Considerações atuais sobre o Positivo Alfa e outros e-readers

Comprei o Positivo Alfa já na pré venda, em julho de 2010. Assim que o recebi, virei ele do avesso e logo fiz um review. Horas depois descobri e ensinei um truque para tirar melhor proveito do aparelho.

Isso já está completando um ano e o cenário dos aparelhos portáteis mudou bastante nesse período. Na época, o Kindle e o Nook já se consolidavam como ótimos suportes substitutos do papel, enquanto que vários e-readers similares começavam a pipocar (o Alfa entre eles). Também aconteceu o sucesso avassalador e chegada ao Brasil do iPad da Apple, trazendo de arrasto trocentas cópias e similares e tomando até espaço dos aparelhos específicos dedicados a leitura. Quem não acreditou na supremacia desse tipo de equipamento, agora dobra a língua ao ver que o formato deu certo e veio pra ficar.

Como meus posts específicos sobre o Alfa alcançaram um sucesso estrondoso, mesmo já indo lá um ano, ainda recebo milhões de mensagens contendo muitas dúvidas acerca de ler usando dispositivos eletrônicos. Achei que seria bom pontuar algumas coisas a cerca do Alfa e dos leitores na atualidade.

Eu estou (ainda) tentando vender o meu Alfa. Se você leu esse post aqui, deve saber por quê. Mas enquanto não consigo convertê-lo em grana, continuo tranquilamente usando-o. Não me entenda mal, gosto dele mas acredito que vou gostar mais ainda de um iPad

Pois bem. Dividi em tópicos as principais dúvidas e ideias a cerca do Alfa, tablets e leitura digital.

O Alfa é um bom leitor?

Sim, é. Como leitor dedicado exclusivamente à leitura, ele não deixa nada a desejar frente ao Kindle, por exemplo. O problema do Alfa é unicamente a marca. A Positivo cometeu dois erros com o Alfa: primeiro no firmware porcamente feito e cheio de limitações. Felizmente isso pode ser resolvido, pois existem outras opções que melhoram muito a experiência de uso do aparelho. O segundo erro é imperdoável e se divide em 3: a qualidade do material, a garantia e a assistência técnica.

Se você procurar na web, encontrará vários relatos de consumidores que tiveram a desagradável surpresa de verem seus leitores pararem de funcionar de uma hora para outra, às vezes não sabendo a causa ou mesmo após um leve aperto na tela ou pequena queda. E quando procuram a assistência técnica, mesmo se oferecendo para pagar o conserto, descobrem que o aparelho não é do tipo que se desmonta e substitui-se uma peça danificada. Se o aparelho quebra, vai todo pro lixo e a garantia da Positivo se exime de qualquer dever em trocar o produto. É a velha fama de produtos de baixa qualidade que a Positivo aparentemente não se importa de carregar. O Alfa é montando na China, como quase tudo atualmente, e é apenas um dos muitos clones do N618 da 4FFF. O que muda em relação aos outros? O controle de qualidade, que no caso da Positivo, fica próximo ao chão.

Então, fica o meu conselho se você possui um Alfa: trate-o com carinho e segure-o com as duas mãos, como se ele fosse um livro muito raro.

Outra coisa a se lamentar é o preço, que continua salgado. Felizmente agora existem concorrentes, como esse aqui, por exemplo.

Não é ruim ler em telas eletrônicas?

Depende unicamente dos seus olhos e da tela em questão. Faça um teste: reduza bem o brilho do seu monitor e tente ler um texto longo nele. Se você chegar ao final sem se incomodar, ficar com olhos ardendo ou se sentir desconfortável, parabéns, você se adaptou sem problemas.

Se foi incomodo, ainda existe uma chance de você se dar bem com telas e-paper, que são aquelas que não emitem brilho e são feitas apenas e tão somente para leitura. São essas que vem em aparelhos similares ao Kindle, como é o caso do Alfa. Se você nunca viu uma de perto, acredite, é bem interessante. Veja isso para ter uma ideia melhor do que estou falando.

Se ler no monitor não foi ruim, você com certeza gostará muito de olhar uma tela e-paper e também se dará muito bem lendo num iPad.

O que é melhor pra ler, um leitor tipo Alfa ou um tablet como o iPad?

São propostas diferentes e não devem ser comparados. Nos dois é possível ler, mas apenas com um você pode fazer isso debaixo do sol ou encostado numa árvore num dia claro e lindo. Por outro lado, com o outro você também assiste vídeos e pode jogar games, editar textos etc. Um grande diferencial que conta muito na hora de se recostar para ler é que o Kindle ou o Alfa são super leves, enquanto que o iPad (e outros tablets em geral) pesam mais ou menos meio quilo. Isso pode fazer muita diferença.

Ler no papel não é bem melhor do que nessas bugigangas?

Você decide isso. Eu poderia ficar aqui falando sobre como esse fetiche do papel está fadado a desaparecer ou então como é bacana estar lendo um livro normal e uma garota se interessar pelo título e puxar conversa, mas não vou. Só posso falar de mim, então vou contar um fato corriqueiro que aconteceu comigo.

Comecei a ler um livro que por coincidência também possuia em formato digital. Ora, optei por ler a versão em papel porque eu realmente prefiro ler no papel. Mas aconteceu que o livro era grosso e um tanto quanto pesado, bem mais que os 240 gramas do Alfa. Então troquei o papel pelo digital e continuei lendo o livro da maneira que considerei mais confortável. Pronto.

Pra quem já leu muitos livros grossos usando um Palm m125 e um Samsung BlackJack, o Alfa é um paraíso. Mas talvez você não tenha essa facilidade que eu considero uma versatilidade minha. Pra você talvez seja incomodo ler em superfície que não seja de papel. Muitas pessoas são assim. Atente apenas para ter certeza de que não é um bloqueio apenas de hábito ou cultural.

Se você gosta bastante de ler e/ou precisa ler muito e está indeciso em investir ou não num leitor dedicado, aconselho que você pegue nas mãos e experimente um desses genéricos do Kindle.

É isso.

Minhas bugigangas

Um amigo me acusou de gastar muito com tecnologia e parei pra pensar um pouco sobre isso. É verdade, ele tem razão. Mesmo sendo um pobre, volta e meia derramo rios de dinheiro em bugigangas eletrônicas inúteis. Crucifica-o!

Já li alguns posts de blogueiros contando suas histórias com gadgets, resolvi contar a minha também. É bem sem graça, então pegue um café pra acompanhar esse texto longo.

Primeira coisa a dizer é que não gosto dessa palavra, gadget, prefiro chamar bugiganga eletrônica. A primeira que tive foi um celular Ericsson a1228d, no tempo em que a operadora Claro se chamava Tess.

Ericsson a1228
Um tijolinho bem simpático, até.

Fucei no que ele tinha para ser fuçado. Brincava com alguns códigos “secretos” de configuração que não funcionavam. Nessa época, meu sonho era ter um tecladinho qwerty que você acoplava e podia escrever SMS com mais conforto:

Tecladinho pro Ericsson a1228
Tecladinho bizarro

Também tive um outro parecido, esse aqui:

Ericsson
Esse era duro na queda.

Na faculdade tive contato pela primeira vez com um Palm e fiquei abismado. Achei maravilhosas as possibilidades que ele trazia e fiquei desesperado para ter um. Por algo que considero um azar do destino, acabei encontrando um Palm m125 usado sendo vendido numa loja de informática. Não consegui me segurar, gastei uma grana indecente, quase o dobro do que ele realmente valia. Era o preço de ser um otário vivendo em Pirassununga em 2002.

Palm m125
Um clássico da finada Palm

Usei muito essa bugiganga para ler ebooks e escrever um ou outro pensamento. O Palm m125 tinha um defeito congênito documentado: um capacitor interno perdia a capacidade de segurar carga elétrica e fazia com que os dados fossem apagados da memória toda vez que você trocava as pilhas, o que era uma coisa constante porque o bicho era um devorador. O jeito era tentar sempre bater o recorde de velocidade na troca de pilhas. Outro grande problema era a sincronia com o PC, que não era nada fácil como conectar um pendrive numa porta USB.

De qualquer maneira, me diverti e aprendi muito com ele. No auge, eu conseguia mudar as fontes (dava trabalho) e até conectava na Internet via cabo. Bem nerd, hein?

Ele ainda está por aqui, jogado numa gaveta porque não vale absolutamente mais nada. A questão é que não tenho mais aquela paciência que ele exigia.

Na época em que eu fiquei de saco cheio com as limitações e obsolescência do Palm, eu tinha esse celular aqui:

Motorola w220
Bonitão

Que era charmoso mas não tinha nada de especial, nem mesmo camera.

Não lembro direito como foi, mas foi assim. Em abril de 2009 troquei ou vendi esse celular para meu irmão e comprei um smartphone na esperança de ter uma bugiganga moderna para ler meus ebooks. Lembro bem de ficar perguntando para a vendedora da loja CEM (é sério) se era possível abrir arquivos PDF nele. No fim, fuçando lá na hora, descobri que sim e fechei a compra.

Samsung BlackJack
Só não fazia empada.

Com o Samsung BlackJack II, que rodava Windows Mobile 6, fui feliz até o dia 27 de maio de 2010, quando esqueci-o na mesa de um bar. Perdeu, playboy.

Depois desse episódio decidi nunca mais ter alguma coisa pequena e cara que eu pudesse perder facilmente por aí. Fiquei um bom tempo sem telefone. Atualmente estou com um bem velhinho e simples.

Em fevereiro de 2010 eu havia comprado meu primeiro notebook e na mesma época passei a ter acesso rápido a Internet. Nesse mesmo mês eu lancei a pedra angular na fundação deste querido blog e virei um nerd de verdade, sem querer querendo. Desde então tenho lido muito sobre bugigangas eletrônicas e as coisas foram ficando mais claras.

Notebook Lenovo

Em junho de 2010 (?) eu soube do lançamento do Positivo Alfa e novamente fiquei abismado. Eu já vinha acompanhando a evolução do Kindle e da tecnologia e-ink. Me empolguei com a idéia de ter um “Kindle brasileiro”, barato e fácil de encomendar pela Internet. Assim que o botão “comprar” apareceu na Saraiva, eu cliquei. Era agosto de 2010 e dessa vez não senti que estava fazendo um mau negócio.

Positivo Alfa
Finalmente algo decente pra ler meus ebooks

Como eu disse no começo, sou um pobre, então não posso gastar além da conta. Da mesma forma que acompanhei com atenção o Kindle e o lançamento do Alfa, também fiz com o iPad, porém nem sonhava em ter um. Mas hoje, um ano depois de lançado, vendo até onde chegou o sucesso e tudo que é possível se fazer com essa bugiganga… e agora sendo vendido no Brasil…

Enfim, estou vendendo meu Alfa e levantando a grana pra comprar um iPad. Com um pouco de sorte, já pego a segunda versão.

Concluindo, espero que esse artigo ajude meus amigos a entenderem melhor meu lado nerd. Ou não.

iPad
Vai, manolo, autografa aqui no meu iPad!

Substituindo o firmware do Positivo Alfa

Vou ensinar em primeira mão como habilitar todas as funções do Positivo Alfa.

detalhe1 Se você leu meu post anterior, sabe que o leitor de livros digitais lançado pela Positivo no mercado brasileiro é um aparelho que vem sendo vendido com sucesso em várias partes do mundo. Também deve saber que na versão brasileira muitas funções estão desabilitadas.

Caso você esteja com receio de comprar o aparelho por imaginar que não vale a pena, ou está triste por saber que o aparelho que você comprou poderia ter mais recursos, eu trago boas novas!

Robertão esteve recentemente na Espanha, visitando uns hermanos. Ao comentar sobre minha tristeza com as limitações do meu e-reader, um amigo me indicou o site de um fabricante de lá que disponibiliza o firmware do aparelho.

Enchendo o peito de coragem e vencendo o medo de inutilizar o bagulho, me arrisquei a instalar o firmware da versão espanhola. Executei o procedimento de atualização e tive a feliz surpresa de ver todos os recursos do Positivo Alfa passarem a funcionar!

Agora é possível ver fotos e desenhos (abre arquivos JPG, PNG e BMP) e tocar arquivos MP3 (tem um pequeno falante interno, além da saída de fones de ouvido). O navegador web e a parte de wireless estão habilitados também, mas minha rede não foi detectada, então essa parte eu não sei se funciona [Atualização: o hardware necessário não está presente nessa versão do e-reader, então não há como acessar redes wi-fi].

Em contra partida, perdi o Dicionário Aurélio, incluso de fábrica, e precisei usar o idioma OSD em inglês, pois não há tradução para português (mas ucraniano tem, caso você seja fluente).

ESPERAR PELA ATUALIZAÇÃO OFICIAL DA POSITIVO?

É de se esperar que a Positivo disponibilize em breve um firmware para que qualquer consumidor possa atualizar seu aparelho e habilitar todos os recursos, visto que esse bloqueio de funções foi uma tentativa de baixar impostos de importação que não teve êxito. Por algum problema de prazos ou logística, o aparelho acabou vindo bloqueado mesmo assim? Também é lógico imaginar que os próximos lotes do aparelho virão na versão full. Acredito que, já que pagamos o preço equivalente ao produto completo, temos o direito de usá-lo com todos os recursos funcionando. Sim ou não?

Cabe a cada comprador do aparelho decidir se vai esperar esse “recall” oficial ou procurar na Internet algum quebra-galho.

TEM UM PROCEDIMENTO CERTINHO

Como eu não gosto de esperar, fui atrás e encontrei uma solução. E por ser o blogueiro mais gente fina do universo conhecido, vou mostrar para todo mundo o caminho das pedras. Então, vamos lá:

  1. Entre no fórum do fabricante espanhol http://www.nvsbl.es/foros/ e baixe o firmware mais recente.
  2. Descompacte o arquivo num cartão micro SD.
  3. Coloque o cartão no aparelho e vá em “configurações avançadas” e clique em “atualizar firmware” (veja aqui um passo a passo com fotos [ATUALIZAÇÃO: esse link não funciona mais. Use o guia da própria Positivo]).
  4. Aguarde. Se der erro ou aparentar travamento, não se desespere, siga as orientações que você encontrar no fórum.

Também existe outro fabricante espanhol que disponibilizou o firmware em seu site: http://www.booqreaders.com/pt/download. Eu optei pelo primeiro porque oferecia um firmware mais atual. Acredito que seja possível testar outros firmwares, mas achei melhor não abusar… [Atualizando: mais um firmware – versão holandesa do e-reader – http://teknihall.com/index.php?id=1001&L=0&type=777]

POR SUA CONTA E RISCO

Atualizar um firmware é um procedimento que envolve um certo risco, embora seja uma possibilidade remota algo dar errado. Quem já atualizou um bios de PC com o c* na mão sabe do que estou falando.

Aparentemente, fui o primeiro consumidor brasileiro a fazer essa maluquice. Que honra, acho que vou chorar de emoção… Agora é sua vez. Faça por sua conta e risco. Se o aparelho virar uma pedra, inerte, a culpa é somente sua.

Só o homem penitente passará. Boa sorte.