Brincando de ser artista

Sempre fui metido a artista, sabe? Cantar, tocar, escrever… e tem mais!

Mesmo sendo desenhar a cara do Pato Donald o ápice da minha técnica, também gosto de pintar.

A propósito disso, devo ter gasto já uma boa grana comprando apps para o iPad. A maioria quando em promoção, mesmo que nem seja algo que eu precise, simplesmente pela oportunidade de ter apps de qualidade que podem ser úteis no futuro.

E foi nesse grupo de apps instalados e jogados num canto escuro coberto de teias de aranha que, alguns dias atrás, reparei num entitulado Procreate.

O Procreate é um poderoso aplicativo de desenho (assim como o SketchBook) que tem uma interface extremamente intuitiva e fácil de usar. Artistas de verdade fazem coisas fantásticas com ele (um exemplo).

Bem, confesso que tenho feito algumas artes, uns desenhos bizarros que ando upando no Flickr.

Criatividade é algo que todo mundo tem, sendo artista ou não. Acredito que é bom a gente por pra fora senão sobe pra cabeça e vai nos deixando loucos.

Sim ou não?

 

A coisa mais doente que eu vi esse ano até agora

Recebi essas fotos por email (sim, ainda existe isso). Ri muito antes de me dar conta de que é uma das coisas mais nojentas e bizarras que eu já vi!

O conteúdo do email é esse:

IDEIA PARA OS QUE NÃO TÊM NADA QUE FAZER – O QUE FAZER COM AS MOSCAS MORTAS?

1º Mata umas moscas, com cuidado. (Durante as horas de serviço ou quando tiver de bobeira)

2º Deixa-as secar ao sol 1 hora.

3º Pega as moscas, um lápis e papel… e  deixa fluir  a sua imaginação! (Enquanto não tem nada para fazer)

ESTE CORREIO FOI-ME ENVIADO POR UM FUNCIONÁRIO PÚBLICO…DA SECRETÁRIA DA SAÚDE… E AI…VC TÁ COM TEMPO???


Na verdade essas fotos rodam a rede desde 2009 e eu, como sou um atrasado, ainda não tinha visto.

Mais fotos aqui. Segundo essa matéria, são criadas por um artista (?) sueco chamado Flychelangelo.

Gostou? Dá pra fazer em casa. Vire você também um artista nojento brincando com moscas mortas!

Quatro ótimas razões para você virar um blogueiro

1 – Prazer de criar

Se você sente prazer em alinhavar palavras como eu, escrever regularmente num blog pode ser muito recompensador. Você terá a oportunidade de praticar e aperfeiçoar sua escrita. Se, por outro lado, seu lance é desenhar ou mesmo fazer vídeos ou fotografia, também o formato blog pode ser um caminho para expressão da sua arte. Enfim, blog é um veículo versátil que pode ser usado em qualquer tipo de produção intelectual.

2 – Aparecer

Se você se encaixa no que eu disse acima, então obviamente você gostaria de ser visto, lido ou ouvido. O formato blog é uma opção simples e eficiente de deixar sua marca, chamar atenção e agregar valor ao seu trabalho. Seu público será o mundo inteiro! O que você acha disso?

3 – Agregar pessoas

Bom, sobre esse fator não posso dizer muito porque sou tão isolado virtualmente quanto no mundo real, mas esse sou eu 😦 Entretanto, é notório que um blog funciona como um ponto de encontro. É muito comum que se crie um circulo de contatos a partir de um blog. Se você procura na Internet gente que pensa como você, seja lá para o que for, esse é um excelente caminho.

4 – Ganhar dinheiro

Tudo que eu disse se aplica a quem não tem pretensões de ganhar dinheiro, mas se o caso é justamente investir num negócio que pode trazer retorno financeiro, saiba que já existem blogueiros brasileiros que vivem exclusivamente de blogar, provando que esse meio é um campo próspero e está em franca expansão. Saiba que a porcentagem de brasileiros que acessam a Internet ainda é muito pequena e a tendência é um crescimento forte a curto e médio prazo.

CONCLUINDO: vou deixar aqui alguns textos que encontrei na rede e também falam sobre isso, mas de pontos de vista diferentes. Isso que é legal na blogosfera!

E mais esse post que eu fiz sobre como começar com o pé direito: Todo mundo pode ser blogueiro, inclusive você!

Bem vindo a blogosfera e boa sorte!

Pauta sugerida pelo brô @ChicoRomeiro

A arte de encadernar livros

Método tradicional, completo e ilustrado*

Não deixe de ler o post anterior: Como imprimir livros.

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Noções gerais

Antes de se começar a dizer como se encadernam os livros, é indispensável conhecer os nomes das diversas partes em que este se compõe.

Um livro é formado por cadernos, designando-se assim as suas folhas dobradas; o lado onde estas estão dobradas denomina-se festo.

Em cada página há a mancha do texto, ou seja a parte impressa, e as margens, isto é, os espaços em branco, dos dois lados, em cima e em baixo.

A parte superior chama-se cabeça, e a inferior, ; o lado esquerdo do livro, onde os festos dos cadernos estão reunidos, tem o nome de lombo ou lombada; o lado direito goleira ou caneleira se tem a forma côncava e, se não está aparado, frente.

Denomina-se folha de rosto a primeira página, na qual só está escrito o título da obra; na página 2, nada há impresso; na página 3 o rosto ou frontispício, com o título e o nome do autor, tendo duas partes, uma denominada lado de cima ou frente, onde está impresso, e outra em branco, o seu reverso, denominada lado de baixo ou costas.

O que ficou escrito é a nomenclatura geral do livro, que toda a gente mais ou menos conhece.

A nomenclatura técnica do encadernador é a seguinte:

Chama-se serrotagens aos sulcos abertos no lombo, sendo os das extremidades, serrotagens de remate.

Chama-se guardas brancas às duas folhas de papel branco, dobradas ao meio, que se põem no começo e no fim do livro. Estas folhas ficam com uma das partes soltas, cobrindo o princípio e o fim do livro, sendo a outra parte colada por uma face a uma folha de papel de cor, dupla, cujo avesso se cola ao interior da capa. Denomina-se guarda a colada à capa e contra-guarda a que fica unida à guarda branca.

Chama-se encaixe a cavidade feita entre o lombo e a frente e aquele e as costas do livro, e nele se alojam os cartões da capa.

Sobre-cabeceado ou requife é um cordão estreito, colorido, que encosta ao corte e remata a cabeça e o pé do lombo.

Pastas são os cartões que protegem os livros, e os seus quatro cantos denominam-se: exteriores, os do livro propriamente dito, e interiores, os que ficam junto do lombo.

A distância existente entre as folhas do livro e as margens do cartão (que é maior do que aquelas), tem o nome de caixa.

Chama-se cobertura o invólucro exterior dos cartões, e a sua margem voltada para dentro tem a designação do virado; coifa é a margem em que a cobertura vai de um cartão a outro, tapando o requife, nas extremidades do lombo.

As saliências existentes nos lombos denominam-se nervos e podem ser verdadeiros ou falsos; verdadeiros quando são formados pelas costuras e falsos se são feitos depois da costura efetuada.

Em cada folha de papel imprimem-se tantas páginas quantas comportar a sua superfície, de harmonia com o formato do livro; isto é, o número de vezes que a folha deve ser dobrada. Se é ao meio, denomina-se in-fólio; se em quatro partes, in-quarto; se em oito, in-oitavo.

Os formatos oficiais, adotados pela Imprensa Nacional de Lisboa, são os seguintes, sendo os números indicados em milímetros:

Nome Medida em mm
In-fólio nº 2 290×395
In-fólio nº 1 210×310
In-quarto nº 2 195×285
In-quarto nº l 170×275
In-oitavo nº 4 150×230
In-oitavo nº 3 130×215
In-oitavo nº 2 120×195
In-oitavo nº 1 105×155
In-12 95×160
In-16 85×130
In-18 80×120

É fácil reconhecer o formato pelo número impresso em cada folha, no fundo da respectiva primeira página, número que se designa pelo nome de assinatura. Se ele se repete de 8 em 8 páginas, o formato é in-quarto, visto que cada folha tem duas páginas; se a repetição é de 16 em 16 páginas, o formato é in-oitavo e assim sucessivamente.­

É por meio da numeração de cada folha, que se colecionam os cadernos para a formação dos livros, e, logo que se acabam de empilhar os cadernos, conferem-se para ver se estão bem dispostos, se falta algum ou se existem em duplicado.

Como é a dobragem das folhas que determina o formato, este pode ser maior ou menor, segundo o tamanho das folhas impressas, mas a sua denominação é sempre a mesma, só dependendo do número de vezes em que as folhas são dobradas.

À medida que se forem descrevendo as diversas operações que há a executar para encadernar os livros, ir-se-ão definindo os termos técnicos que seja necessário empregar.

Oficina e material do encadernador

A) – OFICINA – As dimensões da oficina estarão de harmonia com a intensidade do trabalho a executar nela. Deve ser bem arejada e iluminada.

O amador poderá utilizar uma sala qualquer que satisfaça as condições acima indicadas.

B) – MÁQUINAS – Sob este título designamos todas as máquinas de que uma oficina deste gênero necessita para a boa execução dos trabalhos de encadernador, tais como: máquinas para prensar e guilhotinar o papel e para cortar os cartões, serviço este que, feito com tesouras, é demorado, trabalhoso e pouco perfeito.

Como prensa, pode empregar-se a denominada universal, um pouco morosa, mas de execução perfeita; as de parafuso sem fim são as que mais fortemente apertam. Em vez dela, pode utilizar-se uma prensa de copiador comercial.

A guilhotina, para o amador, pode ser manual, de braço, com pequenas dimensões e pouco custosa.

A máquina para cortar os cartões, vulgarmente denominada cisalha (corrupção do nome francês cisaille e do italiano cesoia), deve ser forte e, para o amador, poderá ser pequena, própria para colocar-se sobre uma mesa. Deverá poder cortar numa extensão de 0,70m.

É indispensável, ainda, um fogão de petróleo, não de pressão, mas de torcida.

Nas oficinas de profissionais, para facilitar e apressar o trabalho, deverá haver, além do material indicado, máquinas destinadas a coser a fio ou arame, a fazer o encaixe[1], a serrotar[2], a chifrar[3], a acetinar o papel[4], a arredondar os cantos, dobrar as folhas, juntá-las e a empastar[5].

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C) – FERRAMENTAS E UTENSÍLIOS – Englobamos neste título as ferramentas e utensílios como: ágatas, direita e curva, para polir; agulhas para costura do papel, como as usadas para bordar a lã; alicate de pontas largas, chatas e polidas, para aperfeiçoar as saliências sobre o lombo (nervos) ; uma caldeira de cobre, para grude, a banho-maria; um canivete; uma chifra, para adelgaçar as peles; dois compassos, um pequeno e um grande; dobradeiras para o papel, de buxo, de latão e de osso; dois esquadros, um dos quais de madeira, aberto, e outro, de metal, podendo ser de zinco; uma faca de sapateiro, com sua lâmina comprida e bem aguçada; um ferro de engomar; dois furadores, sendo um vulgar e, o outro, para a costura sobre fitas; frascos para tintas; uma grosa; maço de madeira, para assentar as costuras; um martelo; pincéis para massas; grude e tintas; uma pedra litográfica ou de mármore para chifrar as peles; uma placa de ferro para, sobre ela, bater os livros, devendo ser bem lisa e grossa e podendo substituir-se por uma pedra com as mesmas características; quatro placas de zinco, sendo duas delas com 0,50m x 0,01m, revestida numa das faces, com lixa branca n.° 4 e, na outra, com a mesma, mas n.° 2; uma régua de metal e outra graduada; um raspador de madeira, para o lombo dos livros; serrotes, sendo um para abrir os entalhes nos lombos, destinados às cordas e outro para os entalhes das cadeias de remate[6]; tabuleiros de cartão, em quantidade, que se podem fazer grudando bocados de cartão uns aos outros, prensando e cortando nas medidas dos formatos mais vulgares dos livros; vedam-se bem aplicando, nos cortes, goma-laca ou grude; tabuleiros de madeira, de dimensões um pouco maiores do que os formatos dos livros, que devem ser de madeira muito lisa e rija; tachos de barro ou de ferro esmaltado, para fazer as massas; tesouras, um par forte e grande, para cortes no cartão e, a outra, pequena, para a costura e requifes[7]; tigelas ou pequenas selhas de madeira, para a massa; uma ou mais tinas de fotografia, do modelo grande, de ferro esmaltado, louça ou cartão endurecido, para os banhos das folhas; uma tira de folha-de-flandres ou de zinco, com 0,m35x0,m22, destinada a, sobre ela, cortar o papel; diversos vazadores.

Os pincéis, tintas e mais ingredientes de pequeno volume guardar-se-ão num armário. Em prateleiras, dispostas ao longo das paredes, colocar-se-ão os cartões e papéis, agrupados segundo as suas dimensões.

Umas cordas, estendidas de parede a parede, como as usadas para dependurar a roupa a secar, servirão para estender nelas as folhas dos livros lavadas ou nas quais se aplicou goma.

É absolutamente indispensável ter, na oficina, uma mesa grande e estreita, com gavetas, destinadas a acondicionar os utensílios e ferramentas, e com os bordos esquinados em aresta viva.

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D) – MATERIAL DE CONSUMO CORRENTE – Sob este titulo englobaremos o material de consumo corrente propriamente dito, isto é, tudo o que se consome nas encadernações e que, com estas, fica fazendo parte integrante dos livros. Como:

1 – CARTÕES – O cartão mais usado nas encadernações baratas é o cinzento, mas ele é tanto melhor quanto mais claro for; para os trabalhos mais caros, como as encadernações meio amadora, só deverá empregar-se o cartão palha, que é o vulgar amarelado.

Os números a empregar são de harmonia com a consistência que se pretende; quanto mais alto é o seu número, mais consistente é. Para os lombos falsos usa-se o n.° 120 ou o 150.

Deve ter-se em atenção que o cartão barato é ordinário, tornando as superfícies rugosas; é esponjoso e áspero, ocasionando defeitos que é preciso corrigir. Com a certeza de boa qualidade, a sua espessura pode ser menor, dando à encadernação um melhor aspecto e evitando despesas com a correção dos defeitos, sempre derivados do emprego de cartões de má qualidade.

O branco utiliza-se para meter sob as pastas, quando o livro, pronto, se coloca na prensa, e para acetinar o papel.

Os números usados são: para o branco, os 50 ou 60, do denominado marfim, do duplex, ou do couchê; do cinzento claro, os n.° 17 para os formatos grandes; 20 a 25 para o oitavo vulgar e 30 a 40 para os formatos pequenos.

Nas encadernações comerciais, meia percalina e outras baratas, pode o cartão ser o cinzento, nacional.

2 – FIOS – Os fios com que se cosem as folhas podem ser: cordas, fio de linho, fita de Unho e linha especial.

As cordas deverão ser de linho bom. No comércio, vendem-se sob o nome de fio de livreiros, em meadas ou novelos, empregando-se 3, 4 ou 5 ramos, um por cada entalhe, conforme as serrotagens feitas.

A fita de linho destina-se à costura sobre atas, tendo de 8 a 12″” de largura, empregando-se para as obras volumosas; nas menos volumosas, usa-se a fita de nastro, de algodão. Para a costura sobre nervos deve usar-se um fio com poucos cabos, semelhando uma fina corda, que é de cor branca, quando de algodão, e crua, quando e unho.

Fio de linho – A grossura de fio mais usado é a n.° 32. É um fio de linho branco, com grossura uniforme, polido e bem torcido.

A linha especial é um pouco cara, resistente, destinando-se à costura de trabalhos não volumosos, e vende-se em bobinas.

3 – PAPÉIS – Os papéis empregados nas encadernações devem ter todos pelo menos uma face branca, e são os seguintes:

a) – Coquille – 5 quilos, em folhas grandes: 10 quilos, para guardas e quartos; 14, para guardas de luxo.

b) – De fantasia – É destinado a guardas; os seus tons de cores devem harmonizar-se com os dos coiros que forram os livros, dando-lhes um aspecto lindo, quando bem escolhidos.

c) – Gelatitiado – Destina-se a encadernações caras e de luxo, constituindo um bom resguardo por ser transparente e fino.

d) – Para guardas – Serve qualquer espécie de papel, mas a sua escolha deve ser feita ao gosto de cada um, de harmonia com o que se pretende gastar. As suas características devem condizer com as cores e os estilos das capas, o assunto principal da obra, estando indicados, para os livros clássicos, os oxidados e platinados, e para os de aventuras ou assuntos guerreiros, os doirados em relevo, etc.

e) – De seda – O seu único fim é consertar os livros.

f) – Vegetal – Destina-se a proteger as gravuras; deverá ser lustroso, transparente e calandrado.

4 – PELES – As peles mais empregadas nas encadernações são as que se indicam a seguir, por ordem alfabética.

a) – Capicua – Assemelha-se à pelica e é muito macia, portanto fácil de trabalhar; as suas cores são somente o branco e branco esverdeado, rosa pálido e bege.

b) – Camurça – Mancha com facilidade e usa-se para encadernações muito maleáveis, flexíveis.

c) – Carneira – É a pele mais usada, depois de pintada e lustrada, sendo fácil de trabalhar. Contudo, o seu colorido é falso por resistir pouco à ação da luz e o seu polimento perde-se com facilidade. A de primeira escolha é muito cara e destina-se a preparar as capicuas.

d) – Chagrin – Trata-se de peles de cabra, de burro ou de cavalo, devidamente preparadas; devem ser finas para se poderem trabalhar bem.

e) – Coiro da Rússia – Preserva os livros dos insetos nocivos, devido ao cheiro dos materiais usados no seu curtume ou fabrico. É uma pele de luxo, pelo que só se emprega em obras de valor.

f) – Marroquim – Só usada em trabalhos de luxo. As cores mais empregadas são o azul, vermelho claro e escuro, castanho e verde.

g) – Pelica – São peles curtidas de cabrito ou gato; as suas cores são muito resistentes e lindas; não se deve utilizar a doirada por ser de trabalho difícil e muito cara.

h) – Pergaminho – O melhor é o inglês, por ser o mais sólido, ao passo que o francês se rompe com muita facilidade. Forma lindas encadernações.

i) – Vitela – É preciso escolher peles delgadas, pois que, sendo grossas, dificilmente se trabalham. Usam-se, em especial, para gravar nelas caracteres ou gravuras e para imitar as antigas encadernações dos infólios.

j) – Outras peles – Podem empregar-se outras peles como as de porco, serpente, crocodilo, lagarto, foca, assim como as suas imitações, mais baratas mas de pior qualidade, e menos resistentes.

Há, ainda, peles de fantasia que se podem usar para obter efeitos variados, às vezes surpreendentes.

Quanto às cores das peles, as mais resistentes são o castanho e o vermelho. O verde e o roxo tornam-se castanhos com o tempo. A cor natural é a que mais resiste. É preciso ter muito cuidado na aquisição das peles pretas porque tingem desta cor. As manchadas por qualquer motivo e tingidas de preto perdem, por vezes, a cor, de onde resulta tornarem-se facilmente ruças.

PREPARAÇÃO DAS PELES – Compradas as peles, têm de se cortar nelas as peças destinadas a formar as capas dos livros, o que se faz por meio de moldes tirados dos livros a encadernar, assentando estes sobre um papel em que se traceja todo o seu contorno. Colocam-se os moldes sobre a pele, risca-se em volta deles e corta-se economizando o mais possível. Havendo nervos, estes devem ser cortados de modo que fiquem ao longo dos cartões que formam a capa do livro.

Para que as peles não formem saliências, é preciso chifrá-las, isto é, adelgaçar as suas arestas.

A chifra só se maneja bem com uma longa prática; com ela se vão desbastando as peles, a pouco e pouco, cortando-as de dentro para fora, um pouco obliquamente.

É indispensável que a pedra litográfica ou de mármore em que a pele assenta esteja sempre completamente limpa para evitar que se lhe façam cortes.

As arestas mais vivas deixadas pela chifra eliminam-se raspando-as com um vidro, dirigido para um só lado e sempre para a frente; ou com um bocado de lixa grossa.

5 – TECIDOS – As quantidades a empregar em cada encadernação são, em geral, pequenas, pelo que, a não ser nas grandes oficinas ou em trabalhos em série, é mais econômico adquirir retalhos. Os tecidos mais usados são os seguintes:

a) – Chita – Utiliza-se para alguns requifes e com riscas muito finas.

b) – Cretone – Com desenhos leves, para livros de leitura infantil, de apontamentos, etc.

c) – Damasco – Só para livros de valor, de cores apropriadas aos assuntos respectivos.

d) – Estopa – Para volumes de consulta quase permanente, de muito uso.

e) – Flanela – Para livros almofadados e comerciais. A espécie usada é a de dois pêlos, ou duas frentes.

f) – Pano lavado – Usado para reforçar os lombos.

g) – Pano lustroso – Para livros comerciais e cartonados.

h) – Pele do diabo – É um pano encorpado com o qual se forram registros, jornais e revistas, etc. Apesar do ser encorpado, é bastante flexível.

i) – Pele de ovo – É um pano de algodão, muito fino, que se emprega na colocação de gravuras e nas cancelas de reforço.

j) – Percalina – É o tecido mais usado na cobertura de livros, imitando todas as espécies de peles.

1) – Tela – Destina-se a colar nela folhas ou mapas fora do texto e cancelas de mapas.

m) – Cetim – Usa-se para fazer as guardas de trabalhos luxuosos. É próprio, quando de boa qualidade, para nele se fazerem pinturas.

n) – Tarlatana – Emprega-se em reforçar os lombos de volumes de somenos valor e pouco volumosos.

o) – Veludo – Só usado nos trabalhos de grande luxo.

6 – DIVERSOS MATERIAIS – O restante material necessário pouco é.

a) – Requife – Isto é, um pequeno cartão, com duas ou mais cores, às riscas, montado numa fita, que se aplica nos extremos do lombo. É de algodão para os trabalhos baratos e de seda para os de luxo.

Querendo fazer o requife à mão, emprega-se torçal de casear; querendo matizá-lo, compre-se nas cores Julgares de preto, azul, roxo, vermelho, branco, para formar as cabeças.

b) – Fitas para marcação de páginas – Para este fim, deve usar-se um fitilho de cetim ou seda ou fitas estreitas de moirè, seda ou cetim.

c) – Colas – É absolutamente preciso que as colas sejam anti-sépticas para que os anobídcos, bichos que roem os livros, não sejam por eles transportados, nem permitam a sua vida.

Passaremos em revisão as tais colas empregadas habitualmente.

1) – Cola a frio – Vende-se em pacotes nas drogarias e nas casas especializadas em papéis pintados para forrar casas. Prepara-se deitando uma porção do pó em água fria, a pouco e pouco, mexendo sempre para o mesmo lado, deixando repousar por meia hora; como engrossa depois de feita, deita-se mais água e toma a mexer-se. É translúcida, limpa, não mancha e é fortemente adesiva.

2) – Cola de amido – Pode fazer-se com o amido extraído dos cereais, ou com a fécula que se extrai das leguminosas e principalmente da batata. Deita-se o pó na vasilha em que irá ao lume, junta-se-lhe água até se formar uma massa muito espessa; vai-se juntando mais água até que o líquido fique com a consistência do leite grosso; mexe-se sempre e vai-se deitando água com alúmen dissolvido, até que a goma fique translúcida; deita-se mais água até ficar com a espessura desejada. Leva-se ao lume e mexe-se sempre. Junta-se-lhe, depois de retirada do lume, 5% de aguarrás. Emprega-se na reparação das folhas rasgadas.

3) – Gelatina – Demolham-se as folhas, depois de lavadas em água fria; quando estiverem inchadas, escorre-se a água fria e substitui-se por outra a ferver, na qual se dissolveu, previamente, algum alúmen. Os resíduos que houver dissolvem-se a banho-maria e côa-se por um pano para a libertar de impurezas. Usa-se no envernizamento de mapas ou na colagem de folhas que tenham sido banhadas.

4) – Goma de carolo – A farinha do carolo de milho transforma-se em goma muito adesiva, fina e translúcida, pela forma como se indicou para a cola de amido, e pega melhor quando é de preparação recente. Como é muito gelatinosa não se deve empregar muito espessa.

5) – Cola forte – Uma boa cola forte absorve 5 ou 6 vezes o seu peso de água, ao passo que a cai só duas ou três vezes.

Prepara-se partindo com um martelo os paus de grude, metendo os bocados numa vasilha de ferro esmaltado ou de louça e deixando-os de molho umas 12 horas.

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Dissolve-se numa vasilha composta de uma panela exterior sem tampa, contendo uma outra que não chega ao fundo, em virtude de ter, em redor, da boca, uma virola de tal largura, que, colocada dentro da maior, a tapa por completo. O recipiente mais pequeno’ onde se dissolve a cola, é munido de tampa com um orifício que dá passagem ao cabo do pincel. Na vasilha exterior deita-se água fria, enchendo-a até dois terços; a cola deita-se na mais pequena, que se introduz na maior, leva-se ao lume e mexe-se com uma vara, constantemente. Em estando dissolvido, junta-se-lhe alúmen em pó, na razão de 40 gramas por litro. Antes de retirar do lume, juntam-se mais 50 gramas de ácido acético.

6) – Grude ou massa – Em linguagem de encadernador dá-se este nome à cola de farinha de trigo. Prepara-se levando-se ao lume, em vasilhas separadas, numa, meio quilo de farinha de trigo com um litro de água morna e, na outra, um litro de água e 50 gramas de alúmen em pedra.

Em as águas estando bem quentes, misturam-se e levam-se ao lume de novo, mexendo constantemente. Quando ferver bem, tira-se do lume e juntam-se 120 gramas de formol, mexendo sempre.

Brochuras

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A brochura dos livros só se executa em cadernos soltos e pode fazer-se a fio de linha ou com arames. Para a costura a arame utilizam-se umas máquinas simples, espécie de prensas, acionadas por um pedal, o que permite a liberdade das mãos do operador.

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Para qualquer das costuras, a operação preliminar indispensável é a da dobragem das folhas, que se faz por meio de dobradeiras de buxo latão ou osso. As folhas dobram-se estendendo-as sobre uma mesa plana, bem lisa, de dimensões proporcionadas ao tamanho das folhas. É um trabalho muito simples, mas que deverá ser feito com a máxima perfeição e precisão, para que as partes dobradas fiquem bem iguais, sem saliências, que tornam os livros feios e abona muito pouco a favor de quem o executou.

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É preciso o máximo cuidado para que a numeração das páginas fique seguida e não alterada.

Dobradas as folhas, colocam-se os cadernos uns em cima dos outros, a começar pelo último, formando-se o livro.

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Põem-se os cadernos de 8, 16, 24 ou 32 páginas, seguidos – chamados folha 1, folha 2, folha 3, etc., etc. (cada folha constitui um caderno).

Alceados os cadernos, isto é, ligados pela ordem acima referida, do primeiro até ao último, e verificada a sua exatidão, preparam-se para a costura de brochura de encadernação.

Ligados os cadernos, faz-se a operação de serrotar, depois de todos os cadernos estarem certos (perfeitamente nivelados) à cabeça e ao lombo.

Para a brochura, usam-se dois e três serrotes no lombo. Metem-se na prensa (figura 5) de serrotar e faz-se a operação como indica a figura 6, e começa-se a coser, caderno por caderno, começando pelo primeiro, folha 1, e assim sucessivamente até ao último, conforme figura 7.

A mão esquerda segura o caderno e recebe a agulha que devolve à mão direita; ao coser o segundo caderno, faz-se o remate, dando um nó com a ponta da linha, conforme a figura 8-A.

Chegando ao último caderno, fecha-se o remate, formando um nó com a linha de costura, como já se indicou no princípio da figura 8, e agora nas figuras 11 e 12. Corta-se a linha, deixando dois centímetros de saída, e fica pronto a meter à capa.

Se o livro a encadernar está ainda em folhas (quer dizer, ainda não foi brochado nem encadernado), a operação é a mesma da brochura, porém, a costura é que é diferente e faz-se conforme se vê nas figuras 9 e 5. A figura 9 representa já o livro cosido e a figura 5, a marcação dos sítios onde o lombo vai ser serrotado paia depois ser cosido.

Feito isto, para a brochura, só há que ligar os cadernos uns aos outros, o que se faz por meio de arames, como se disse, no caso de os cadernos serem, o máximo, três, ou por meio de costura, se não em número maior, e pôr-lhes as respectivas capas de papel ou de cartolina. A ligação dos cadernos uns aos outros faz-se como as figuras n.°” 11 e 12 indicam.

Como a costura é uma operação comum à brochura e à encadernação, seja qual for a quantidade de cadernos, damos por findo este capítulo.

Encadernação

Qualquer encadernação compreende as seguintes operações: preparo, costura, formação do livro, cobertura e acabamento.

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A) – PREPARO – O preparo consiste em pôr os cadernos em condições de serem cosidos, pois que se podem apresentar em folhas soltas, brochadas ou cartonadas ou, ainda, encadernadas mas com as capas estragadas.

Quando em folhas soltas, só há que dobrá-las; quando brochados, é preciso desmanchá-los tirando os cadernos das capas, separando-os e colocando-os, depois de limpos, como se fossem simples folhas dobradas.

Começa-se por descer a capa, puxando-a para a esquerda, com o livro colocado em cima de uma mesa, com a cabeça para cima e o lombo para o lado esquerdo. O livro segura-se bem, com a mão esquerda, e o polegar da direita vai deslizando ao longo da lombada, premendo, para favorecer a descolagem. Em seguida, atua-se com as duas mãos; o polegar direito auxilia a descolagem e a mão esquerda puxa a capa, simultaneamente, colocando-se os polegares em seguimento ao outro.

Cortam-se, com um canivete, as costuras e comesse a fazer a separação dos cadernos pelo lado de cima do livro. Ter o cuidado de só separar uma folha de cada vez, evitando que se rompam.

Colocam-se os cadernos uns por cima dos outros, medida que se forem tirando e de forma a que fiquem em sua ordem. Despega-se-lhes com um canivete ou toa raspadeira, cautelosamente, a cola ou grude que aí esteja aderente, para o que é conveniente, com algum cuidado, formar com os cadernos uma espécie de escada, o que se consegue comprimindo-os entre as mãos e batendo os seus lombos na mesa, uma ou mais vezes. No caso de os livros estarem encadernados, procede-se como se acaba de indicar para os brochados depois de lhes cortar as pastas pelas charneiras e dê os limpar bem dos papéis ou panos que tenham aderentes. Quando a goma tiver endurecido muito, e os panos e papéis estiverem muito colados, leva-se o livro a uma prensa, molha-se a lombada, por uma ou mais vezes, com massa diluída, para amolecer, e, passado algum tempo, tudo se pode tirar. Depois de secar, tira-se da prensa e soltam-se os cadernos, com cuidado.

As costuras feitas a arame desfazem-se desprendendo os cadernos da seguinte forma: levantam-se as pontas do arame com um canivete e puxa-se, com este, do outro lado do festo, o arame saliente.

fig10

Após o desmancho do livro, este não fica ainda apto a ser encadernado; é preciso que tenha todas as suas folhas abertas, para que não se formem rugas nas páginas e para facilitar a prensagem, e que a dobragem seja corrigida; finalmente, é preciso consertar e limpar as páginas rotas, rasgadas ou sujas.

A abertura das folhas faz-se colocando o caderno sobre uma mesa e abrindo-as com uma faca de cortar papel, operação que só se realiza, é claro, se elas se encontrarem ainda fechadas.

fig11

A correção da dobragem efetua-se colocando os números de folha uns sobre os outros, de modo a que as linhas impressas fiquem bem sobrepostas e que as margens fiquem bem iguais em todos os cadernos.

fig12

Marca-se bem a nova dobragem, passando por ela a dobradeira e carregando-a bem.

É mais delicado e requer extraordinária paciência o trabalho de eliminar as nódoas existentes e reparar os rasgões que haja. As nódoas mais vulgares são as de gordura e de tinta. As de gordura eliminam-se colocando sobre elas papel mata-borrão e passando, por cima deste, um ferro de engomar não muito quente e mudando, sucessivamente, o mata-borrão enquanto as nódoas persistirem, tantas vezes quantas as precisas para que elas desapareçam por completo. Não dando resultado este tratamento, cobrir as nódoas com um chumaço de algodão em rama embebido de benzina, deixando-o secar entre dois papéis de mata-borrão branco.

Outros processos consistem em esfregar as nódoas com qualquer das seguintes misturas:

a) – Aguarrás, 40 gramas; amônia, 40 gramas.

b) – 20 gramas de uma solução alcoólica de sabão.

c) – Éter acético, éter sulfúrico e álcool a 90°, 20 gramas de cada.

d) – Acetona, amônia e álcool, em partes iguais.

Sendo as nódoas de tinta, molhá-las com uma solução de cloreto de cal a 10%, com o que adquirem um tom avermelhado que se elimina lavando, depois, com amônia e, por último, com um pouco de água simples. Enxugar com mata-borrão e deixar secar.

As de tinta de escrever tiram-se umedecendo-as com algumas gotas de vinagre muito forte, em seguida, enxugando-as com água simples; sendo antigas, lavam-se com uma solução aquosa de ácido clorídrico ou sulfúrico, a 10%; as recentes, lavam-se com água salgada ou vinagre branco e, depois, com água e sabão, umedecendo-as, em seguida, com ácido clorídrico diluído em água, a 1 %, que se deixa cair sobre a nódoa, gota a gota.

As de bolor ou mofo atenuam-se muito, passando-lhes por cima uma escova molhada em benzina ou clorofórmio; ou misturando amido e sabão branco, em partes iguais, e juntando-lhe sumo de limão. Estender a mistura sobre a nódoa e deixar secar ao ar livre.

As nódoas de óleo eliminam-se lavando-as com benzol ou com um soluto aquoso, a 10%, de tetracloreto de carbono.

As manchas produzidas por ácidos minerais desaparecem molhando-as e esfregando-as com um pano embebido em amônia diluída em água.

fig13

As nódoas de ferrugem eliminam-se colocando as partes manchadas sobre uma vasilha com água a ferver em que se dissolveram alguns cristais de ácido cítrico. A parte manchada deve mergulhar na água; passados uns 10 minutos, retira-se e esfrega-se com um pequeno bocado de madeira bem aplainada; por fim, lavar com amônia para eliminar os restos de ácido cítrico.

As reparações a efetuar nas folhas consistem, principalmente, em aplanar as que estejam dobradas nos cantos, o que é fácil, pois basta dobrá-las em sentido contrário, pelos mesmos vincos; o papel das pontas, a desfazer-se, consolida-se com goma de carolo, aplicada em pouca quantidade.

Os maiores trabalhos de reparação são os que respeitam aos rasgões, os quais se produzem, as mais das vezes, nas folhas exteriores dos cadernos; neste caso, separa-se do caderno a folha rasgada e colam-se as pares rasgadas, sem as carregar.

Se os rasgões são extensos, ligam-se as partes rasgadas com uma pequena e estreita tira de papel da mesma qualidade e cor. Coloca-se um bocado de papel de seda debaixo dos rasgões, fazem-se aderir bem os seus bordos, de forma que as linhas impressas coincidam exatamente; por cima da folha aplica-se um papel branco e põe-se-lhe um peso em cima. Passados 2 a 3 dias, puxa-se este último papel, no sentido do comprimento, e a ligação está feita.

Quando as folhas estão incompletas, faltando-lhes bocados, cola-se, nas margens rasgadas, um bocado de papel igual, mas um pouco maior, aplica-se sobre as margens do lado gomado, cobre-se com papel de seda e comprimem-se entre duas folhas de papelão. O papel excedente corta-se, depois de tudo bem enxuto.

Os furos produzidos pelo roer dos insetos, sendo pequenos, tapam-se com papel de seda e pó de papel, colando um de cada lado da folha, e leva-se à prensa; se os buracos forem grandes, colam-se bocados de papel igual (pode ser do folha de rosto ou das guardas brancas), aplicando goma nas margens do buraco e do papel, e procede-se como ficou indicado para os rasgões.

Com o fim de eliminar do papel um tom negro que adquire pela ação do ar, do tempo, etc, lava-se com uma boneca de algodão em rama embebido num soluto de cloreto de cal a 3 ou 5%, segundo o tom é menos ou mais escuro. Se o papel é pouco resistente, depois de lavado mete-se num banho de água em que se dissolveram, por cada litro, algumas raspas de sabão, 8 gramas de alúmen e 20 de gelatina, soluto que, previamente, se côa por um pano. Depois de enxuto, mete-se a folha entre cartões e leva-se à prensa.

Ainda antes da costura, há a fazer, além das operações atrás indicadas, mais as seguintes: consolidação dos cadernos exteriores, prensagem, tosquia, conferência e serrotagem.

a) – Consolidação dos cadernos exteriores – A consolidação faz-se por meio de duas tiras de pano com mais de um centímetro que o comprimento do livro e cerca de um de largura.

Na primeira folha do primeiro caderno, aberta, aplica-se a massa e cola-se na parte de dentro da folha, por cima do festo, ficando metade da tira de cada lado deste. Depois de seca, mete-se-lhe dentro o resto do caderno e coloca-se no seu lugar; procede-se igualmente quanto à folha exterior do último caderno. Chama-se a esta operação colocar cancelas de reforço, as quais têm por fim tornar mais resistentes o primeiro e o último caderno, que são os que maior pressão sofrem com o abrir e fechar dos livros.

fig14

b) – Prensagem – A prensagem dos cadernos é uma operação indispensável, pois que, sem ela os cadernos ficariam muito soltos e o livro com um volume exagerado, além de que dificultaria muito a costura.

Antes de o prensar, sacodem-se bem os cadernos, acertando-os e endireitando-os bem. A prensagem faz-se entre dois tabuleiros, um dos quais, o inferior, colocado sobre o prato da prensa, de cartão; o outro, colocado por cima dos cadernos, também de cartão, mas tendo por cima um outro de madeira.

A prensa deve ser apertada fortemente e, passadas umas 10 a 12 horas, reapertar de novo. O tempo que demora a prensagem depende da altura dos cadernos, mas, em geral, 24 horas é o bastante. Se os volumes são grossos, é conveniente dividi-los em maços de, o máximo, 10 cadernos e, desta forma, a prensagem pode fazer-se em metade do tempo normal. Neste último caso, é necessário reunir os cadernos prensados e prensá-los por mais 12 horas.

c) – Tosquia – A tosquia consiste em aparar as faces dos livros para evitar que as poeiras se depositem nelas, servindo para os insetos nelas deporem os ovos, além de que o aspecto dos livros fica muito melhor.

A tosquia não deve ser profunda para não tirar as margens superiores dos volumes, o que, tecnicamente, se pode considerar um crime: quer dizer, o tosquiado não tem por fim prejudicar as margens, mas estabelecer o equilíbrio mais perfeito possível entre as margens propriamente ditas e as margens falsas.

Há quatro maneiras de fazer a tosquia: à faca, à tesoura, à grosa e à cisalha.

1) – À faca – Mede-se, com o compasso, a distância do lombo a uma folha de largura média, entre as mais estreitas, medida tomada no sentido da largura, e marca-se essa medida, com um sinal, no caderno exterior. Acertam-se, igualando-as bem, as cabeças e as lombadas, metem-se entre duas réguas ou tabuleiros de madeira e levam-se à prensa, colocando a frente do livro para diante.

Faz-se, em cartão, um molde com as dimensões exatas da folha de tamanho médio.

Assenta-se o molde sobre cada um dos cadernos, e corta-se, a todos eles, a face direita e o pé.

2) – À tesoura – O mesmo processo indicado acima, com a diferença dos cortes serem feitos com uma tesoura bem afiada, em vez de se utilizar a faca.

3) – A grosa – O corte é feito estando os cadernos na prensa, com a frente para cima, empregando-se uma grosa de carpinteiro, manejando-a sempre para o mesmo lado, até se atingir a marcação feita.

4) – À cisalha – Coloca-se uma ponta do com passo, depois de ter tirado a medida, junto da lâmina fixa na cisalha, puxa-se o guia de forma a que fique junto da outra ponta do compasso, e fixa-se.

Põem-se os cadernos, sucessivamente, sobre o prato, ficando a lombada a rasar com o guia. Corta-se com uma pancada seca, que se obtém por meio de um movimento rápido com o cabo da faca da cisalha. Cortadas as frentes, cortam-se os pés, todos com a mesma altura. Finalmente, aparam-se os cadernos.

É o processo mais rápido e fácil de tosquiar.

d) – Conferência – Passam-se os cadernos, depois de prensados, um a um, para verificar se estão em ordem.

e) – Serrotagem – A serrotagem tem por fim preparar os cadernos para a costura, abrindo sulcos nas lombadas.

fig15

As serrotagens são diferentes segundo se destinam: à passagem das cordas que ligam o conjunto dos cadernos aos cartões das capas ou formação dos nervos, para ponto de luva e para recortes de jornais, (figuras 5 e 12).

1) – Para cordas – Coloca-se o livro entre dois suportes sólidos, com a lombada saliente cerca de um centímetro, e vai à prensa, em sentido vertical, com a cabeça para a direita e o lombo para fora. Marca-se, com o auxílio de um esquadro, um traço, a lápis, paralelo à direção da cabeça, na altura do começo da impressão, e um outro traço na altura onde a impressão termina. Traçam-se, mais, entre os dois traços acima referidos, outros dois, pelos quais passarão as cordas. Dos primeiros, correspondentes à cabeça e ao pé, destinam-se aos remates. Todos os traços são paralelos entre si.

Em geral, fazem-se 5 traços, correspondentes a 5 serrotagens e a 3 passagens de corda, nos livros dos formatos oitavo ou quarto. Os traços ou serrotagem devem ser equidistantes, simétricos.

Feitos os traços, começa-se a serrotagem.

2) – Para formação dos nervos – As distâncias entre os traços têm de ser rigorosas, limitando-se a serrotagem a um leve sulco, feito a maior ou menor profundidade, segundo a maior ou menor solidez da encadernação

O material indispensável para efetuar a costura é o seguinte: uma meada de corda de dois cabos, um novelo de fio, uma meada de algodão branco e uma agulha de coser lã, grossa.

Colocam-se os cadernos a coser sobre uma mesa, com o lombo para o lado esquerdo, a frente para cima e a parte oposta à lombada voltada para a frente. (Figuras 8 e 12).

Segura-se o primeiro caderno com o paginado para o lado direito.

As figuras 8 e 12 mostram bem claramente como se procede na costura. A nossa mão direita recebe a agulha que a esquerda lhe envia, nunca abandonando esta e o meio do caderno que se cose.

A agulha enfia-se, de fora para dentro, pelo primeiro golpe, a mão esquerda recebe-a e enfia-a no segundo golpe

Cortam-se dois bocados de corda, tendo a largura da lombada acrescida de uns 5 centímetros para cada lado. Coloca-se um destes bocados, entre o segundo golpe, de maneira que a agulha, passando nos dois sentidos – de dentro para fora e de fora para dentro – fique presa ao fio da costura. Feito isto, a agulha está do lado inferior do caderno; enfia-se pelo terceiro golpe e dá-se um outro laço no segundo bocado de corda, que se colocou de modo semelhante ao primeiro. E indispensável, para que o trabalho decorra bem, que o fio não fique ou passe torcido, a fim de a corda não ficar mais puxada para qualquer dos lados do lombo, o que tornaria impossível levá-la para o lado onde fosse necessário.

Continua-se a enfiar a agulha, de dentro para fora, portanto com a mão esquerda. Em se atingindo o último golpe, toma-se o outro caderno, cola-se sobre o primeiro, tendo muito cuidado em que o paginado se siga e que os cadernos fiquem bem justapostos. A agulha entra no último golpe deste segundo caderno, seguindo-se a costura, mas em sentido contrário ao do primeiro caderno, e assim sucessivamente com os seguintes.

fig16

No primeiro golpe do caderno inicial, deixa-se ficar uma ponta de fio da costura; no último caderno, a agulha sai fora na altura do primeiro golpe, fazendo-te o remate e esticando o fio com que se coseram os cadernos, sem deixar laçadas pelo meio; remate-se com um nó que se faz com a ponta deixada no primeiro caderno e com o fio de que se está servindo. Aperta-se bem e estica-se o nó, introduzindo-o no primeiro golpe do segundo caderno.

A costura dos cadernos seguintes vai-se efetuando como se indicou para os dois primeiros.

O remate final faz-se com diversas passagens do fio pelos cadernos cosidos, para que a costura se não desmanche. (Figura 14).

Quando o fio se quebre ou o novelo acabe, liga-se o fio novo ao antigo por meio de um nó pouco volumoso, nó que se introduz no caderno que se estiver cosendo e que nunca se deixa ao longo da lombada.

Terminada a costura, colocam-se as guardas e aplica-se uma camada de grude no lombo e, quando seque, bate-se a lombada para assentar bem as saliências que tenha.

f) – Colar as guardas – No caso de não se terem colocado as guardas antes, é agora a altura de o fazer. Aplica-se grude no avesso da folha com que abre o livro, intercalando uma folha de papel entre as duas guardas, para que estas se não sujem ao aplicar o grude. Este deve ser em pequena quantidade mas forte. Em cima da pasta assentam-se as guardas com grude, e, com a dobradeira, faz-se com que a guarda cole perfeitamente, sem que fiquem rugas. Em seguida, puxa-se a guarda, formando o encaixe. Mete-se, depois, o livro na prensa, onde se conserva umas 4 ou 5 horas, devendo haver o máximo cuidado em colocar bem direito, pois os defeitos adquiridos nesta operação já não se podem eliminar ou reparar. (Figura 13).

Feito isto, o livro está quase encadernado. Porém, há operações complementares nem sempre exigidas nem necessárias como os sinais e o requife, das quais se vai tratar.

Na costura, pode empregar-se, em vez de corda de dois cabos, uma fita de nastro. Neste caso, fazem-se dois golpes, distantes um espaço igual i largura da fita, em vez de um só golpe da largura da corda. O fio da costura prende o nastro exteriormente. (Figura 14). Este processo de costura denomina-se à francesa e executa-se segundo as regras indicadas para o processo anterior.

Cosido o livro e assente o lombo, está pronto a ir à guilhotina, onde é aparado na cabeça, na frente e nos pés.

Em seguida, cortam-se os cartões destinados às capas, devendo deixar-se, ao lado do lombo, um espaço, pelo menos, de meio centímetro e, na frente, pés e cabeça, um centímetro a mais.

fig17

A guilhotinagem tem por fim igualar todos os cadernos por meio de um corte preciso, firme, que deixe a sua superfície completamente lisa.

Na frente, as margens só se devem cortar o estritamente indispensável para que se igualem, pois que, se o corte for grande em largura, as margens ficam pequenas e o livro com mau aspecto, desvalorizado. Toma-se por guia a folha mais estreita; tira-se a sua medida e marca-se, com o compasso, no exterior do livro, fazendo dois sinais, um em cima, perto da cabeça, e o outro junto do pé, e unem-se os sinais por uma reta. É segundo esta que se faz o corte na guilhotina.

Deve atender-se a que o corte fica tanto mais perfeito quanto mais lentamente a faca cortante avançar. Esta deve estar muito bem afiada para evitar que esgarce o papel. Cortar sempre no sentido da frente e nunca ao recuar, do que pode resultar as folhas rasgarem-se.

Evita-se que os cartões se esfarelem ou amolguem colando-lhes, nas margens em que se encontrarem os lombos, uma fina tira de papel resistente. Colam-se, ao longo dos cartões, duas tiras de papel que se dobram, envolvendo os seus lados, resguardando-os.

Nesta altura, o livro está pronto para nele se iniciar a encadernação propriamente dita, que compreende as operações seguintes: empastar, encaixar, formação do lombo, consolidação do lombo e limpar os cartões.

a) – Empastar – Dá-se este nome à ligação dos cadernos cosidos e aparados, aos cartões que lhes servirão de capas.

Começa-se por desfiar as cordas, com um canivete, não as deixando muito grossas nem muito tinas: no primeiro caso, porque formariam saliências na lombada; no segundo, porque dariam pouca segurança ao livro. Um dos cabos das cordas corta-se junto ao lombo do livro (veja figuras 9 e 21) .

Umedecem-se os dedos e esfregam-se, com eles, as cordas e enrolam-se, a partir do meio para cima para o mesmo lado, entre as palmas das mios, até que as pontas fiquem tesas e torcidas.

As cordas desfiadas e com pontas torcidas esticam-se, prendendo um dos seus extremos a um camarão, por exemplo, e puxando-as.

Colocam-se sobre as capas (pastas); com um furador, faz-se um traço junto de cada corda e a uns dois centímetros delas, faz-se um furo, no sentido do avesso do cartão. Volta-se este e fura-se em dois sítios próximos do primeiro e à sua direita, era sentido oblíquo. Enfiam-se as cordas, do lado em que se fizeram os furos, nos respectivos olhais; enfiam-se, depois, pelos segundos furos, para o lado de fora, isto é, primeiro enfiam-se as cordas do direito para o avesso e, em seguida, em sentido contrário, ficando o empaste feito numa das pastas; empasta-se a outra de modo idêntico.

Terminada a operação nas duas pastas, passa-se o lombo com um trapo úmido ou aplica-se-lhe uma outra camada de cola forte, mais fraca.

O empaste pode fazer-se, além do processo indicado, que se designa por á francesa, pelo processo denominado à inglesa, que se faz como à francesa até ao primeiro furo, mas fazendo-se um outro na linha horizontal daquele, para o lado oposto; fazem-se 3 furos em forma de triângulo. Entrando a corda no furo C, do direito para o avesso, saindo no furo B, passando na horizontal, de ai para o furo A e torna a passar o C.

Este empaste só se emprega para obras que exijam muita solidez.

O empaste pode fazer-se com fitas de nastro, em vez de cordas, marcando nelas, de cada lado, um risco, indicativo da largura. Colocam-se no cartão e corta-se o espaço correspondente à largura da fita.

fig1819

b) – Encaixar – Introduz-se o livro nas pastas, voltando, com uma dobradeira, o lombo para cima da capa, dos dois lados da lombada, tendo o máximo cuidado em que a dobradeira não toque na capa, para o que se desvia esta ao voltar o lombo.

É um trabalho fácil de descrever, mas difícil de executar com perfeição.

A pressão que se exerce para adaptar o livro à capa tem de ser forte e tem de ser igual em toda a lombada para que os cadernos não se separem. Termina-se com a passagem da dobradeira, algumas vezes, ao longo do lombo, para que a ligação seja perfeita.

Procede-se da mesma forma dos dois lados do livro. Esta forma de encaixar denomina-se à francesa.

Pelo processo à inglesa, depois de colar os cadernos, arredonda-se o lombo, por meio de pequenas pancadas dadas com o martelo, faz-se o encaixe e empasta-se. Para este fim, mete-se o livro na prensa dentro de dois tabuleiros de cartão, que fa2em de amparos. Com o cabo do martelo, vão-se empurrando os cadernos para os lados, começando no meio e continuando para as duas pontas, boleando a lombada. Depois, faz-se o encaixe, nos lugares dos remates.

Aconchegam-se os cadernos (lombo) à capa por meio de pancadas leves com o martelo e esfregam-se, depois, para corrigir e aperfeiçoar a fixação, no sentido do comprimento.

Este processo é mais fácil e rápido do que o primeiro descrito e a figura 16 mostra bem a maneira de proceder.

É necessário que o encaixe seja feito em ângulo reto, devendo os cadernos ficar inclinados para os lados, em declive suave, e bem direitos no centro.

Se o lombo tiver nervos, tem de se usar um martelo que caiba no espaço entre eles compreendido, para os não atingir. Neste caso, o livro tem de ficar um pouco mais saído dos tabuleiros.

Os volumes em cuja costura se empregarem fitas, devem ser batidos mais violentamente no lombo, para diminuir a saliência da costura, mas não tanto que corte as fitas.

c) – Formação do lombo – O boleamento indicado na operação do encaixe tem por fim único facilitá-lo. Não se destina a dar ao lombo a forma elegante que, numa boa encadernação, mais prende e cativa o olhar.

As curvas nas lombadas, mais ou menos pronunciadas, têm de ser perfeitas.

Consegue-se isto passando a palma da mão, previamente umedecida com água, pelo lombo, o que se faz para tornar o grude brando e para que não estale com as pancadas que têm de se dar na lombada. Bate-se o lombo com um maço de madeira, do lado mais afastado para o mais próximo do operador, do meio para as pontas e com pancadas regulares. Volta-se o livro e repete-se o mesmo no lado que estava para baixo. Repete-se as vezes precisas para que o lombo adquira o abaulado desejado.

d) – Consolidação do lombo – Consolida-se o lombo, aplicando-lhe uma camada de massa. É preciso fazê-lo cuidadosamente para que a massa não atinja as folhas, devendo colocar-se um cartão envolto em papel, entre o livro e os tabuleiros, para que as pastas não adiram ao cartão e para que o livro não se suje.

Põe-se no meio de dois tabuleiros, rentes aos cartões, com o lombo fora dos tabuleiros, e vai à prensa.

fig20

Aplicam-se 3 camadas de massa, com os intervalos de 10 a 15 minutos; passados 10 a 15 minutos da aplicação da terceira camada, tira-se a que houver em excesso e esfrega-se até que o lombo fique bem limpo. A massa restante tira-se com aparas de papel.

Aplica-se em seguida, no lombo, uma tira de tarlatana, com mais 6 a 8 centímetros que a largura e dois mais do que o comprimento do livro, faz-se chegar até perto do encaixe e assenta-se bem para que adira, e vai assim à prensa, da qual se retira umas 10 a 12 horas depois, mas de modo a que a tarlatana não se desloque, para o que se puxa o livro e se empurram os tabuleiros ao mesmo tempo, utilizando as duas mãos.

e) – Limpar os cartões – Das operações realizadas resulta ficarem, sempre, bocados de cola ou massa e fios de tarlatana aderentes aos cartões. A limpeza faz-se depois do livro ter saído da prensa e estar bem seco, aparando e tirando dele todos os corpos estranhos, só deixando ficar a tarlatana existente entre as cordas, que se colocará nas pastas, para as fortalecer. Tem de se passar uma revista rigorosa às pastas, no encaixe, para o que se abrem e retiram todos os bocados de massa e impurezas que se encontrem; a cola poderia atuar ligando partes que deveriam ficar soltas; as impurezas alteram o aspecto dos livros encadernados e dificultam as operações finais, que são: forrar o lombo, pôr cantos, pôr a lombada, os sinais, o requife e colar as guardas.

1) – Forrar o lombo – Corta-se uma tira larga de papel forte, que possa cobrir o lombo por completo e com mais uns 10 centímetros do que a largura dele.

Aplica-se no lombo do livro, colocado entre dois cartões velhos, uma camada de grude e outra no papel com que se deve forrar e coloca-se no livro, rapidamente, dum lado e outro do lombo, puxando simultaneamente dos dois lados, a fim de que a capa não fique a oscilar debaixo da tira com que se forra o lombo. Depois do papel ter aderido bem, mete-se o livro numa prensa, resguardada entre dois bocados de cartão, conservando-o aí uns 10 a 15 minutos.

Entretanto, cortou-se, numa folha de cartolina, uma tira com a largura exata do lombo, a qual se cola à pele (carneira, percalina ou outra) com que se forra exteriormente a lombada, para a tornar mais consistente. É o chamado lombo solto. As figuras 15 e 18 mostram bem qual a sua função e a forma de o colocar.

Na percalina cortam-se, ainda: a lombada (forro do lombo); os cantos, que podem ter a forma de um triângulo retângulo ou serem sobre o comprimento, de tamanho proporcional ao do livro que se encaderna.

A largura da lombada deve ser igual à do lombo e o seu comprimento deve ter mais 3 a 4 centímetros que o livro, no pé e na cabeça, isto é, de cada lado.

2) – Pôr cantos – Passa-se, pelos cantos, um pincel molhado em grude e colocam-se depois nestes, os cantos das pastas, voltam-se e batem-se para não ficarem muito salientes no interior das pastas. Batem-se, colocando-os sobre uma pedra ou bocado de madeira rija, intercalando-lhes um bocado de cartão para que as rugosidades da pedra ou da madeira (quando não forem bem lisas) produzam mossas na percalina.

Ter cuidado em não sujar a percalina com o grude; porém, se tal suceder, passar-lhe por cima uma mistura de clara de ovo, batida em castelo, com um pouco de vinagre.

Praticam-se, a canivete, uns golpes curtos, atingindo quase os dos remates correspondentes às partes superiores e inferiores dos dois lados das pastas, os quais devem ser dados com cuidado, para não cortarem o fio dos remates. Usa-se, para esse fim, um canivete.

fig21

3) – Pôr a lombada – Para a colagem da lombada ao lombo, empregar uma cola forte, fazendo o possível por não molhar a percalina, e coloca-se, no seu lugar, o lombo solto, bem no centro da lombada. Feito isto, assenta-se a percalina, ajuntando-a bem ao cartão das pastas, sem que o lombo-solto saia do seu lugar, ficando, no lombo, entre as duas pastas. As figuras 18 e 19 dispensam mais ampla descrição da maneira de efetuar este trabalho.

Assente a lombada, metem-se para dentro as orelhas da percalina e puxa-se o encaixe com o auxilio da Dobradeira.

4) – Sinais – São as marcas que se fazem para indicar o ponto onde a leitura foi interrompida. Consistem em fitas ou cartões da cor da capa, tendo o comprimento do livro, medido na diagonal, mais uns 5 centímetros. Põe-se a fita ou o cordão no meio do livro, deixando-a 2 centímetros saliente do lado da cabeça; fecha-se e aplica-se, do lado desta, um pouco de massa, à qual se faz aderir a fita, espalhando-a.

5) – Requife – Dá-se este nome a um cartão estreito que há entre a capa e o corte dos livros, nos extremos das lombadas e que se destina a consolidá-las. Só indicaremos a forma de fazer requife manual, pois que o mecânico só interessa aos profissionais e a sua execução é fácil, não necessitando de ser descrita.

O requife tece-se sobre uns rolos ou cilindros de papel, achatados, enrolando à sua volta corda de coser, até ficar com a largura das seixas.

Bate-se a cabeça do livro, põe-se este na ponta duma prensa, com o lombo para dentro, obliquamente. Enfia-se uma agulha de bordar a filé, de grossura média, em fio escolhido, e com ela se vai passando o fio que volta do rolo. Remata-se passando a agulha por dentro do último caderno e prende-se, com um nó, à cadeira de remate. Acaba-se o trabalho cortando uma tira de papel de seda, com um comprimento duplo da grossura. Aplica-se massa no lombo, nos sítios dos pontos que atravessaram os cadernos e nos nós. Disfarçam-se as saliências que se tenham formado e puxam-se as pontas dos nós para o meio do lombo, tapam-se os intervalos entre o lombo e os pontos de requife com estopa; por cima, uma leve camada de massa e depois, a tira de papel de seda, saída das extremidades do lombo cerca de um centímetro. Faz-se aderir o requife bem ao papel. Finalmente, arranca-se o papel, evitando rasgá-lo, para o que é preciso atuar com cuidado.

Diversas espécies de cobertura

As encadernações podem ser de percalina, com os cantos e lombada de carneira, toda em carneira e de fantasia.

1) – Sé de percalina – É indispensável que o grude aplicado na percalina não seque antes de se terminar a sua colocação, sob pena de a percalina se inutilizar.

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Para o evitar, procede-se do seguinte modo: toma-se o livro com o lombo-solto já cortado, os golpes feitos no papel que forrou o lombo, e aplica-se grude em toda a superfície da percalina, que deve ter um tamanho maior do que o livro, cerca de dois centímetros, voltando-se para dentro este excesso. Coloca-se-lhe o livro em cima, deixando, de todos os lados, o espaço necessário para permitir que se volte. Aplica-se-lhe o lombo-solto, coloca-se a outra parte da percalina sobre a outra pasta, voltam-se as ourelas para dentro, puxa-se o encaixe e colam-se as guardas.

2) – Com cantos e lombada de carneira – Chifra-se a carneira em toda a sua volta e nela se cortam os cantos, o lombo-solto e colocam-se estes e a lombada nos seus lugares, colando-os com goma de farinha e não coladas forte. Os cantos são colados antes das lombadas; finalmente cola-se o papel de fantasia (com grude) e as guardas e mete-se na prensa.

3) – Toda em carneira – Procede-se como se a encadernação fosse toda de percalina. Vai à prensa antes de se colarem as guardas e, depois destas coladas, leva-se novamente à prensa.

4) – De fantasia – Os motivos dependem da espécie da obra a encadernar e, em grande parte, do gosto, mais ou menos requintado, do possuidor do livro ou do encadernador.

É um trabalho mais artístico do que de técnica da encadernação, em que a pintura, o desenho à pena e a douradura, as incrustações, desempenham o papel principal.

Complementos das encadernações

Como complementos das encadernações, embelezando-as, usam-se as nervuras ou nervos nas lombadas e os rótulos, indicando os nomes dos autores e os títulos das obras, muitas vezes, as datas, quando se refiram a coleções de publicações periódicas, como jornais, revistas, etc.

As nervuras executam-se colando no lombo-solto, antes de o colocar no livro, um número variável de tiras de cartão, maior ou menor segundo os nervos se queiram mais ou menos salientes, mas não deve exceder a três, e a largura tem de ser igual à do lombo.

Por cima das tiras coloca-se a carneira, alisando-a e aconchegando-a em volta das nervuras. É um trabalho que requer muito cuidado para que todas fiquem iguais entre si e equidistantes, devendo as extremas começar: a da cabeça, onde se inicia a impressão e, a dos pés, onde termina.

Os rótulos são constituídos por um dourado feito na pele que forre as capas, ou ainda por bocadinhos de carneira que se colam na mesma. Uns e outros colocam-se na lombada ou na frente. No segundo caso, as carneiras, com inscrições douradas, colocam-se entre as nervuras; são feitos com a carneira chifrada, para não ficarem salientes, e colam-se, ao lombo ou na frente, com goma de farinha. Como enfeites, podem os títulos, na frente, ser escritos a ouro, com ou sem cercadura dourada e, igualmente, nas lombadas; nestas, sem cercadura.

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As capas podem ser lisas ou terem gravados desenhos mais ou menos artísticos, na cabeça e pé, assim como na capa posterior, onde não fica mal gravar, a ouro ou a preto, o nome dos editores.

Encadernação de pastas de escritório

As pastas para secretárias cortam-se em cartão bem grosso, do tamanho mais conveniente, que, sob o ponto de vista estético nunca deve ser exagerado.

Depois, cortam-se, com as dimensões das pastas menos 0,5 centímetros em toda a volta, quatro bocados de papelão muito fino; em seguida, mais um lombo-solto, com o comprimento da pasta e só uns dois centímetros de largura, em cartão n.° 120 de papelão palha.

Escolhe-se um forro apropriado – percalina ou carneira chifrada não muito espessa – de tamanho maior do que o da pasta, pois há a contar com a espessura do lombo e com as voltas a dar na pasta. Aplica-se cola forte (sendo percalina) ou goma de farinha (no caso de ser de carneira), põe-se-lhe em cima uma das pastas, depois o lombo-solto e, por fim, a outra pasta.

Alisa-se bem o forro, voltam-se as ourelas para o avesso da pasta e passa-se a forrar o lombo do lado para onde se voltaram as ourelas, o que se faz pela forma seguinte: Corta-se uma tira de percalina, com o tamanho exato das pastas, no sentido da altura e a largura do lombo acrescida de mais um pouco, de cada lado, excessos que se colocam em cima das pastas. Volta-se a tira, na cabeça e nos pés, cerca de meio centímetro para o lado de dentro, com o que ficam do tamanho das pastas, e cola-se, com grude, na parte inferior destas.

A seguir, forram-se as pastas, interiormente, com papel de fantasia, em harmonia com a cor da percalina, deixando as ourelas voltadas para dentro.

Para fazer os foles da pasta, corta-se papel forte no comprimento dos lados da pasta, forram-se, exteriormente, de papel de fantasia, que se cortou, previamente, do mesmo tamanho dos foles; colam-se estes aos cartões menos perfeitos; as partes dos cartões forrados com papel de fantasia ficam voltadas uma para a outra; nos seus avessos colam-se as ourelas deixadas na percalina dos foles.

Colam-se os foles aos dois cartões, deixando a maior largura daqueles para o lado interior da pasta.

Deixa-se, num dos cartões forrados, uma das orelhas dos lados maiores, que servirá para cobrir os outros dois depois de se colarem os foles. Estes colam-se dos dois lados dos cartões, desprezando o cartão cuja ourela não se cortou; o lado dos foles que foi forrado com percalina deixa-se ficar para fora do lado dos foles.

Colados estes, aplica-se, na parte de cima dos cartões, uma camada de grude, e liga-se o cartão, cuja orelha não foi colada, a qual fica para o lado oposto ao da maior largura dos foles.

Leva-se a uma prensa e aperta-se fortemente.

Só falta tratar dos cantos onde se introduz mata-borrão, para o segurar.

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Cortam-se em papelão fino e forram-se de percalina, voltando as arestas do lado voltado sobre o cartão forrado, destinando-se as outras a uni-las ao cartão. Cola-se esta parte à pasta de forma a que as seixas fiquem iguais em toda a volta e prensa-se.

Volta-se para dentro a ourela desprezada e cola-se de maneira que, ao voltá-la, ela atinja os outros cartões colados. Colam-se na pasta e vai à prensa para que adiram fortemente.

Querendo as pastas acolchoadas, introduz-se algodão em rama, empastado, entre a percalina que forra a pasta e a parte superior desta última.

Evidentemente, em vez de percalina, podem empregar-se peles ou tecidos, tais como a carneira, pele de porco, detone, perganióide, etc.

Porta-blocos pata apontamentos

Cortara-se duas capas, de cartão forte, com as dimensões que se queiram dar ao bloco e um outro cartão mais fino, com comprimento menor (uns dois centímetros) destinados a colocar no interior, e com menos meio centímetro nos outros lados, que se destinam à formação das seixas.

Forram-se os cartões fortes, voltam-se as ourelas para o lado de dentro, num só dos lados do bloco, e forra-se o interior do lombo; o lado virado para dentro forra-se não com percalina ou carneira, mas com papel de fantasia.

O fole é formado pelo bocado de cartão que se cortou e nele se introduzirá o bloco, ficando preso pelas ourelas não voltadas; forra-se o outro lado mas, no local de junção das duas, volta-se para o interior um bocado de forro.

É conveniente fazer os porta-blocos de harmonia com as dimensões dos que se vendem já feitos, do que resulta economia. Forram-se com uma tira de papel igual ao que se empregou em forrar o porta-blocos, pregando-se-lhe na cabeça um pedaço de cartolina, o qual se introduz no cartão deixado no interior da pasta, que fica preso pelas ourelas de carneira.


[1] Caridades abertas ao comprido dos lombos, onde se aloja a espessura dos cartões da pasta.

[2] Cortar o lombo para, nas ranhuras feitas, alojar as cordas.

[3] Adelgaçar as peles nas suas extremidades.

[4] Prensar as rolhas de papel para delas eliminar o relevo resultante da impressão.

[5] Prendei as cordas da costura, passando-as pelas pastas.

[6] Os serrotes devem ser isentos de trave para que não raspem o papel.

[7] Cordão colocado entre o cairo e o conjunto das folhas, nas duas extremidades do lombo.

* Extraído do livro: “A Arte de Ganhar Dinheiro: Trabalha para Ti”, páginas 469 a 643 – Livraria Civilização, Portugal, 1976.