Preto com um buraco no meio

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O vinil tá voltando?

Não, não está, é só impressão sua. É que virou modinha os artistas das gerações mais recentes quererem suas composições eternizadas em vinil. Por quê? Não sei, não sei…

É claro que aí tem o dedo das majors. Estão tentando ganhar mais um troco enquanto a Internet não engole o mundo físico de vez. Os novos vinis são bem caros, diga-se de passagem. E pra quem gosta, vem com o pacote completo: chiados, riscos e a irritante necessidade de virar o disco, virar o disco, virar o disco, virar o disco…

Desculpe, é que eu detesto vinil, apesar de ser um produto de boa saída no meu sebo e de eu estranhamente manter uma pequena coleção com os discos dos Engenheiros do Hawaii e da Legião Urbana. Mas não gosto, considero os LPs e compactos de vinil o que eles são de verdade: produtos obsoletos que só resistem ao tempo por causa do fetichismo de muita, muita gente.

Mesmo em termos de qualidade sonora, não há razão nenhuma para considerar o vinil como algo relevante. Está mais que comprovado que qualquer vantagem do vinil frente ao Compact Disc cai por terra quando encontra essas duas palavras: ouvido humano.

Nem mesmo o LP mais vagabundo tem a limitação acústica de 44kHz e 16 bits do CD mais bem produzido, mas acontece que esse é o limite do ouvido humano, sinto muito. Se você acredita que consegue perceber algumas frequências extras quando ouve aquele seu bolachão do Richard Strauss… parabéns! Você tem a audição de um coiote. Você e o Ed Motta.

Então vamos a uma lista rápida:

SEIS MOTIVOS PARA DETESTAR O VINIL

  • Chiado no começo, no meio e no fim. (a gente só percebe o do começo e do fim…)
  • Risca fácil de mais, meu Deus!
  • Riscos fazem a agulha pular e causar mais riscos, gerando um ciclo vicioso.
  • Riscos fundos fazem o disco enroscar e ficar repetindo, repetindo, repetindo…
  • Precisa virar quando uma certa quantidade de músicas termina de tocar.
  • Algo gigantesco e desengonçado que traz no máximo 45 minutos de música.

A verdade é uma só, meu filho. Se você ama música, tem mais é que abraçar o mundo digital com tesão porque foi o digital que libertou a música da dependência de qualquer suporte. A música agora está livre e virtualmente sem limite nenhum, inclusive de qualidade sonora!

Livre do K7, do LP, do CD e do DVD. Todos eles dançaram! Aleluia!

De quebra ficaram pra trás os limites criados pela FM, pela indústria e a ditadura do lucro. Agora a música flui, como alguns visionários já sonhavam na década de 70. A música líquida que transpõe barreiras físicas e distâncias como se não fossem nada! O mundo digital presenteou a arte musical com a democracia.

Mas vamos voltar ao vinil, esse objeto rústico feito a partir do petróleo.

Apesar de toda essa minha ladainha acima, tenho que confessar que fiquei muito feliz ao chegar em minhas mãos esse vinil aí da foto. Ouvi falar muito desse disco pois, como você sabe, sou um grande fã da banda Engenheiros do Hawaii, e é justamente nesse LP que eles apareceram pela primeira vez ao grande público. As músicas “Sopa de letrinhas”, primeira do lado A, e “Segurança”, segunda do lado B, catapultaram os roqueiros gaúchos para as rádios das capitais. Legal, né?

Pois aí está. Mais um item para minha singela coleção desprezível de LPs.

Ele não está a venda, mas aqui fazemos qualquer negócio, então, se quiser negociar: livrariastrabelli arroba gmail.com.

E agora fico no aguardo de que caia em minhas mãos gananciosas o LP “Preto com um buraco no meio” da trupe Casseta & Planeta. Com esse, sim, minha coleção estará completa!

vinilquebrado

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