Buick 8 – Stephen King

A policia da Pensilvânia esconde um terrível segredo. Na escuridão do galpão B, atrás da delegacia, um misterioso carro permanece guardado…

Buick8 Em 1999, Stephen King estava atravessando a Pensilvânia de automóvel, voltando de férias. No meio do “nada” rural, ele parou num antigo posto de combustível para abastecer e, enquanto o frentista enchia o tanque, o escritor foi ao banheiro. Antes de retornar ao seu carro, resolveu dar uma volta por trás do posto, onde havia um riacho caudaloso junto a um barranco íngreme. Curioso em observar a água correndo, deu um passo em falso, escorregou e caiu. Por muito pouco conseguiu se segurar e escapou de mergulhar nas águas lamacentas.

Voltou para a auto-estrada pensando sobre o quanto esteve perto de se afogar e imaginando quanto tempo o frentista, única pessoa no lugar deserto, iria levar para sentir a sua falta, se ficaria nervoso e quem iria chamar, quanto tempo demorariam para localizar seu corpo, levado por aquela correnteza forte de primavera.

Depois de mais alguns quilômetros, a história do livro “Buick 8” (From a Buick 8) estaria pronta na cabeça do sr. King.

O LIVRO

A história se passa basicamente num banco de fumantes, nos fundos de um quartel da Polícia Estadual da Pensilvânia, onde alguns patrulheiros relembram os fatos e acontecimentos estranhos que cercam uma “coisa” que está guardada há 25 anos num galpão ali nos fundos do quartel.

Um carro que não é carro, mas que parece muito com um Buick Roadmaster, ano 1954. Um charmoso e enorme carro da GM, cheio de cromados e com um motor de 8 cilindros, uma peça de museu que exibe toda a glória dos anos dourados do petróleo barato.

O livro é pautado na idéia de que sempre há coisas que estão fora da nossa compreensão e que nem tudo faz sentido ou tem uma razão. O Buick no galpão B é a prova viva disso: não se sabe bem o que é e nem de onde veio, mas é fácil ver do que ele é capaz.

A trama tem ritmo lento e o suspense fica ao nível psicológico. Definitivamente não é recomendado aos leitores eventuais de histórias de terror. O mais indicado ao leitor que não é iniciado na ficção de King é começar por suas obras consagradas: O cemitério, Carrie, Christine…

A obra tem uma história independente, mas existe uma estreita ligação com a série A Torre Negra (que é o equivalente de Stephen King ao mundo mágico de Tolkien, totalizando sete grossos volumes). Também existe alguma relação com a história contada no conto O nevoeiro (que foi recentemente muito bem adaptado no cinema).

Está previsto para 2011 o lançamento de um filme baseado nesse livro.

(…) não me deixariam encerrar esta nota sem mencionar que algumas — hum! — liberdades foram tomadas com o Buick da capa do livro. Os GM-ófilos provavelmente vão notar que esse modelo Oito é muitos anos mais velho que o Buick da história. Perguntaram-me se essa pequena traição me incomodou, e respondi que absolutamente não. O que me incomoda, especialmente quando é tarde e não consigo dormir, é aquela grade igual a uma boca desdenhosa. Quase parece pronta para engolir alguém, não? Talvez eu. Ou você, meu caro Leitor Fiel.
Talvez você.

( Stephen King – Nota do Autor, Buick 8 )

GM-Buick_Roadmaster-1954

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