A regra de ouro da boa escrita

Sempre tive facilidade em escrever porque sempre gostei de fazer isso. Também é possível que seja o contrário.

Além de querer divulgar as músicas da banda supercaras, uma das razões de ter criado este blog foi justamente treinar minha redação. Enquanto eu preparava o ebook com os melhores textos de 2010 percebi alguma evolução no meu estilo. Um ano escrevendo regularmente me ajudou a melhorar a organização das ideias e diminuiu um pouco a tendência que eu tenho em rebuscar meu texto. Estou tentando escrever sempre de maneira simples, direta e com precisão. Me parece ser um bom objetivo a se perseguir.

Mas continuo escrevendo mal. A escrita é um espelho do pensamento e, se penso mal, escrevo mal, não? Além disso, sou péssimo em língua portuguesa. Não sei regras de gramática, ortografia. Escrevo intuitivamente, baseado na experiência de quem lê bastante e só isso. Quando algo me soa errado, não evoco na memória as regras, evoco as imagens do que me soa familiar ou estranho.

Ainda me obrigo a revisar um post milhões de vezes antes de publicar porque insisto em repetir muito as palavras e criar frases desnecessárias e sem sentido nenhum. Também vivo indeciso com o uso da vírgula.

SUA MAJESTADE, A VÍRGULA

Eu nunca sei onde vai vírgula e onde não vai (Cardoso também não, mas nunca vai admitir). Você também não deve saber, quer ver? Faça um teste e responda onde falta a vírgula ou vírgulas nessas duas frases:

  • José Maria minha namorada chegou?
  • Se os homens soubessem o valor que têm as mulheres cairiam de joelhos em adoração.

Pois é, a vírgula faz toda a diferença e dominar seu uso corretamente é muito mais que conhecer as regras formais.

REBUSCAMENTOS E SUBTERFÚGIOS

Durante muito tempo eu me vi como um idiota por precisar ler três, quatro, cinco vezes o mesmo parágrafo para entender o que aquele autor fodidão queria dizer. Hoje eu sei que, na maioria dos casos, um texto rebuscado não é um texto minucioso, é só um texto confuso, de uma época onde pomposidade era regra. Graças a Deus vivemos outros tempos.

SIMPLIFICAÇÃO

Dickens

Simplicidade não é sinônimo de pobreza, e poder de síntese é uma arte de poucos. Para chegar a uma boa escrita e tentar alcançar a comunicação perfeita é importante ser claro e eliminar tudo que gere ruído. Um bom texto não tem palavras sobrando, cada uma delas tem seu papel e seu lugar e isso é definido também pelo equilíbrio sutil que as vírgulas e pontos dão a elas.

Eu percebo que há uma tendência de simplificação da escrita ao longo do tempo. Pegue qualquer livro mais antigão e numa folheada você encontra bilhões de vírgulas em trechos pequenos, além de orações e parágrafos longuíssimos. Hoje é comum o uso de orações e frases curtas, com poucas vírgulas, e mesmo assim nos enrolamos na hora de interpretar um texto e nos fazer entender através dele. Por quê?

O objetivo de qualquer texto é transmitir uma ideia, contar uma história, fazer o outro entender algo, ensinar. A regra de ouro da boa escrita é não perder isso de vista.

Escrever de maneira simples e clara é um bom caminho para evitar ser mal interpretado mas corre-se o risco de limitar a amplitude daquilo que se quer transmitir. Simplificar demais até pode empobrecer e deixar o texto muito sem graça, isso depende de como é feito. Quem tem boa capacidade de variar o nível de complexidade do seu texto deve adaptá-lo a média do seu público de leitores. Claro que não se deve nivelar por baixo, mas pelo meio. A virtude está no meio.

Entretanto, não se pode olvidar a triste realidade: independente de um texto ser bem ou mal escrito, simples ou sofisticado, sempre haverá quem entenda pau por pedra, alhos por bugalhos. E por isso sempre haverá escritores frustrados por não terem sido compreendidos.

E a culpa pode e deve ser repartida entre ambos, escritores e leitores.

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