Mude a direção efetivamente

Por isso que quase nem vejo mais TV. Assistindo TV você não tem controle sobre o que jogam na sua cara e cospem no seus ouvidos.

Era sobre esse vídeo que estive bradando no deserto do Twitter outro dia:

Como bem disse o meu chará do blog Discernimento Cristão: “a motivação maior por tras da compra de um veículo não é a de facilitar o transporte, mas nos sentirmos grandes”.

Eu tinha acabado de acordar quando liguei a TV e vi esse comercial. Ao invés de chorar sozinho, fui xingar no Twitter.

Desde que me entendo por gente, costumo ter ânsia de vomito ao ver propagandas de banco e de automóvel usando como trilha sonora músicas cultuadas do pop e do rock. Sempre achei isso uma apelação desnecessária. Hoje não há mais limites, é possível usar Revolution dos Beatles num comercial de banco sem quebrar o continuum do tempo.

Você assistiu? É um comercial que apela tanto e tão carregado de emoção que dá vontade de chorar! Se eu não comprar esse carro, vai parecer que eu não tenho coração! Sem falar que, como bônus, com ele meu pênis será magicamente alongado com mais uns quinze centímetros.

Enquanto o automóvel, novo ou não, for um símbolo tão forte de posição social no Brasil, o trânsito será esse caos e essa terra sem lei que você conhece bem mas nunca vê no comercial, onde o carrão reluzente sempre desliza num tapete de asfalto totalmente livre e infinito.

O carro funciona como um cartão de visita que diz: é até aqui que consegui chegar por enquanto.

carrao
Imagino sim, imagino que só de abrir uma porta ele já é capaz de abrir algumas pernas.

A questão é que não precisamos de mais bicicletas e ciclovias, mas sim de menos carros nas ruas. Propagandas como essa alimentam a ilusão de que com determinado carro você será mais feliz. Claro que em toda propaganda, todo produto leva isso embutido, mas nesse caso é muito nocivo. Carro não é um brinquedo. Ter um carro é ter responsabilidades e assumir consequências.

É fácil ver o tamanho do problema. Pegue uma cidade minúscula como Pirassununga. Num sábado de manhã as ruas ficam tomadas de carros.

Antes a gente via pessoas indo da padaria para casa carregando um pão bengala. Hoje não se anda 500 metros a pé. Curioso imaginar pessoas diariamente percorrendo de carro pequenas distâncias e religiosamente fazendo caminhadas ou frequentando academias no fim de semana. Antigamente ter um carro era necessário apenas para quem precisava cobrir grande distância ou viajava habitualmente, hoje há modelos projetados apenas para rodar na cidade, voltados para motoristas que jamais viajam dirigindo.

O carro tem papel protetor no trânsito pesado das grandes cidades, por isso fazem sucesso atualmente os modelos tipo SUV. Quanto maior, mais protegido você se sente. Junte isso aos casos extremos onde um motorista esquentado usa a máquina como arma e temos uma guerra civil muito peculiar.

É claro que vivendo numa cidade grande a coisa toda muda de figura. É relativamente fácil viver num vilarejo como Pirassununga sem ter um carro ou uma moto. Numa cidade grande, morando muito longe do trabalho, se você não tiver um dos dois ficará a mercê do ótimo sistema de transporte público brasileiro.

Mas não se engane, essa equação não entra nos cálculos de quem baba por um carrão zero desses de comercial, independente de onde ele viva. Pelo menos não aqui no Brasil. Sabe por quê?

tweet

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