Binóculo Orion Explorer 10×50 – um review

No ano de Nosso Senhor de 1986, quando o cometa Halley passou perto da Terra, eu fui uma das muitas crianças que miraram os céus tentando entender o que era aquele fenômeno. No meio do hype em que o mundo entrou, foi com uma luneta bem simples que vi aquele risquinho insosso. Não encontrei uma foto dessa luneta, que era até que bem bacana, então fique com essa foto da Turma do Bambalalão como substituto.

bambalalao

Enfim, volta e meia me pego observando as estrelas desde então, esperando minha Gigi descer com sua nave e me levar para o planeta Amor.

Acontece que esses dias eu fiz aniversário e resolvi me presentear com um telescópio pra observar melhor as estrelas. Sempre quis um mas nunca tive coragem de comprar, imaginando que logo ele ficaria abandonado num canto, me envergonhando secretamente.

O fato é que fui atrás de um telescópio e acabei voltando com um binóculo.

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Quando comecei a pesquisar por modelos de telescópios fiquei animado ao me deparar com preços de R$ 50,00 a R$ 100,00. Pensei que iria ser barato brincar de Galileu. Ledo engano. Assim que comecei a estudar um pouco sobre astronomia amadora, primeiros passos para iniciantes e etc, vi que o caminho não é esse.

Praticamente todo astrônomo amador ou profissional que se dedicou a escrever orientando iniciantes foi enfático ao indicar em primeiro lugar, além da observação a olho nu e um prévio estudo sobre a localização dos objetos celestes, um bom par de binóculos.

As razões para isso são muitas. Em resumo, seriam: ter uma visão mais ampla, usando ambos os olhos (se você não for um pirata) e com praticidade.

Com um telescópio (dos bons) você veria um pouco mais longe porém com campo reduzido. Poderia enxergar as luas de Júpiter com alguma facilidade e ver com algum detalhe os anéis de Saturno, desde que aprendesse o manuseio correto, montagem e desmontagem cuidadosa, aprendendo a apontá-lo para as regiões certas no céu etc. Mas acontece que um telescópio que poderia dar esse prazer, apresentando imagens nítidas, não custa 100, 200 ou 300 reais, além de exigir bastante paciência.

Por outro lado, com um binóculo de abertura focal de 50 mm e que aumenta 10 vezes (10×50), que é a medida padrão para uso na astronomia, você pode ver com detalhes suficientes várias coisas ocultas pela distância.

Como isso que acabei de falar não diz muito em termos práticos, veja essa imagem onde tento mostrar o que vi numa noite não muito limpa usando esse binóculo:

Clique para engrandalhecer
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São as Plêiades, um aglomerado de estrelas muito próximas que a olho nu se mostram como um pequeno borrão esbranquiçado que passa desapercebido no negror noturno. Numa espiada rápida para esse pequeno ponto no céu, o binóculo que não parecia grande coisa mostrou seu poder honesto. Fiquei assombrado ao me deparar com um punhado de estrelas brilhantes que estão amontoadas ali. O quadro com o detalhe mostra a ampliação em dez vezes, mais ou menos o que vi. Mas estou me adiantando, vamos ao review.

Orion Stargazing Kit

Ficou claro depois de alguma pesquisa que eu não encontraria um telescópio ou binóculo bons por um preço baixo nas lojas de eletrônicos ou que vendem de tudo. No Brasil, as opções de qualidade estão limitadas a algumas poucas lojas especializadas. É um segmento de produtos caros, infelizmente. Encontrei esse binóculo na loja Astroshop e foi o que pareceu o melhor para o meu caso.

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O Orion Stargazing Kit é composto por um binóculo Orion modelo Explorer 10×50 WA com bolsa e tiras, um CD com o programa Starry Night Orion Special Edition, um mapa celeste e uma mini lanterna de luz vermelha.

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O 10×50 significa que ele tem lentes de 50 milímetros e que aumenta dez vezes. As letras WA significam que ele tem lentes grande-angulares (Wide Angle), o que quer dizer que esse tipo de binóculo tem um campo de visão particularmente amplo. Mais sobre esse detalhe aqui.

Outras características técnicas:

  • Campo de visão linear de 104m./914m
  • Campo de visão aparente: 6.5°
  • Conforto visual: 14.5mm
  • Saída de pupila: 5.0mm
  • Foco mínimo: 7m
  • Revestimento ótico: Fully-coated
  • Prismas: BAK-7 Porro
  • Ajuste de dioptria

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Acessórios

O mapa celeste, mesmo parecendo muito prático, é inútil pois só se aplica a regiões entre as latitudes 30 e 50. Aqui estou na -21. O programa Starry Night parece ter mais recursos que o excelente e gratuito Stellarium. A lanterna de LED vermelho é de metal e aparenta ser de alguma qualidade. Sua função é iluminar a carta celeste no escuro, sem ofuscar a vista.

O que vi e como vi

Além das Plêiades, pude observar Júpiter, que estava bem brilhante naquela noite, e as Três Marias. Também havia uma estrela muito brilhante próxima a Júpiter, que provavelmente era Aldebarã. Até que a noite foi bem proveitosa apesar de estar um tanto quanto nublada.

O binóculo pesa um quilo e tem o corpo todo emborrachado. Não é grande, mas com mãos pequenas é um pouco difícil regular o foco sem mudar a empunhadura.

É um pouco incomodo apontá-lo pro céu num angulo maior que 45 graus. O pescoço dói depois de alguns minutos. Um apoio faz falta às vezes, porque a tendência é que as estrelas fiquem dançando. O melhor é estar sentado ou mesmo deitado. O binóculo tem uma rosca entre as objetivas, o que possibilita afixá-lo num tripé de câmera comum se você usar um adaptador.

Alguns binóculos maiores, com medidas de 20×80, por exemplo, oferecem um nível de detalhes bem maior mas são muito difíceis de serem usados sem um tripé. Na astronomia, o limite de 10×50 é considerado o ideal para observações rápidas. Binóculos com medidas menores, 7×35, por exemplo, são mais indicados para observação de paisagem e pássaros, mas nada impede seu uso para observações astronômicas. O interessante dos 10×50 é justamente serem versáteis o suficiente para uso geral.

Também pude observar a Lua, que apareceu mais tarde e estava muito iluminada. Ela ficou com um bom tamanho e com muitos detalhes, mais ou menos assim:

lua

Conclusão

Concluindo, se você estiver procurando um telescópio para observar o céu, considere antes um binóculo. Sairá mais barato, será mais fácil de usar, muito mais prático e polivalente. Segundo o que li, todo astrônomo profissional ou amador deve começar com um e tê-lo como complemento. Fuja de marcas genéricas e daqueles que prometem ampliar 100, 200 vezes ou você pode acabar se decepcionando.

Se estiver convicto de que quer um telescópio mesmo, prepare-se para desembolsar uma boa grana ou jogar dinheiro fora com esses modelos baratos. Um modelo de telescópio que vale a pena é o Galileoscopio, se você estiver disposto a importar e pagar os impostos.

Você encontra muita informação sobre astronomia amadora e equipamentos nos seguintes endereços:

Iniciação as observações astronômicas

Binóculos para astronomia

Cosmobrain

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2 comentários sobre “Binóculo Orion Explorer 10×50 – um review

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