Distorcido na TV

Chato é aquele cara que ainda reclama enquando todo mundo já não tá mais nem aí.

Quando cheguei em casa um dia e encontrei uma TV novinha, dessas genéricas de 32”, já instalada e funcionando na sala, algo começou a me incomodar.

Demorei ali uns cinco minutos até descobrir a causa e encontrar a ervilha embaixo do colchão. Era a imagem, a imagem estava esticada na horizontal.

As gostosas coxudas eram gostosas coxudas de Itu e todos os apresentadores e cantores, até os conhecidamente franzinos, tinham ombros largos. Todos os gordos eram Jô Soares e Jô Soares era o Godzilla.

Televisão me faz parecer gordo, já ouviu essa? É antiga, é do tempo em que as TVs eram de tubo e tinham uma tela que era praticamente uma bola de vidro. A imagem era inflada, dando a impressão de maior largura dependendo do angulo de visão.

Mas espera aí, isso ainda acontece? Em pleno 2011, TVs de tela plana de dezenas de polegadas e ainda temos essa sensação? WTF!?

tv

Simples, as TVs atuais são widescreen, ou seja, tem uma proporção de tela diferente da que ainda é transmitida pela maioria dos canais, a boa e velha 4:3.

Meu amigo, nem o áudio estéreo se tornou comum e o som das TVs ainda é péssimo, que dirá uma proporção de tela maior. TV digital? Aqui no interior é TV a lenha!

E o engraçado é que, ao voltar a proporção normal e deixar a tevezona com duas faixas pretas laterais, todo mundo chiou. Mas gente, não tão vendo que assim é bem melhor? Mais real, mais natural? Não comprei uma TV grande pra ficar vendo essa imagem pequenininha, foi a resposta.

Devo mesmo ser muito chato, porque essa imagem esticada me tortura os olhos. É similar a ouvir uma música acelerada ou lenta demais. Que diabos, sou um chato fresco, então?

O jeito é sentar praticamente ao lado da TV e corrigir a distorção pelo ângulo, já que faço tanta questão assim de manter meu ponto de vista. Hahaha, pegou? manter meu ponto de vista, hahaha.

Anúncios

Nada vai mudar meu mundo

A não ser que eu queira.

Sou um cara muito chato, quem me conhece é quem diz. As causas da minha chatice variam, também de acordo com o que reportam sobre mim: falta de mulher, falta de surra, falta de dar o cu. Todo mundo tem uma solução sobre o “problema roberto”.

De fato vejo que sou bem chato mesmo, e a culpa é somente minha, nada que fatores externos vão mudar, mesmo porque a mudança deve ocorrer de dentro pra fora. Então isso exclui eu ter que sair dando o cu. Vá dar o cu você.

A vida é uma viagem de autoconhecimento. Eu acredito que devamos todos tentar melhorar, mas isso é um trabalho unicamente interno. Mude seu coração e mudarás o mundo, pelo menos ao seu redor. Eu realmente acredito nisso, e acredito principalmente no exemplo. Dar exemplo é ensinar com eficácia.

Não fale-me sobre como as coisas devem ser, seja um exemplo para mim. Por minha parte, não tentarei te forçar a nada. Se você tiver que aprender alguma coisa comigo será através do meu modo de ser.

Acredito que mudei muitíssimo nos últimos anos. Para você vislumbrar isso numa perspectiva concreta, posso sintetizar essa mudança em três coisas: parei de seguir velhos sonhos, parei de fumar, me tornei vegano.

Mas calma, wait for the cream. Não é tão trivial quanto parece. São mudanças de hábito aparentemente simples, mas cada uma delas demorou e levou o tempo necessário de germinação, nascimento e amadurecimento e estão profundamente enraizadas no que acredito e no modo como vejo o mundo atualmente.

São mudanças tão fortes para mim que quando olho para o meu passado vejo que fui cego e que agora estou no caminho certo. Percebo que vivi até então com os olhos vendados e hoje finalmente entendo uma pequena parte do mundo ao meu redor. Uma pequena parte.

Já ouvi gente dizendo que as pessoas não mudam, apenas aprendem a se policiar. Não é verdade, quem quer mudar, sente que precisa mudar e muda. Essa noção de que apenas aprendemos a nos policiar parece coisa de sociopata. Com certeza deve ter muita gente que apenas finge ser gente. Não é o meu caso. É o seu?

Só posso falar de mim.

Tenho muito que melhorar ainda. Tenho defeitos graves, sei disso mais do que qualquer pessoa. Mas não parei, estou caminhando, porque é caminhando que se chega as encruzilhadas, e é nas encruzilhadas que tomamos decisões.

O caminho longo nos dá o tempo necessário para escolher bem quando chegar o momento. As vezes ficamos com algo vindo e voltando na nossa cabeça, sem conseguirmos uma solução. Volta e meia damos de cara com o mesmo problema, deixa-mo-lo de lado por algum tempo mais, e ele volta. E finalmente a solução se configura certeira porque finalmente estamos prontos para ela.

Certa vez eu estava assistindo pela milionésima vez o clipe de Fiona Apple da sua versão da música “Across the universe” dos Beatles. Joguei um “Nothing’s gonna change my world” no Twitter e uma amiga retrucou: a não ser que você queira.

Sim, é verdade. Se eu quiser, meu mundo pode vir a ser diferente.

E é isso.

Pra você que leu esse texto todo até aqui e achou que não valeu a pena o tempo da leitura, na tentativa de ser-lhe útil de alguma forma, deixo ao menos essa curiosidade interessante e uma bela canção:

Across the universe é uma das mais lindas canções dos Beatles e foi feita em 1968. Tudo indica que foi composta unicamente por John Lennon, apesar de levar o selo Lennon/McCartney.

Lennon a gravou e regravou diversas vezes sem nunca chegar a um resultado que o satisfizesse. A música acabou saindo no álbum Let it be, de 1970, unicamente porque Lennon insistia em tocá-la durante os ensaios e gravações do filme homônimo ao disco. Aparentemente ele nunca desistiu dela, ou ela nunca desistiu dele.

Num evento muito peculiar levado a cabo pela NASA para celebrar seu aniversário e o do Deep Space Network (rede internacional de antenas usada para comunicação com naves e bases espaciais), aproveitando o aniversário de 40 anos da canção, no dia 4 de fevereiro de 2008, usando uma antena de setenta metros de altura localizada na Espanha, a NASA transmitiu “Across the universe” em direção a Estrela Polar, distante 431 anos-luz da Terra.

“Across the universe” é uma música muito louca, com uma letra muito louca e que ainda hoje deixa inquietos os espíritos dos que a ouvem.

Fontes: Wikipedia.

A regra de ouro da boa escrita

Sempre tive facilidade em escrever porque sempre gostei de fazer isso. Também é possível que seja o contrário.

Além de querer divulgar as músicas da banda supercaras, uma das razões de ter criado este blog foi justamente treinar minha redação. Enquanto eu preparava o ebook com os melhores textos de 2010 percebi alguma evolução no meu estilo. Um ano escrevendo regularmente me ajudou a melhorar a organização das ideias e diminuiu um pouco a tendência que eu tenho em rebuscar meu texto. Estou tentando escrever sempre de maneira simples, direta e com precisão. Me parece ser um bom objetivo a se perseguir.

Mas continuo escrevendo mal. A escrita é um espelho do pensamento e, se penso mal, escrevo mal, não? Além disso, sou péssimo em língua portuguesa. Não sei regras de gramática, ortografia. Escrevo intuitivamente, baseado na experiência de quem lê bastante e só isso. Quando algo me soa errado, não evoco na memória as regras, evoco as imagens do que me soa familiar ou estranho.

Ainda me obrigo a revisar um post milhões de vezes antes de publicar porque insisto em repetir muito as palavras e criar frases desnecessárias e sem sentido nenhum. Também vivo indeciso com o uso da vírgula.

SUA MAJESTADE, A VÍRGULA

Eu nunca sei onde vai vírgula e onde não vai (Cardoso também não, mas nunca vai admitir). Você também não deve saber, quer ver? Faça um teste e responda onde falta a vírgula ou vírgulas nessas duas frases:

  • José Maria minha namorada chegou?
  • Se os homens soubessem o valor que têm as mulheres cairiam de joelhos em adoração.

Pois é, a vírgula faz toda a diferença e dominar seu uso corretamente é muito mais que conhecer as regras formais.

REBUSCAMENTOS E SUBTERFÚGIOS

Durante muito tempo eu me vi como um idiota por precisar ler três, quatro, cinco vezes o mesmo parágrafo para entender o que aquele autor fodidão queria dizer. Hoje eu sei que, na maioria dos casos, um texto rebuscado não é um texto minucioso, é só um texto confuso, de uma época onde pomposidade era regra. Graças a Deus vivemos outros tempos.

SIMPLIFICAÇÃO

Dickens

Simplicidade não é sinônimo de pobreza, e poder de síntese é uma arte de poucos. Para chegar a uma boa escrita e tentar alcançar a comunicação perfeita é importante ser claro e eliminar tudo que gere ruído. Um bom texto não tem palavras sobrando, cada uma delas tem seu papel e seu lugar e isso é definido também pelo equilíbrio sutil que as vírgulas e pontos dão a elas.

Eu percebo que há uma tendência de simplificação da escrita ao longo do tempo. Pegue qualquer livro mais antigão e numa folheada você encontra bilhões de vírgulas em trechos pequenos, além de orações e parágrafos longuíssimos. Hoje é comum o uso de orações e frases curtas, com poucas vírgulas, e mesmo assim nos enrolamos na hora de interpretar um texto e nos fazer entender através dele. Por quê?

O objetivo de qualquer texto é transmitir uma ideia, contar uma história, fazer o outro entender algo, ensinar. A regra de ouro da boa escrita é não perder isso de vista.

Escrever de maneira simples e clara é um bom caminho para evitar ser mal interpretado mas corre-se o risco de limitar a amplitude daquilo que se quer transmitir. Simplificar demais até pode empobrecer e deixar o texto muito sem graça, isso depende de como é feito. Quem tem boa capacidade de variar o nível de complexidade do seu texto deve adaptá-lo a média do seu público de leitores. Claro que não se deve nivelar por baixo, mas pelo meio. A virtude está no meio.

Entretanto, não se pode olvidar a triste realidade: independente de um texto ser bem ou mal escrito, simples ou sofisticado, sempre haverá quem entenda pau por pedra, alhos por bugalhos. E por isso sempre haverá escritores frustrados por não terem sido compreendidos.

E a culpa pode e deve ser repartida entre ambos, escritores e leitores.