Como exportar projetos do Sonar para outras DAWs

E migrar para Reaper

Guia válido para Cakewalk Sonar Platinum 23.4.0 e Cockos Reaper 5.40

PASSO 1 – ORGANIZE SEU ESPAÇO DE TRABALHO

Crie uma pasta com o nome do projeto a ser migrado no local onde os arquivos serão gerados. Dentro dessa pasta, crie um arquivo txt chamado info.txt com a seguinte estrutura:

  • Nome da música:
  • Tempo e compasso:
  • Letra:
  • Panorama:
  • Plugins:
  • OBS:

Mantenha esse arquivo txt aberto durante todo o processo de migração para tomar notas e registrar informações sobre o projeto.

PASSO 2 – REGISTRO DE INFORMAÇÕES, ORGANIZAÇÃO E LIMPEZA DO PROJETO

Abra o projeto no Sonar e expanda todas as pistas e pastas. Use o atalho SHIFT + H para exibir pistas ocultas.

Verifique se os MIDIs originais (caso existam) estão no projeto. Caso não estejam, podem estar localizados nos últimos backups. É opcional usar ou não os áudios criados a partir de instrumentos virtuais que também já aí estejam gerados. Alguns sons de sinths podem não ser encontrados novamente em outras DAWs e plataformas, então é conveniente que esses áudios também sejam salvos.

Apague áudios desnecessários ou provisórios. Apague pistas que contenham conteúdo duplicado e com processamento provisório destrutivo (voz comprimida etc) Desfreeze pistas freezadas. Caso o áudio original não apareça, o jeito é usar o freezado mesmo. Arraste o item para uma nova pista.

Procure em cada pista por layers com trechos de áudio que estejam sobrepostos (é raro mas pode acontecer). Arreste layers para uma nova pista se for o caso. Caso haja pistas com títulos iguais, para evitar confusões, renomeie ao menos uma delas.

No arquivo info.txt, após anotar o tempo e compasso da trilha, anote o nome e o panorama respectivo das pistas que não estão 100% no centro (guitarra 75% E, por exemplo) se achar necessário e for um balanço definitivo. Anote o nome de cada pista e os plugins contidos nela. Opcionalmente abrir o plugin caso esteja instalado e anotar o nome do preset ou as configurações.

PASSO 3 – VERIFICAÇÃO DO BIT RATE DOS ARQUIVOS DE ÁUDIO

Após uma última verificação geral dos passos anteriores, vá em Projetos – Arquivos de áudio e verifique se todo o áudio está em 24 ou 32 bits. Caso alguma faixa esteja em 16 bits (abaixo do ideal), resolva conforme o caso (buscando posteriormente o áudio original em 24 bits num backup anterior ou deletando a pista caso seja um arquivo gerado por freeze ou a partir de um MIDI).

PASSO 4 – EXPORTANDO AS PISTAS DE ÁUDIO

Hora de exportar as pistas de áudio. Vá em Arquivo – Exportar – áudio

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Defina as opções exatamente como mostrado na figura. Caso aconteçam travamentos durante o processo, desmarque a caixa “Mix rápida”.

Escolha o local, escreva algo no campo nome de arquivo e clique em Exportar. Arquivos WAVE 32 bits 48 kHz únicos para cada pista, contendo dados de ponto de início, serão criados na pasta escolhida. Os áudios não conterão os efeitos de plugins, envelopes de pan, ganho e volume, mas estarão mixados em si caso tenham vindo de pistas com emendas por fade. Ou seja, os fades das partes serão aplicados, caso existam. O processo pode levar algum tempo dependendo do tamanho do projeto.

DICA: Crie um nome para o preset de exportação e salve-o clicando no ícone do disquete para uso futuro.

PASSO 5 – EXPORTANDO PISTAS DE MIDI E INFORMAÇÕES DO PROJETO

Terminada a exportação das faixas de áudio, é hora de exportar um arquivo MIDI contendo o tempo e compasso do projeto.

De volta ao Sonar, apague todas as pistas de áudio, mantendo apenas pistas simples com conteúdo MIDI. Verifique novamente se os nomes das pistas estão corretos. Vá em Arquivos – Salvar Como…

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Escolha o tipo MIDI FORMAT 1 como na figura acima e salve na mesma pasta onde se localizam os arquivos de áudio criados no passo anterior, nomeando o arquivo de forma a informar o conteúdo.

Esse arquivo conterá, além das pistas MIDI, o BPM e o compasso da trilha, bem como outras informações úteis para a migração para outras DAWs.

Agora basta manter esses arquivos de áudio e MIDI num backup de segurança.

PASSO 6 – CRIANDO UM PROJETO NO REAPER A PARTIR DE ÁUDIO/MIDI EXPORTADOS DO SONAR

Abra o Reaper e crie um novo projeto. Com a guia ou cursor de play estando em 1.1.00 / 0:00.000, vá em Insert – Media file. Localize e selecione o arquivo MIDI. A seguinte janela de opções será apresentada:

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O Ìtem “Import xx MIDI markers/cues as project markers” é opcional. Os demais são necessários para inclusão posterior dos arquivos de áudio correspondentes ao arquivo MIDI. Faça sua escolha e clique em OK. A seguinte caixa de diálogo poderá ser apresentada, oferecendo a possibilidade de dividir os canais usados por algumas das pistas MIDI:

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Escolha “Single Channel…” apenas se considerar necessário.

Após a importação dos dados de MIDI, é hora de importar os arquivos de áudio. Uma ação importante neste momento é criar uma nova pista abaixo da última e clicar nela para que esteja selecionada. Clique duas vezes na área escura abaixo da última pista ou use o atalho CTRL + T.

Novamente com a guia ou cursor de play estando em 1.1.00 / 0:00.000 vá em Insert – Media file e selecione todos os arquivos WAVE. A seguinte caixa de diálogo será apresentada:

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Escolha “Separate Tracks”. O processo pode demorar algum tempo dependendo da quantidade de arquivos WAVE.

Assim que terminado, é conveniente salvar imediatamente o projeto indo em File – Save project. Escolha o local onde seu projeto será salvo, escreva um nome, marque as opções “Create subdirectory for project” e “Copy all media into project directory” e clique em Savar.

Neste momento é possível ouvir os áudios perfeitamente sincronizados entre si e com os arquivos MIDI originais, tudo com o tempo e o compasso corretamente definidos de acordo com o projeto original do Sonar. Agora basta regular os panoramas e inserir plugins de acordo com as informações contidas no arquivo info.txt.

Tudo pronto. Bom trabalho!

Sobre leis e salsichas

Todo esse caso da carne adulterada produzida pelas famílias Batista (Friboi/JBS) e Diniz (BR Foods) causou um enorme furor. Praticamente toda carne que o brasileiro come vem dessas duas empresas. Sadia, Perdigão, Seara etc. são todas marcas que pertencem a esses grupos.

Começou então uma batalha nas redes sociais entre comedores de carne furiosos e uns poucos vegetarianos e veganos que se arriscaram a dar umas risadas públicas com a situação.

Lembro aos amigos veganos que ser sensível a dor dos animais sem ser sensível a dor de barriga do próximo não condiz com a conduta de vida das Testemunhas de Jeovegan.

Ok, ponto final aqui.

Eu entendo a indignação das pessoas. Imagino que descobrir de repente que a comida que está alimentando meus filhos está sendo maquiada com aditivos químicos perigosos não é nada engraçado. Eu lamento pelos meus amigos e pela minha família.

Mas, a priori, você é responsável pelo que põe na própria boca e na boca dos seus filhos. E não é o ataque a pessoa física que vai resolver o problema. E se você confia na palavra de empresas, atores famosos e agências de inspeção do governo, é melhor parar de fazer isso o quanto antes. A qualidade e saudabilidade (existe essa palavra?) do alimento está diretamente ligada ao modo como ele é produzido. Se você não tem a mínima ideia de como sua comida é feita, tem duas alternativas: 1) continuar sem saber e confiar na auto regulação do mercado e na competência do governo ou 2) tentar descobrir e tomar decisões a partir daí.

Um sujeito chamado Jonathan, preocupado ao ficar sabendo que logo seria pai, resolveu seguir a opção 2 e pesquisar um pouco sobre como é produzida a carne que alimentaria seu filho. O resultado da pesquisa acabou virando um livro. Comer animais, de Jonathan Safran Foer, é um estudo minucioso da produção de carne nos EUA (que define o rumo da indústria no mundo). Um livro escrito em primeira pessoa, de forma leve, eu diria até bem humorada, bastante imparcial e sem um pingo de radicalismo, recheado de dados e fontes mas com linguagem simples e direta.

Recomendo a leitura. Caso tenha se interessado, tem pra vender na Amazon ou você pode encontrar em formato epub “livre” na web.

Abaixo reproduzo um trecho particularmente interessante que mostra bem a sanha da indústria de carne em produzir e lucrar sempre mais gastando menos. E como o governo, qualquer governo, cumpre seu papel de vassalo. Isso não é novo e não está evoluindo para melhor ou para o bem comum, tenha isso em mente. Não é o trecho mais leve do livro mas é o único que resume o processo do começo ao fim.

Leia se quiser ou não leia, a escolha é sua. Só não venha me encher o saco enquanto dou minhas gostosas risadas.

A vida e a morte de uma ave

A segunda propriedade rural que visitei com C estava organi­zada numa série de vinte galpões, cada um deles com 13 metros de largura por 150 de comprimento e abrigando um número aproxi­mado de 33 mil aves. Eu não tinha uma fita métrica comigo e nem condições de fazer qualquer coisa semelhante a uma contagem de cabeças. Mas posso fornecer esses números com confiança porque tais dimensões são típicas na indústria aviária — embora alguns criadores estejam agora construindo galpões maiores: de até de­zoito por 154 metros, abrigando cinquenta mil aves ou mais.

É difícil visualizar a magnitude de 33 mil aves num mesmo am­biente. Não precisa ver por si mesmo, nem sequer fazer as contas, para entender que as coisas por ali ficam bastante amontoadas. Em suas Normas para o Bem-Estar Animal, o National Chicken Council (Associação Nacional do Frango) indica a densidade de criação apropriada de oito décimos de um pé quadrado por ave (equivale aproximadamente a 743 centímetros quadrados. Uma folha A4 mede 623,7 centímetros quadrados). É isso o que uma das principais organizações representantes dos produtores de frango considera bem-estar animal, o que nos mos­tra o quão completamente cooptadas as ideias do que seja bem-estar se tornaram — e por que não podemos confiar nos rótulos que vêm de todos os lugares, exceto de uma terceira fonte confiável.

Vale a pena parar aqui por um instante. Embora muitos ani­mais vivam com bem menos, vamos partir do pressuposto de menos de um pé quadrado. Tente visualizar. (É improvável que algum dia você veja pessoalmente o interior de uma granja, mas há muitas imagens na internet se a sua imaginação precisar de ajuda.) Pegue um pedaço de folha A4 para impressora e imagine uma ave adulta, com formato semelhante ao de uma bola de fu­tebol americano com patas, de pé sobre a folha de papel. Imagine 33 mil desses retângulos numa grade. (Frangos de corte nunca ficam em gaiolas e nunca em vários níveis.) Agora, coloque a grade dentro de paredes sem janelas, com um ventilador no teto. Insira nesse cenário sistemas de alimentação (guarnecida com drogas), água, aquecimento e ventilação. Isso é uma granja.

Agora, vamos à maneira como as coisas são feitas.

Primeiro, encontre uma galinha que cresça rápido com o mí­nimo de comida possível. Os músculos e tecidos de gordura dos frangos de corte projetados recentemente crescem bem mais do que seus ossos, levando a deformidades e doenças. Algo entre 1 e 4% dessas aves morrerão retorcendo-se em convulsões devido à síndrome da morte súbita, uma doença quase desconhecida fora das granjas de criação intensiva. Outra doença induzida por essas granjas industriais, em que o excesso de fluidos enche a cavidade corporal, a ascite, mata ainda mais (5% das aves do mundo). Três a cada quatro aves terão algum grau de defeito ao caminhar, e o senso comum sugere que sentem dor crônica. Uma a cada qua­tro terá tantos problemas ao caminhar que não há dúvidas de que sentirá dor.

Para os frangos de corte, deixe as luzes acesas cerca de 24 horas por dia durante a primeira semana de vida dos pintos, mais ou menos. Isso os encoraja a comer mais. Depois, apague as luzes um pouco, dando-lhes cerca de quatro horas de escuridão por dia — sono suficiente para que sobrevivam. É claro que as galinhas enlouquecem se forem obrigadas a viver em condições tão antinaturais por muito tempo — as luzes, o modo como ficam comprimi­das e o fardo de seus corpos grotescos. Pelo menos, os frangos de corte em geral são abatidos no 42º dia de vida (ou, cada vez mais, no 39º), então ainda não estabeleceram hierarquias sociais pelas quais brigar.

Desnecessário dizer que aves comprimidas, deformadas, dro­gadas e com estresse demais num lugar fechado, imundo e for­rado de excrementos não vivem em situação muito saudável. Além das deformidades, danos aos olhos, cegueira, sangramento interno, infecção bacteriana dos ossos, vértebras deslocadas, pa­tas e pescoços tortos, doenças respiratórias e sistema imunológico enfraquecido são problemas frequentes e duradouros em granjas industriais. Estudos científicos e registros do governo sugerem que praticamente todas as galinhas (mais de 95%) acabam infec­tadas pela E. coli (um indicador de contaminação fecal), e entre 39 e 75% delas ainda continuarão infectadas na comercialização. Cerca de 8% das aves têm infecção por salmonela (menos do que anos atrás, quando pelo menos uma em cada quatro aves era in­fectada, o que ainda ocorre em algumas criações). Entre 70 e 90% são infectadas por outro patógeno potencialmente mortal, o campilobacter. Banhos de cloro são comumente usados para remover o muco, o odor e as bactérias.

Claro, os consumidores talvez percebam que o sabor de suas galinhas não anda muito bom — e como poderia um animal entu­pido de drogas, doente e contaminado por merda ter gosto bom? —, mas “caldos” e soluções salinas serão nelas injetados, coloca­dos de algum modo, no interior de seus corpos, para deixá-los com o que passamos a considerar o aspecto, o cheiro e o gosto da galinha. (Um estudo recente da Costumer Reports descobriu que produtos feitos com carne de galinha e de peru, muitos deles rotulados como naturais, “continham de 10 a 30% de seu peso em caldo, condimentos ou água”.)

Terminada a etapa da criação, é chegada a hora do “processa­mento”.

Em primeiro lugar, você vai ter que encontrar empregados para colocar as aves em engradados e manter o ritmo da produção que irá transformar as aves vivas e íntegras em pedaços embru­lhados com plástico. Precisará estar sempre procurando empre­gados, já que a taxa anual de rotatividade de pessoal excede 100%. (As entrevistas que fiz sugerem que fica em torno de 150%.) Dá-se preferência a imigrantes ilegais, mas imigrantes pobres que não falem inglês também são desejáveis. Pelos padrões da comu­nidade internacional, as condições de trabalho típicas dos abatedouros americanos constituem violação dos direitos humanos; para você, elas constituem uma forma crucial de produzir carne barata e alimentar o mundo. Pague a seus funcionários um salário mínimo, ou perto disso, para juntar as aves — segurando cinco em cada mão, de cabeça para baixo, pelas pernas — e amontoe-as em engradados para o transporte.

Se sua linha de produção funciona na velocidade adequada — 105 frangos postos em engradados por um único trabalhador em 3,5 minutos é a média esperada, segundo vários apanhadores que entrevistei —, as aves serão manipuladas sem cuidados e, como também me contaram, os trabalhadores com frequência sentem os ossos das aves se partindo em suas mãos. (Cerca de 30% de to­das as aves vivas que chegam ao abatedouro têm ossos que acaba­ram de se partir, como resultado de sua genética de Frankenstein e do tratamento descuidado.) Nenhuma lei as protege, mas é claro que há leis sobre como você pode tratar os empregados, e esse tipo de trabalho tende a deixá-los com dores durante vários dias seguidos, então, mais uma vez, certifique-se de que as pes­soas que contrata não terão condições de reclamar. Pessoas como “Maria”, empregada de uma das maiores processadoras de fran­gos na Califórnia, com quem passei uma tarde. Depois de mais de quarenta anos de trabalho e cinco cirurgias devido a problemas físicos relacionados ao trabalho, Maria já não consegue usar as mãos nem para lavar pratos. Sente tanta dor o tempo inteiro que passa as noites com os braços mergulhados em água com gelo e, com frequência, não consegue dormir sem remédios. Recebe oito dólares por hora, e pediu que eu não usasse seu nome verdadeiro, com medo de represálias.

Coloque os caixotes em caminhões. Ignore extremos climáticos e não dê comida nem água às aves, mesmo que o abatedouro este­ja a centenas de quilômetros dali. Ao chegar ao abatedouro, faça mais funcionários pegarem as aves, pendurá-las de cabeça para baixo pelas patas em grilhões de metal, colocando-as numa es­teira transportadora. Mais ossos serão quebrados. Com frequên­cia, os gritos das aves e o barulho de suas asas batendo serão tão fortes, que os trabalhadores não conseguirão escutar a pessoa que estiver a seu lado na linha de abate. Com frequência, as aves vão defecar de dor e pavor.

A esteira transportadora arrasta as aves por uma banheira de água eletrificada. Isso provavelmente as paralisa, mas não as tor­na insensíveis. Outros países, incluindo vários países europeus, requerem (legalmente, pelo menos) que as galinhas fiquem in­conscientes ou sejam mortas antes da sangria e do escaldamento. Nos Estados Unidos, onde a interpretação do USDA da Lei dos Métodos Humanitários de Abate exclui o abate de aves, a voltagem é mantida baixa — cerca de um décimo do nível necessário para deixar os animais inconscientes. Depois de passar pelo ba­nho, os olhos de uma ave paralisada talvez ainda se movam. As vezes, elas terão suficiente controle do corpo para abrir devagar o bico, como se tentassem gritar.

O passo seguinte na linha de abate para a ave imobilizada-porém-consciente será um cortador automático de pescoço. A me­nos que as artérias principais não sejam atingidas, o sangue vai se esvair devagar. De acordo com outro trabalhador com o qual fa­lei, isso acontece “o tempo todo”. Então, mais alguns trabalhado­res são necessários para atuar como reservas no abate — “matado­res” — que cortam o pescoço das aves que a máquina não cortou. A menos que eles também não consigam cortá-los, o que, pelo que me falaram, acontece igualmente “o tempo todo”. Segundo o National Chicken Council — representantes da indústria —, cer­ca de 180 milhões de galinhas são abatidas de modo inadequado a cada ano. Quando lhe perguntaram se esses números o inco­modavam, Richard L. Lobb, o porta-voz do conselho, suspirou: “O processo termina em questão de minutos.”

Falei com numerosos funcionários responsáveis por apanhar os frangos, pendurá-los e matá-los que descreveram aves vivas e conscientes indo para o tanque de escaldamento. (Estimativas do governo obtidas através da Lei da Liberdade de Informação su­gerem que isso acontece com quatro milhões de aves a cada ano.) Já que fezes na pele e nas penas terminam nos tanques, as aves saem cheias de patógenos que podem ter inalado ou absorvido através da pele (a água quente dos tanques ajuda a abrir os poros).

Depois que as cabeças das aves são arrancadas e seus pés, re­movidos, máquinas as abrem com uma incisão vertical e removem suas entranhas. A contaminação com frequência acontece nessa etapa, já que as máquinas de alta velocidade comumente rasgam os intestinos das aves, liberando fezes para o interior da cavidade corporal. No passado, inspetores do USDA tinham que conde­nar qualquer ave com qualquer tipo de contaminação fecal. Mas, há cerca de trinta anos, a indústria aviária convenceu o USDA a reclassificar fezes para poder continuar usando esses evisceradores mecânicos. Outrora um agente perigoso de contaminação, as fezes agora são classificadas como “defeitos cosméticos”. Como resultado, os inspetores condenam metade dos animais que con­denariam. Talvez Lobb e o National Chicken Council apenas suspirem e digam: “As pessoas acabam por eliminar as fezes em questão de minutos.”

Em seguida, as aves são inspecionadas por um oficial do USDA, cuja função aparentemente é manter o consumidor a salvo. O ins­petor tem mais ou menos dois segundos para examinar cada ave por dentro e por fora, tanto a carcaça quanto os órgãos, em bus­ca de mais de uma dúzia de diferentes doenças e anormalidades suspeitas. Ele, ou ela, inspeciona 25 mil aves por dia. O jornalista Scott Bronstein escreveu para o Atlanta Journal-Constitution uma série notável sobre a inspeção de aves, que devia ser leitura obri­gatória para todo mundo que considera a hipótese de comer gali­nha. Ele entrevistou quase cem inspetores do USDA em 37 abatedouros. “A cada semana”, relata, “milhões de galinhas com pus amarelo escorrendo, manchadas por fezes verdes, contaminadas por bactérias nocivas ou prejudicadas por infecções pulmonares e cardíacas, tumores cancerígenos ou problemas de pele são envia­das aos consumidores.”

Em seguida, as galinhas vão para um imenso tanque refrige­rado, onde milhares de aves são resfriadas, em conjunto, na água. Tom Devine, do Government Accountability Project (Projeto de Responsabilidade Governamental), disse que “a água nesses tan­ques foi apropriadamente chamada de ‘sopa fecal’, devido a toda a imundície e bactérias que flutuam ali. Ao imergir aves limpas e saudáveis no mesmo tanque com as sujas, você está praticamente assegurando a contaminação”.

Enquanto um número significativo de processadores de aves europeus e canadenses empregam sistemas de resfriamento a ar, 99% dos produtores de aves nos Estados Unidos permanecem com seus sistemas de imersão e enfrentam processos tanto dos consumidores quanto da indústria da carne bovina para conti­nuar com o uso antiquado do resfriamento pela água. Não é difícil descobrir por quê. O resfriamento a ar reduz o peso da carcaça, enquanto o resfriamento pela água a deixa encharcada (da mesma água conhecida como “sopa fecal”). Um estudo revelou que o mero ato de embalar as carcaças das galinhas em sacos plásticos durante o processo de resfriamento eliminaria a contaminação. Mas isso também eliminaria uma oportunidade para a indústria transformar água suja em peso adicional na comercialização das aves, num valor de dezenas de milhões de dólares.

Não faz muito tempo, havia um limite de 8%, estabelecido pelo USDA, de quanto líquido absorvido podia ser incluído no preço de carne ao consumidor antes que o governo tomasse uma atitude. Quando isso se tornou de conhecimento público, na dé­cada de 1990, houve um compreensível clamor. Os consumidores processaram a prática, que lhes parecia não apenas repulsiva mas uma adulteração. Os tribunais concluíram que a regra dos 8% era “arbitrária e extravagante”.

Ironicamente, porém, a interpretação do USDA das determi­nações legais permitiu que a indústria de frangos fizesse suas pró­prias pesquisas para avaliar qual o percentual de carne que devia ser composto de água suja e clorada. (Esse é um resultado bastan­te comum quando se desafia a indústria do agronegócio.) Após consulta à indústria, a nova lei permite um pouco mais de 11% de absorção de líquido (o percentual exato é indicado em letras miúdas na embalagem — dê uma olhada da próxima vez). Assim que a atenção do público se deslocou para outra direção, a indús­tria de aves distorceu em seu próprio benefício regulamentos que deveriam proteger os consumidores.

Os consumidores dos Estados Unidos doam agora milhões de dólares adicionais aos grandes produtores de aves, a cada ano, como resultado desse líquido adicionado. O USDA sabe e defende a prática. Afinal, os processadores de aves estão, como tantos criadores de granjas industriais gostam de dizer, apenas fazendo o melhor possível para “alimentar o mundo”. (Ou, nesse caso, ga­rantir sua hidratação.)

O que descrevi não é excepcional. Não é o resultado de trabalha­dores masoquistas, de maquinário defeituoso ou de “maçãs po­dres”. É a regra. Mais de 99% de todas as galinhas vendidas por sua carne nos Estados Unidos vivem e morrem desse jeito.

Em muitos aspectos, os sistemas de granjas industriais podem variar consideravelmente, por exemplo, no percentual de aves es­caldadas vivas por acidente durante o processo, ou na quantidade de sopa fecal que seus corpos absorvem. Trata-se de diferenças significativas. Em outros aspectos, porém, granjas industriais — bem ou mal administradas, com animais criados soltos ou não — são basicamente as mesmas: todas as aves vêm de bandos gené­ticos frankensteinianos; todas são confinadas; nenhuma desfruta da brisa ou do calor do sol; nenhuma tem condições de dar vazão a todos os traços de comportamento característicos de sua espécie (em geral, não tem condições de dar vazão a nenhum deles), como fazer ninho, empoleirar-se, explorar seu ambiente e for­mar unidades sociais estáveis; as doenças são sempre em enorme quantidade; o sofrimento é sempre a regra; os animais são sempre apenas uma unidade, um peso; a morte é invariavelmente cruel. Essas similaridades importam mais do que as diferenças.

A vastidão da indústria aviária significa que, se há alguma coisa errada com o sistema, há alguma coisa terrivelmente errada com nosso mundo. Hoje, anualmente, seis bilhões de galinhas são criadas mais ou menos nessas condições na União Européia, mais de nove bilhões, na América, e mais de sete bilhões, na China. A população da Índia, superior a um bilhão, consome muito pou­ca carne de frango per capita, mas o total ainda soma um bilhão de aves criadas em granjas industriais por ano, e esse número está aumentando, assim como na China, a taxas agressivas e global­mente significativas (com frequência o dobro do crescimento da indústria aviária nos Estados Unidos, que aumenta rapidamen­te). No total, são cinquenta bilhões de aves em granjas industriais no mundo, e o número está aumentando. Se a Índia e a China em algum momento começarem a consumir frangos nos níveis em que os Estados Unidos os consomem, isso elevaria a mais do que o dobro esse número já estarrecedor.

Cinquenta bilhões. A cada ano, cinquenta bilhões de aves são obrigadas a viver e morrer desse jeito. Não se pode subestimar o quão revolucionária e relativamente nova é essa realidade — o número de aves criadas em granjas industriais era zero antes da experiência de Celia Steele em 1929. E não estamos apenas crian­do galinhas de um jeito diferente; estamos comendo mais gali­nhas: os americanos comem 150 vezes mais aves do que comiam há apenas oitenta anos.

Outra coisa que poderíamos dizer sobre esses cinquenta bi­lhões é que são calculados com a maior meticulosidade. Os esta­tísticos que geram a cifra de nove bilhões nos Estados Unidos a decompõem por mês, por estado e pelo peso da ave, e a comparam — todos os meses, sem exceção — ao número de aves abatidas um ano antes. Esses números são estudados, debatidos, projetados e praticamente reverenciados como objeto de culto pela indústria. Não são meros dados, mas o anúncio de uma vitória.

(Comer animais, Jonathan Safran Foer, Editora Rocco, 2009, páginas 133-141)

 

O Kindle é bom mas é ruim

Olá

Daí que nesse último blackfriday eu troquei de Kindle porque vi que o modelo básico novo era mais leve. Cento e sessenta gramas, se não me engano. Meu Paperwhite 3G era pesado, uns duzentos e pouco. Sim, considero muito pesado.

Nesse interim entre vender o Kindle e comprar o Kindle, usei por um tempo um Kobo touch da primeira geração e também experimentei o Kindle Keyboard da 2ª e da 3ª geração e o modelo básico sem touch.

Daí que percebi que o Kindle tem uma ergonomia meio bosta e talvez apenas o básico sem touch se salve.

O Kobo encaixava bem melhor na minha mão. Arestas bem definidas e traseira com aquele plástico emborrachado e tal. O Kindle novo (8ª versão) tem aquele plástico de painel de carro popular, não dá pegada. Além da borda um tantinho mais estreita e toda arredondada. Mesmo leve não dá segurança na empunhadura pelas laterais. É um sabonete.

Então esses dias acabei descolando um Kobo Glo que apesar de ter o mesmo peso que um Paperwhite tem uma pegada muito muito melhor.

Mas o soft perde pro sistema da Amazon sem sombra de dúvida. Fora o whispernet que é algo fenomenal. No Kobo a coisa mais próxima é a integração com o Pocket.

Então daí que antes de decidir realmente abandonar a Amazon (e só voltar quando o Oasis não custar uma livraria inteira) preciso encontrar uma solução decente para ler os meus feeds.

No Kindle uso um negócio maravilho que é o Kindle4RSS. Ele pega todos os sites que acompanho, junta as novidades diárias num ebook bem feitinho e manda para o email do meu Kindle automaticamente. E custa só 2 trumps por mês.

Passei hoje a tarde tentando descobrir como fazer isso com o Kobo e simplesmente não existe nada igual. Tentei o IFTTT mas é um trem meio complicado.

Encontrei um paliativo chamado Feedhuddler. Ele pega os feeds e manda pro Pocket. E o Pocket manda pro Kobo. A desvantagem é que ele não junta os posts num ebook só, portanto tenho que ir apagando cada artigo depois de ler. É um aborrecimento a mais principalmente porque tenho o hábito de pular muita coisa.

Pelo menos é gratuito e aceitou mais de 60 feeds. Vamos ver como vai ser no dia-a-dia.

Como tive que copiar e colar cada link de feed porque ele não aceita upload de OPML, acabei revisando um por um os sites que sigo. Muitos nem existiam mais ou o link estava desatualizado. Tava deixando de receber muita coisa.

Bom, é isso que eu tinha pra falar. 🙂

Taí a lista dos sites que acompanho, de repente você encontra algo interessante pra acompanhar:

http://homensdacasa.blogspot.com
http://colofao.com.br
http://nexojornal.com.br
http://riscafaca.com.br
http://justwrapped.me
http://sexodrogaseroquenrol.blogspot.com
http://gizmodo.uol.com.br
http://www.boletimleituras.com.br
https://davidarioch.com
http://academiadolivreiro.com.br
http://jornalivros.com.br
http://www.oeco.com.br
http://livrariapodoslivros.blogspot.com
http://www.apolo11.com
http://www.dicta.com.br
http://manualdousuario.net
http://www.digestivocultural.com
http://www.livrosepessoas.com
http://ryotiras.com
http://vista-se.com.br
http://catarro.blogspot.com
http://janio.sarmento.org
http://tiatiz.wordpress.com
http://relatividade.wordpress.com
http://nunciusaustralis.blogspot.com
http://www.coletivoverde.com.br
http://contraditorium.com
http://scienceblogs.com.br/rainha/
http://revolucao.etc.br
http://www.b9.com.br
http://consciencia.blog.br
http://naogostodeplagio.blogspot.com
http://feeds.feedburner.com/umsabadoqualquer/olOP
http://www.oene.com.br
https://rodrigoghedin.wordpress.com
http://distritovegetal.wordpress.com
http://sundaysun.wordpress.com
http://sushidekriptonita.blogspot.com
http://ecodigital.blogspot.com
http://asbicicletas.wordpress.com
http://ceticismo.net
https://medium.youpix.com.br/
http://mentirinhas.com.br
http://livroseafins.com
http://francionetraduzido.blogspot.com
http://woodgreenbookshop.blogspot.com
http://meiobit.com
http://www.cafecolombo.com.br
http://revolucaodacolher.blogspot.com
http://www.imprenca.com
http://ebookpress.wordpress.com
http://www.tiposdigitais.com
http://www.stephenking.com.br
http://silviomunari.wordpress.com
http://papodehomem.com.br
http://www.olharanimal.net
http://menos.vc
http://www.atahtiamat.com.br
http://opiniaovegana.blog.br
http://www.brasilpost.com.br
http://www.gluckproject.com.br
http://ano-zero.com
http://confeitariamag.com
http://oxisdoproblema.com.br
http://projetodraft.com
http://www.vice.com

 

Eu tenho uma boa notícia

pra quem acompanhou o diarinho da construção do meu arcade e está pacientemente esperando que eu publique um ponto final no assunto!
Stewie-Is-Excited-Brian-Griffin-Is-Alive-Again-On-Family-Guy-

Eu resolvi que, para fechar com chave de ouro, não basta um simples resumo no meu blog. Não, senhor! É com grande alegria e satisfação que venho por meio desta anunciar a pré-venda do livro PROJETO ARCADE!

Venda?!

Sim, venda. Não existe almoço grátis, filho. Mas calma, é barato, apenas dois dólares, o que na cotação de hoje deve dar mais ou menos meio salário mínimo. Mas compre, ajude o Betinho a comer caviar (vegetal) e beber cidra Cereser, please!

O livro está quase pronto e traz mais de 60 fotos e ilustrações detalhadas. Nele descrevo o processo de montagem e dou alguns macetes e dicas essenciais pra quem vai se aventurar a construir sua própria máquina de videogame.

O ebook já está em pré-venda e será distribuído única e exclusivamente pela Amazon. Você poderá ler no seu ereader Kindle, smartphone ou tablet android, iPad ou iPhone e até mesmo no seu computador pc ou mac, porque o aplicativo da Amazon está disponível para Android, iOS e desktop.

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São apenas dois obamas na promoção de lançamento. O que é que você está esperando? Corre comprar!