Estou lendo

um livro chamado “Apocalipse motorizado”, que caiu na minha mesa vindo não sei de onde. É uma coletânea de ensaios de vários autores e está recheado de textos politizados de esquerda, aquele papo de burguesia, capitalismo, classe social, essas coisas, mas sendo que o tema gira em torno de motivos para se destruir todos os malditos carros e transformar a bicicleta na salvação da humanidade, o conteúdo é bem interessante.

 

Abaixo, transcrevo um trecho significativo. Leia e concorde conosco.

 

Suspender os transportes abriria um caminho para sua alforria. Não mais limitado pela racionalidade do tráfego, da repetição diária, do tempo, da economia e, sobretudo, da segurança. Não mais através da devastação sem vida, do horroroso vazio, todas as viagens poderiam tornar-se prazerosas, mesmo que triviais. Toda locomoção poderia ser um passeio.

Enquanto escrevia este texto, as macieiras silvestres do lado de fora de minha janela foram cortadas pela administração pública porque os motoristas achavam um incômodo encontrar frutas derrubadas pelo vento em seus capôs. É surpreendente que você gaste tanto tempo limpando e polindo máquinas que tornam todo o resto ao alcance de sua vista uma imundice fedida. Macieiras silvestres não são um incômodo. Os carros são um incômodo. Sem carros poderíamos ter árvores em toda parte: limeiras, cajueiros, amieiros, uma fila de álamos-pretos em vez da Radial Leste, grandes carvalhos em vez do Minhocão. De onde você acha que vem o oxigênio afinal? Da merda do escapamento do seu carro?

 

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