Nada acontece em Pirassununga

Minto, porque às vezes acontece, mas quase sempre é algo ruim.

Depois de montar o portal de clippings de notícias sobre a cidade (Pirassununga.org), passei a acompanhar com mais atenção o dia a dia dessa minha querida Sucupira. Com alguns meses trabalhando nesse projeto, duas coisas ficaram bem claras para mim (além do título desse artigo): desgraças familiares e jornalismo rasteiro existem em todo lugar.

No dia 11 desse mês, um garoto de 15 anos matou a avó com cinco facadas. O motivo do crime, divulgado pela imprensa local, foi que a avó o proibiu de jogar vídeo game por estar indo mal na escola. O caso aconteceu num bairro nobre da cidade e teve bastante repercussão, saindo matéria até mesmo no JN da Globo. Sendo Pirassununga uma cidade tranquila e sendo esse o segundo homicídio no ano, o caso ganhou bastante visibilidade.

O ponto é que foi logo esclarecido que no computador do menino residia o grande mal eterno, o culpado por boa parte da violência dos últimos anos, malignamente disfarçado na forma de um jogo eletrônico chamado GTA.

A revista Superinteressante, numa matéria especial da edição de maio de 2011, disse que “há 69 milhões de psicopatas no mundo, o que dá 1% da população em geral”. Ou seja, uma em cada cem pessoas pode ser perigosa de verdade. E é justamente na adolescência, por volta dos 15 anos, que o distúrbio se manifesta. E isso pode ocorrer sem problemas sociais, ou seja, o sociopata ou psicopata pode passar despercebido em muitos casos e rapidamente “aprender a viver” com discrição. Psicopatas são responsáveis ??por 50% de todos os crimes mais graves, incluindo a metade de todos os serial killers e estupradores reincidentes (fonte).

Mesmo com todas essas evidências e estudos, todos devidamente disponíveis na Internet, os fatos continuam sendo jogados para segundo plano.

Parece que é muito mais fácil para a imprensa em geral desconsiderar essas informações e manter o mito de que videogame estimula a violência de tal maneira que uma criança pode matar a avó por causa dele. Da mesma forma, é economicamente mais vantajoso (leia-se vende mais jornal) alardear que isso é um reflexo do caos moderno e do fim do mundo iminente ao invés de por as coisas na perspectiva austera e científica de que alguns de nós simplesmente não funcionam bem em sociedade.

Resolvi escrever sobre esse caso porque hoje li uma notícia que se encaixa na mesma questão.  Foi divulgado que Anders Behring Breivik, o atirador norueguês que assassinou 77 pessoas no ano passado, usou o jogo Call of Duty como treinamento para os ataques.

Os dois casos, distantes em vários sentidos, têm o videogame e a psicopatia em comum. Se por um lado a desordem mental não convence como causa de tantos infortúnios, o videogame pode ser o bode expiatório que sacia a loucura de muita gente.

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