Apple iPad 2 – um review

Imagino que reviews e análises sobre o iPad, tanto da primeira quanto da segunda geração, existem aos milhares. Muita gente escreveu sobre ele e o debulhou, muitos com bem mais propriedade que eu, mas acredito que é importante para mim escrever esse review, dando continuidade a minha curta mas produtiva experiência com tablets. Se você leu meus reviews do Coby Kyros 1024 e do STI myPad, talvez se interesse por ler esse.

Dei de presente para mim mesmo um iPad2. Preto, claro, afinal estou em 0,5 na escala de Kinsey e sou macho pra chuchu.

Difícil não dizer isso sem soar tendencioso, mas me sinto numa linha evolutiva bem significativa, que começou num Palm e agora está num iPad. 🙂

Tendo já dois tablets que passaram pela minha mão, o Kyros e o myPad, penso que tenho uma boa noção do que observar no iPad para tentar entender e descrever o que ele tem de especial, suas falhas e vitórias.

Faz tempo que leio sobre a Apple e suas peculiaridades. Conclui que existem vários pontos em que ela claramente se sobressai aos concorrentes, justificando com isso o preço mais elevado dos produtos. Tendo o iPad em mãos confirmei isso, mas o valor que se dá a isso é algo que varia de pessoa para pessoa.

Preocupações iniciais e jailbreak

Antes mesmo de receber o tablet, uma das minhas preocupações foi saber como reproduzir no iPad o meu conteúdo “livre”, visto que ele não funciona como um pendrive, onde você joga arquivos de vídeo e áudio e pronto. Ou melhor, até funciona, mas pra isso é preciso o uso de um acessório e algum trabalho extra.

Felizmente existem alguns caminhos que sanam essa “deficiência”. Um deles é o Dropbox, onde posso jogar qualquer arquivo e depois puxar pelo iPad. Um atalho que dá trabalho mas resolve. Outro caminho é o AirVideo, programa de streaming de vídeo que já foi alvo de um post anterior. Tenho ele instalado e rodando no PC da sala, portanto bastou instalar o cliente no iPad para poder assistir tudo que tenho armazenado lá.

Quando li sobre o que é esse tal jailbreak e toda a polêmica que o envolve, percebi que seria inevitável fazê-lo, visto que sou um fuçador inveterado. Brickar e consertar tablets é comigo mesmo. 😀 Há vantagens que o jailbreak proporciona que me interessam. Foi a primeira coisa que fiz após terminar as configurações iniciais. Segui o guia do TechTudo.

Primeiro contato e impressões

Beleza e qualidade são as duas palavras em que posso resumir a impressão que eu tive ao manusear o iPad pela primeira vez. Ele é bonito, elegante. A parte da frente é simplesmente de vidro enquanto a traseira é de alumínio, isso causa uma boa impressão logo de cara. Ele é firme como se fosse uma peça maciça, sem estalos ou rangidos, como os que eu percebi no myPad e no Kyros, e que provavelmente estão também presentes em tablets de luxo como o Motorola Xoom. Passa uma aura de resistência, mesmo tendo linhas suaves. Esse cara aqui fez um teste hardcore sem querer e o resultado foi surpreendente, assista.

 

Ele não é tão mais leve que outros tablets a ponto de ser algo claramente perceptível, entretanto, por seguir o padrão 4:3 e ser quase quadrado, o iPad tem seu peso melhor equilibrado, exigindo menos esforço nos dedos quando você segura em modo paisagem.

Há vantagens claras nesse conceito que foi tão criticado. Obviamente, assistindo vídeos em fullscreen, você terá barras pretas em cima e em baixo, mas o norte do projeto parece ter sido manter a polivalência, ou seja, ser realmente multiuso. O tablet fica bem nas duas posições, o que não acontece com os outros, geralmente de 10.1 polegadas, que ficam desajeitados quando segurados em modo retrato. Por isso ele se mostrou excelente para leitura.

Juro que imaginei que a borda livre fosse mais larga, e não é, é mais estreita que a do myPad. Apesar de muita gente mesmo assim considerar uma borda exagerada, não é minha opinião. Uma borda larga torna o manuseio mais confortável e seguro.

Os botões de power, volume e trava são estranhamente salientes e ásperos, têm arestas. Talvez haja alguma razão para serem assim, não sei.

 

Ele é fino, principalmente próximo as bordas. Isso causa um efeito ruim: quando você o segura com apenas uma das mãos, tende a segurar mais firme e a mão fica muito fechada e tende a suar, o que causa algum incomodo. E nem sou dos que suam muito nas mãos.

Outro detalhe que torna um pouco complicado segurá-lo com firmeza é a textura da parte traseira, que é toda em alumínio escovado. Diferente do que acontece com o myPad e seu plástico brilhante, a mão não gruda, o que torna a pegada menos firme. Aquela posição de espalmar a mão na traseira toda não oferece firmeza nenhuma. A solução é usar uma capa.

Tela, desempenho e imersão

Voltemos àquelas duas palavras, qualidade e beleza. Elas não se aplicam somente ao exterior. Depois de algumas boas horas de uso ficou óbvio entender por quê o iPad é um sucesso. Não só ele é feito com material de qualidade como todo o sistema emana qualidade. Todos os detalhes parecem ter sido pensados e calculados. Não vi bugs, nenhuma rebarba, nada de truquezinhos irritantes pra obter o resultado esperado. Ele simplesmente funciona, e além de funcionar, funciona bonito.

É por isso que, para competir com ele, é importante que outros fabricantes tenham, no mínimo, preços realmente baixos.

Outra característica, talvez fruto dessas, é ele ter uma grande capacidade de envolver o usuário. Eu passei praticamente três horas apenas colocando em dia meus feeds através do Flipboard, algo que no myPad dificilmente aconteceria.

A tela é excelente, com uma resolução boa e cores muito vivas. A resposta ao toque é rápida, talvez um tiquinho mais que a do myPad, mas ele é muito mais suave, não há solavanco nenhum ao correr a tela. A tela de vidro tem tratamento hidrofóbico, ou seja, repele água. O resultado é que ela não fica toda ensebada. Uma invenção muito bem vinda!

A bateria tem uma grande durabilidade: em 6 horas de navegação (sem vídeo, música ou games) ela caiu apenas de 100% para 50%. O myPad e o Kyros vão de 100% a 30% nesse tempo.

Além de tudo isso, o iPad tem controle de brilho automático, a melhor invenção depois da água encanada.

Tudo isso torna o uso muito suave, de maneira que você fica imerso e não é interrompido por nenhuma necessidade de ajustes finos.

Eis aí outra palavra para a lista: qualidade, beleza, suavidade.

O myPad vem com processador nVidia Tegra 2, o mesmo do Motorola Xoom, que é considerado (ainda? Já tem o 2, não sei) o tablet mais poderoso a competir com o iPad. Porém, só consegui ver esse desempenho inerente ao processador quando troquei o Android que veio de fábrica no myPad pela versão customizada Corvus5. Alguns jogos pesados rodaram fluidamente e foi tudo muito lindo. Já o iPad, com a mesma alma de ambos, o ARM Cortex 9, mostra ser tão rápido quanto eles.

Comparativos com outros tablets

Assista esse vídeo comparando o iPad 2 com o Motorola Xoom 2. Atente para o reflexo de luz, que é menor no iPad. E assista também esse, feito pelo Gizmodo BR, entre o iPad 2 e o Xoom 1, que mostra bem a diferença na experiência de navegação web.

Som

Detalhes, é disso que estou falando! Fiquei surpreso ao rodar um vídeo e ouvir o som do iPad pela primeira vez! Ele é mono, sim. Por quê? Por que não faz sentido ser estéreo se os falantes forem ficar tão próximos um do outro, ainda por cima voltados para trás.

 

A qualidade sonora me impressionou. Os graves, ainda que modestos, são perceptíveis, e há equilíbrio de médios e agudos, ao contrário dos falantes do Kyros e do myPad, que se limitam a uma mistura de médios e só. E o iPad 2 também tem uma potência bem maior. Isso mostra preocupação real com qualidade sonora, o que é uma coisa que sempre renova minha fé na humanidade.

Câmera ruim?

O iPad 2 tem uma câmera frontal VGA e uma traseira de apenas 0,92 Megapixels. Parece piada algo tão mínimo ser apresentado num produto lançado nessa década, não? Mas são só números, e números necessariamente não indicam qualidade. Veja esse vídeo comparando uma filmagem feita com o iPad e com o Samsung Galaxy Tab 10.1. Assista esse vídeo surpreendente, na qualidade máxima, tendo em mente que são 0,92 contra 3,1 megapixels.

O resultado é que o iPad faz muito com pouco, enquanto o Galaxy faz pouco com muito. Levando-se em conta que a câmera é para uso principal em video conferências, o resultado é mais que suficiente. Obviamente estamos falando apenas de vídeo. Quando a questão é tirar uma fotografia, sem dúvidas o Galaxy vence.

Ecossistema e a vontade de comprar

O iTunes é o programa que gerencia não só o iPad como todo o conteúdo de mídia ligado a ele. É obrigatório passar a usá-lo quando você entra no mundo maravilho de Steve Jobs. Mas é um programa chato, muito burocrático e com recursos pouco intuitivos. Não sei, talvez eu esteja enganado, de repente é apenas estranhamento de quem não conhece direito o mundo Apple.

A loja da Apple tem mais ou menos o dobro de aplicativos do Android Market, e lá, assim como no Android, você encontra tudo que precisa, de forma básica, em aplicativos gratuitos. Eu senti a necessidade de comprar apenas alguns programas, entre eles o Pages, que é o editor de textos da Apple, e o Garageband. Esse último foi mais por curiosidade mesmo.

 

É interessante notar que todos os aplicativos que instalei, pagos ou gratuitos, parecem seguir regras rígidas para seu desenvolvimento. Além de bonitos, todos funcionam bem e são instalados com um só clique, no caso dos gratuitos. Na iTunes Store brasileira o conteúdo (filmes, músicas e livros) ainda é muito limitado.

Limitações

Sem porta USB, sem saída HDMI, sem possibilidade de expansão da memória interna. Para fazer o tradicional sem poder usar recursos tradicionais, você precisa usar caminhos diferentes e trabalhosos. Também vale morrer numa grana com um adaptador USB. Ou você pode tentar se adaptar as regras criadas pela Apple. Francamente, talvez não seja má ideia depositar alguma confiança num fabricante que claramente está um passo a frente dos concorrentes.

Qual o grande barato do iPad? O que ele tem que os outros (ainda) não têm?

Muitos dos reviews e análises sobre o iPad 1 e 2 que li diziam no final que poderia valer a pena aguardar mais um pouco, que um concorrente a altura estaria prestes a ser lançado, por um preço menor, maior liberdade etc… Quero que alguém me aponte nos comentários se isso já aconteceu, se já temos um ipad-killer de verdade.

Me convenci da superioridade do iOS. Por enquanto ele está imbatível frente a todas as versões do Android. Me arrisco a dizer isso mesmo não tendo ainda a oportunidade de conhecer o Ice Cream Sandwich.

Muitos criticam o sistema Android dizendo que ele ainda está na fase BETA se comparado ao iOS do iPad, é difícil não concordar com isso depois de conhecer os dois lados.

Qualidade, beleza, suavidade, experiência imersiva, funcionamento simples e eficiente. Esses são os diferenciais do iPad 2.

Outros reviews:

http://www.portaltech.blog.br/reviews/ipad-2/

http://www.blogdopaz.com.br/tecnologia/xoom-x-ipad-2-o-que-o-motorola-tem-de-melhor

http://macworldbrasil.uol.com.br/reviews/2011/03/11/mais-rapido-leve-e-fino-ipad-2-supera-modelo-original-e-rivais/

Anúncios

2 comentários sobre “Apple iPad 2 – um review

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s