Quem vai operar o meu sistema?

Enquanto o Linux ainda não conquistou o povão, a Microsoft tenta dar uma guinada na sua história com o Windows 7. E nesse entreato, o Google prepara o lançamento do seu esperado e já badalado Chrome OS.

Esse negócio de sistemas operacionais é uma coisa dos infernos. Vou contar uma historinha que aconteceu comigo recentemente. Uma tragicomédia. Sente-se, ela é longa.

O blog supercaras orgulhosamente apresenta…

ESPERANDO SÔSÔ

Estrelando:
Canon Pixma 190, como “a impressora nova”,
Lenovo Y430, no papel de “notebook zero bala”,
Robertão, brilhante e cativante como sempre, no papel de “usuário paciente”.

Participação especial:
Microsoft Windows 7 Ultimate, como o “sistema operacional tradicional”,
Microsoft Windows Vista OEM no papel de “sistema operacional pobre de brinde”,
Google Chrome OS, no vaporoso papel de “esperança”.

Vilão especialmente convidado:
Linux Ubuntu 9.04, no papel de “sistema operacional open source descolado” .

Primeiro Ato – A impressora perfeita

A algum tempo atrás comprei uma bela impressora funcional da Canon. Como você sabe, sempre fui fascinado por coisas impressas, de bulas de remédio à bíblias, então dá pra imaginar minha alegria ao ter algo em que é possível imprimir livros sem dificuldade e com bastante qualidade. Sim, eu imprimo, não me pergunte como.

Junto com a impressora vieram os CDs com drives e  programas da Canon. Todos muito bonitos no visual, intuitivos de usar e práticos de instalar, os de impressão e os de digitalização. Muito bem, instalei tudo no meu velho PC de guerra e tentei ser feliz.

Segundo Ato – O notebook perfeito

Calhou de pouco tempo depois da chegada da impressora, eu adquirir o meu tão sonhado notebook da Lenovo, com o qual agora trabalho escrevendo nesse blog.

Finalmente Robertão disse adeus para seu velho PC, sem olhar para traz (ele havia pifado pela enésima vez, me deixando na mão pela enésima vez, tingindo meu enésimo fio de cabelo branco, o que me fez tomar coragem e encarar o escorpião que mora na minha carteira).

Ok, instalei todos os programas da impressora no meu novíssimo microcomputador pessoal portátil. Agora tudo estava bem, finalmente a felicidade bateu na minha tela.

Terceiro Ato – O sistema operacional perf…?

Aqui começa a tragédia. O notebook veio com o Windows Vista. O primeiro Windows original a gente nunca esquece, mas tinha que ser o Vista? E o pior de tudo, era na versão OEM, ou seja, sem CD de instalação, sem manual, sem suporte direto da Microsoft, apenas através do fabricante do computador.

Eu sempre ouvi falarem muito mal do Vista, suas limitações e bugs, e já tinha sentido isso ao testá-lo em PCs de outrém. Durante algum tempo usei o sistema, mas nasceu um bicho no meu cérebro e minha mão começou a coçar.

Aqui preciso fazer um parênteses: não veio absolutamente nenhum CD junto com o notebook. Todo o sistema de recuperação vinha numa partição oculta no HD. Inclusive, ao lado do botão de power, existe o botão de rescue, feito para iniciar o procedimento de recuperação, caso acontecesse do sistema operacional contrair óbito nalgum pau muito feio. Esse botão agora é inútil. Não ria ainda.

Quarto Ato – O time estava ganhando!

Ok, foi assim que aconteceu. Fui a banca de jornais procurar informações sobre o Windows 7, precisava saber se já estava firme, sem bugs, barato (eu ainda não tinha acesso rápido a Internet). Eu não comprei um notebook novo pra usar o velho XP, e nem um Windows ruim, eu merecia mais.

E foi aí, então, que algo brilhou na estante, como acontece sempre nos desenhos, sabe? O que brilhou foi uma linda edição do Ubuntu Linux versão 9.04, acompanhado de um belo livro-manual.

Ora, quem me conhece sabe que sou um entusiasta do Linux, eu quero acreditar no Linux como algo que pode ser bom e ficar popular. Eu já tentei usá-lo antes, volta e meia tentava instalar em algum computador. Mas logo desistia, já que ele não era nada simpático embaixo da sua roupa e insistia em travar durante a instalação, perguntando alguma coisa e me apontando com um $ (quem inventou de usar essa p*rra!?). E aí eu desistia, não tinha idéia do que fazer e nem onde encontrar orientação.

Isso sempre acontecia, é claro, sob os olhares compassivos das pessoas que eu conclamava a me acompanharem e assistirem nesse momento de libertação, a instalação do sistema operacional livre. E eu nunca conseguia. Triste e frustrado, atravessei os anos trazendo junto ao peito exemplares piratas do win95, win98, winXP…

Porém, o mundo gira, as coisas mudam. Agora, eu estava diante da melhor, mais intuitiva, simples e fácil distribuição Linux de todos os tempos! Tem idéia do que significa isso, mamãe!?

Com o CD do Ubuntu 9.04 numa das mãos e um notebook zero bala na outra, acreditei que havia chegado o momento de jogar fora meus CDs piratas do Windows.

Quinto Ato – Mas o time estava ganhando!!!

Pois é, eu sou um idiota.

Quando me pus a preparar a máquina para a instalação do Linux, vi que seria bom encontrar algo que substituísse meus disquetes de boot. Sim, eu tinha uma caixa deles, todos os tipos. E logicamente disquetes são coisas do passado, meu notebook novinho não viria com essa coisa obsoleta. Então procurei e encontrei um bom CD butável com ferramentas de formatação, particionamento, essas coisas.

Por um descuido, desses que acometem as pessoas quando estão emocionadas, e por não conhecer direito o CD de boot, ao clicar em alguma coisa sem ler direito, acabei alterando a tabela de partições e formatando o HD inteirinho, incluindo aquela partição oculta da qual falei antes.

Naquele momento, vi que seria difícil voltar a instalar o Vista caso a instalação do Ubuntu não desse certo, mas não fiquei preocupado, pois imaginei, na minha cabeça louca de consumidor de boa fé, que bastaria procurar no site da Microsoft, onde certamente um usuário legalizado como eu, dono de uma licença paga, não teria dificuldades em conseguir uma nova cópia original para instalação. Pergunte se não me enganei?

Sexto Ato – É hoje o dia da alegria

Sim, pela primeira vez na vida assisti assombrado o final feliz de uma instalação do Linux. Um lindo instalador, mil vezes melhor do que o do WinXP (covardia comparar, o WinXP é de 2000).

E foi nessa altura que comecei a ter acesso rápido a Internet. Em pouco tempo aprendi como instalar programas, pacotes, plugins, tudo. Achei ótimos programas substitutos para todos os que eu usava no Windows. Quando algo não dava certo, eu pesquisava um pouco e encontrava a solução. Perdi o medo do $ e aprendi alguns comandos! No fundo, é bem parecido com DOS. Eu estava feliz.

Sétimo Ato – Quem procura, acha

Eu tinha um notebook excelente com sistema operacional legalizado e de tecnologia de ponta. Tudo estava bem, exceto uma coisa… minha impressora.

Vou resumir essa parte porque ela foi longa, muito longa. Eu procurei, perguntei, testei, tentei. Tudo isso uma dezena de vezes. Minha impressora nova não funcionou com o Ubuntu.

Mas não é só isso. Minha webcam integrada também não funcionou. E eu tentei pra valer. E eu cheguei no ponto final, onde termina o território do usuário operador e começa o do programador.

Sim, isso mesmo. Se eu quisesse fazer funcionar minha impressora e minha webcam, eu precisaria começar a programar.

A figura acima retrata com bastante precisão o que costuma acontecer com algumas pessoas que põe sua fé em sistemas operacionais de computador.

Oitavo Ato – A volta do filho pródigo ou a volta dos que não foram

Pra resumir bem: estou usando o Windows 7 e feliz da vida.

Tentei, realmente tentei conseguir a cópia que é minha por direito do Windows Vista, mas ela não existe mais, extinguiu-se quando formatei o HD.

Agora estamos aí, aguardando o Google Chrome OS. Estamos? Não, eu não estou. Ele é feito em Linux!

Eu gosto de usar minha impressora e minha webcam, por isso vou de Windows.

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7 comentários sobre “Quem vai operar o meu sistema?

  1. Péssima imagem. Sem dúvida foi criada por algum desentendido que não conhece sistemas UNIX, basta ler o output do shell.

    Existem dois tipos de usuários de computador.
    Os que sabem fazer, e os que não sabem.

    São como motoristas de carro. Você está em uma posição onde não quer ter que trocar o óleo, ou colocar combustível. Só quer entrar e dirigir para uma determinada localidade. É algo cotidiano colocarmos combustível, e verificarmos o óleo a cada 5 mil km rodados, não importa o quanto tenha custado o carro. Da mesma forma, é necessário se ter um certo nível de interesse de dedicação para se poder utilizar um computador da melhor forma possível, não importa o quanto se tenha pago por ele.

    Talvez você diga que o carro “UNIX” não te leva a tal localidade por determinados problemas(que NÃO são problemas do sistema), mesmo possuindo inúmeras vantagens, e que o carro “Windows” te leva, mesmo sendo um carro inferior.

    A questão é que o carro “UNIX” te leva a todos lugares, só que tu não sabe dirigir o “UNIX” até eles.
    Se tu encontrou o código fonte do driver da impressora, ele é facilmente compilado e instalado. É assim que a informática funcionou durante um BOM tempo. Aliás, até a própria Microsoft criou um sistema operacional baseado em UNIX, se chamada Xenix.

    Sistemas UNIX te levam em muito mais lugares, são muito mais funcionais, mas também exigem mais do usuário em determinados momentos. É como um veículo com várias formas. Ele pode ser um avião, um barco, um carro e uma bicicleta.
    Acontece que muitas empresas não fornecem peças(drivers) para a versão “carro”(desktop), e em certos casos, quando fornecem, é na forma de código fonte, embora seja raro encontrar tais casos hoje em dia, já que as pessoas que gerenciam os pacotes em sistemas populares como Ubuntu fazem um bom trabalho. Geralmente haverá um pacote disponível, sendo que a empresa oficial que desenvolve o driver já liberou o código fonte.

    Em certos casos, muitos drivers são escritos pela própria comunidade, e são portados para vários sistemas UNIX como FreeBSD e OpenBSD, não só GNU/Linux.
    Sistemas UNIX também são o melhor carro, são a melhor forma de veículo de todos os tipos, mas você precisa aprender mais para poder dirigi-los e gerencia-los corretamente, e deve entender que computação dessa forma é como ser um bom usuário de carros. Exige um mínimo de dedicação, paciência e compreensão. Não é necessário ser um mecânico completo, só estar disposto a aprender.
    E pelo jeito, você está, só falou demais para quem sabe “de menos”.

    Espero que as pessoas que lerem este artigo não comecem a pensar coisas erradas de sistemas operacionais que utilizam a kernel Linux.

    Continue com o ótimo trabalho.

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    1. Você provavelmente tem razão, mas eu prefiro ver o computador como um meio, não como um fim. Programação não é para todos.

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