Piromania das coisas e das idéias

Amanhã, sábado, 11 de setembro de 2010, completa 9 anos o ataque terrorista ao World Trade Center, em Nova Iorque, nos EUA.

O WTC atingia com suas torres gêmeas a altura de 441 metros, cada uma com 110 andares. No subterrâneo existia uma grande junção de linhas de metrô, onde transitavam 200 mil pessoas por dia. Cerca de 50 mil pessoas trabalhavam no complexo.

O total de mortos, que é e sempre será impreciso, é de 3000 pessoas, vindas de mais de 90 países diferentes. Mas as perdas não se limitaram a vidas humanas:

A destruição do World Trade Center, que marca, diga-se sem hesitação, o início do século XXI, não é alheia à história relatada aqui. Basta lembrar que durante horas milhares e milhares de papéis caíram do alto das Torres. Vale ressaltar que o World Trade Center continha enormes arquivos e bibliotecas de grande importância no campo econômico, agora completamente desaparecidos. Algumas fotos mostram que as escadas do vestíbulo do conjunto de edifícios ficaram cheias de livros e documentos destruídos.
Destruíram-se obras de valor incalculável, como as de Joan Miró, Masuyuki Nagare, Louise Nevelson e Alexander Calder. O Citigroup, que tinha escritórios do WTC, perdeu 1.113 obras de arte, entre esculturas e pinturas dos artistas mais renomados de todos os tempos: Alex Katz, Bryan Hunt, Wolf Kahn, Jacob Lawrence… O programa de residência de artistas chamado Lower Manhattan Cultural Council’s (LMCC) se perdeu completamente, e pelo menos um dos artistas pereceu no atentado. (excerto do livro “História Universal da Destruição de Livros’”, de Fernando Báez)

Talvez seja pensando nisso também que uma pequena congregação evangélica da Flórida agendou para esse sábado uma polêmica fogueira de livros. Mais precisamente, 200 exemplares do Al Corão, que deverão virar cinzas nas mãos do pastor Terry Jones e seus fiéis.

Dar uma olhada rápida no site dessa igreja é suficiente pra sacar qual é a real deles e porque inventaram esse tributo vingativo. E a resposta é a mesma de nove entre dez perguntas: dinheiro. A intenção é vender um livro e receber doações e dízimos, só isso.

De qualquer forma, a estratégia de marketing repercutiu tanto que conseguiu chamar a atenção do mundo todo e receber a reprovação até da ONU. Tem gente com medo que esse ato de protesto cause uma nova onda de ataques terroristas. Nova? Nem passou a onda em que estamos!

De repente parece que todos estão com medo de desagradar o mundo islâmico, mesmo sendo um fato documentado que o que realmente os desagrada é a existência de Israel e do ocidente. O que fazer?

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E mais uma vez são os livros que vão pagar. Eles que não colocam palavras na boca de ninguém e só plantam idéias tortas nos corações que já são tortos.

O santo papel, que aceita tudo de bom grado e depois se entrega ao sacrifício do fogo purificador, é crucificado desde que o mundo é mundo nas mãos dos fanáticos, religiosos ou não.

Grandes queimadas de livros costumam anteceder tempos sombrios. Há de se lembrar as palavras proféticas do poeta alemão/judeu Heinrich Heine: “Onde livros são queimados, seres humanos estão destinados a serem queimados também”. Surtos de piromania não são uma exclusividade do lado leste do mundo, ocidente e oriente têm mais coisas em comum do que parece.

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