Estou lendo

um livro chamado “Apocalipse motorizado”, que caiu na minha mesa vindo não sei de onde. É uma coletânea de ensaios de vários autores e está recheado de textos politizados de esquerda, aquele papo de burguesia, capitalismo, classe social, essas coisas, mas sendo que o tema gira em torno de motivos para se destruir todos os malditos carros e transformar a bicicleta na salvação da humanidade, o conteúdo é bem interessante.

 

Abaixo, transcrevo um trecho significativo. Leia e concorde conosco.

 

Suspender os transportes abriria um caminho para sua alforria. Não mais limitado pela racionalidade do tráfego, da repetição diária, do tempo, da economia e, sobretudo, da segurança. Não mais através da devastação sem vida, do horroroso vazio, todas as viagens poderiam tornar-se prazerosas, mesmo que triviais. Toda locomoção poderia ser um passeio.

Enquanto escrevia este texto, as macieiras silvestres do lado de fora de minha janela foram cortadas pela administração pública porque os motoristas achavam um incômodo encontrar frutas derrubadas pelo vento em seus capôs. É surpreendente que você gaste tanto tempo limpando e polindo máquinas que tornam todo o resto ao alcance de sua vista uma imundice fedida. Macieiras silvestres não são um incômodo. Os carros são um incômodo. Sem carros poderíamos ter árvores em toda parte: limeiras, cajueiros, amieiros, uma fila de álamos-pretos em vez da Radial Leste, grandes carvalhos em vez do Minhocão. De onde você acha que vem o oxigênio afinal? Da merda do escapamento do seu carro?

 

Minha bicicleta de pedreiro II

Seguindo a tradição de criar continuações de posts do meu antigo blog, aqui vai mais este que é baseado nesse.

Meus pés chatos andavam sofrendo muito nas minhas poucas mas longas caminhadas. Resolvi que estava na hora de voltar a andar de bike. Dessa vez fui atrás de uma que fosse o mais leve possível e que pudesse ser erguida e passada por cima do balcão do sebo, sem muito sofrimento.

Numa tradição muito própria de minha pessoa, fiz um mau negócio comprando uma Alfameq na Submarino. Uma bike cara e com peças de baixa qualidade. Pra você ter uma ideia: não consegui encher os pneus porque os bicos não paravam pra fora de tão grosseiras que eram as câmaras de ar. Pra poder finalmente dar minhas pedaladas precisei pagar uma revisão e montagem, incluindo a troca das câmaras.

Bicicleta que eu comprei
Bicicleta que eu recebi

E mesmo com tanta cabeçada eu não aprendo.

Me consolo no fato de que vou usar pouco essa magrela. Talvez eu invista e troque algumas peças mais pra frente. O selim, como previsto pelo bicicleteiro que fez a revisão, já está me matando. Isso porque na descrição o nome do selim é “Confort”.

Juro que esperava um pouco mais da Submarino. A loja caiu bastante no meu conceito e vou pensar duas vezes antes de comprar alguma coisa lá outra vez. Além da qualidade sofrível, a bike veio sem suporte de garrafa. O suporte aparece na foto, não na descrição. Imaginei que fizesse parte do produto.

Não sou de ficar miguelando mixaria, mas como fiquei desapontado, resolvi mandar um e-mail perguntando e cobrando pelo tal suporte. Depois de 3 emails, recebi uma resposta lacônica contendo um ctrl-c ctrl-v da descrição do produto no site. Não é lindo receber uma catarrada virtual na cara?

Então, fica aqui uma dica: evite comprar pela Internet qualquer produto sem ter total certeza de como ele realmente é.

Minha bicicleta de pedreiro

Se você procura um veículo que alie conforto e economia mas não abre mão do desempenho, eis a escolha mais sensata da categoria: Bicicleta Bremem Barra Dupla. Barata (250 se você procurar nas pequenas bicicletarias e souber pechinchar), resistente e estilosa. Essa é pau pra toda obra! Aliás, é a número um na preferência dos pedreiros, já que a original anda muito cara.

Quando decidi comprar uma bike nova (a que eu tinha estava ruim pra valer), pesquisei um pouco e descobri que esse era o melhor modelo para minha realidade.

Ela tem banco com molas pra não judiar das nádegas, paralamas para os dias chuvosos e bagageiro pra levar alguma tralha ou dar carona pra alguma garota bonita com flor no cabelo. É possível também prender uma caixa de madeira no bagageiro e, consequentemente, depois do trabalho, vir parando nos botequins pra tomar uma pinginha. Não tem marchas (não faz falta, sabia?) e o freio é do tipo sueco, que requer alguma força na hora de parar na esquina, mas isso não é problema se você vive de amontoar tijolos e bater massa de laje, e não tenha bebido demais.

Enfim, uma ótima escolha pra você que optou ou não por levar uma vida de pobre.

A evolução do homem

Seca sovaco

Quando um amigo viu a bicicleta barra-forte que adquiri recentemente (na verdade, uma “barra-forte” genérica), tive que ouvir isso: “quando a gente pensa que o cara tá evoluíndo, aparece com uma dessas…”

Poxa, eu já tive carro, depois passei para o mundo das motocicletas e agora, seguindo a tendência de simplificar minha vida e tentar poluir menos, EVOLUI e aceitei que o melhor meio de transporte individual é a bicicleta. Quem tem argumentos contra isso?

Minha cidade é pequena, o caminho para o meu trabalho é bem plano, apesar de ser longo. Foi a melhor decisão que tomei nos últimos tempos. Manter um carro ou moto é um luxo e status que não me preocupa mais.

Andar de bicicleta é ótimo pra manter a forma, é um veículo barato e de manutenção mínima, além de ser ágil e seguro desde que se pedale com bom senso.

Carro de novo, só quando tiver filhos pra levar pra escola. Moto, sempre gostei e fui fascinado por elas, mas por enquanto não posso ter o modelo dos meus sonhos (não é a da foto!), então estou feliz com minha bicicleta de pedreiro.