar de cães como se fossem filhos. Inclusive os produtos e serviços para animais de companhia estão no auge. Eu fiquei perplexo recentemente ao descobrir que existe até refrigerante pra cachorro.

Por outro lado…

Essa semana, recebi o link de um vídeo mostrando a primeira vez que alguns cães da raça beagle sairam das gaiolas ondem viviam e tomaram contato com o nosso maravilhoso mundo. Eles foram libertados após a falência do laboratório de pesquisas onde eram cobaias.

Nunca viram a luz do sol e nunca pisaram a grama desde que nasceram.

Segundo a Wikipedia, Beagles são cães inteligentes, de boa compleição, têm bom temperamento e todas as demais características que o fazem uma ótima opção como mascote e também a raça canina perfeita para testes laboratoriais.

Eis o fato: Beagles são populares entre laboratórios de pesquisa por serem dóceis, amigáveis, baratos de se manter, adaptarem-se bem a vida em gaiolas e perdoarem com facilidade.

O vídeo é bonito e viralizou. Toda a ação foi gravada e realizada pelos membros da Beagle Freedom Project, uma ONG estadunidense dedicada especificamente a dar apoio a cães dessa raça que, por algum motivo, recebem carta de au-au-forria (não pude evitar, perdoe) de laboratórios onde estão confinados.

Essa não é uma daquelas ONGs de desocupados que, na falta de louça pra lavar, resolvem sair por aí barbarizando pobres empresas e laboratórios inocentes. Ela faz sua parte ajudando esses cães a terem uma vida melhor daí pra frente, tudo de maneira legal e ordeira, como todos gostamos.

São cães que não aprenderam a ser cães. Mal sabem andar, desconfiam da grama que nunca pisaram. Talvez nunca superem as sequelas da vida que levavam.

Veja o vídeo aqui:

Difícil não ficar tocado ao assistir isso. Ver um ser vivo feito para correr tendo contado com o mundo pela primeira vez depois de anos é impressionante.

Mais impressionante ainda é saber que esses animais tão meigos eram (e tantos ainda são) usados como cobaias para testes de produtos alimentícios, cosméticos, de higiene, limpeza etc.

Mesmo deixando de lado o fato de serem prisioneiros sem culpa, de viverem vidas podadas e miseráveis, os testes realizados podem ser bem cruéis. A ciência avança, mas a que preço?

Tanto pessoas fora do meio acadêmico quanto cientistas, principalmente em se tratando da vivisecção mas não só, estão divididos em três grupos, dois grandes e um bem pequeno: os que validam o uso, os que defendem uma racionalização do uso (redução, refinamento e eventual substituição) e os que lutam pela abolição imediata e irrestrita.

Em que grupo você está?

A grande maioria das pessoas não pára pra pensar nisso. Essa falta de esclarecimento e ignorância principalmente sobre o que é consumo consciente acabam financiando essa merda todo esse sistema.

Um sistema bizarro em que você compra para seu cão produtos que foram testados cruelmente em outros cães. Parece que caímos naquela: todos os beagles são iguais mas alguns são mais iguais que outros.

Se você nunca pensou nisso e quiser ver o outro lado, assista o vídeo abaixo. Ou não assista. A escolha é sua, sabendo ou não o que está em jogo. Não querer saber é também um direito, afinal somos livres, não é?

http://www.youtube.com/watch?v=88kMJXphN0k

Para algo mais completo, assista o documentário: “Não matarás – Os animais e os homens nos bastidores da ciência”.