Ninguém escreve cartas ao Robertão

Enquanto eu estava aqui, esperando os e-mails que nunca chegam, me lembrei de um livro há muito tempo estacionado na minha estante e na minha lista de futuras leituras. Não está mais, acabei de lê-lo.
El coronel no tiene quién le escriba, ou na versão em português de Danúbio Rodrigues, Ninguém escreve ao coronel, é um conto de Gabriel García Márquez, de pouco mais de noventa páginas (minha edição é a 5ª, pela Record) que percorri em três dias, sem pressa. Leia uma resenha clicando aqui. Esse livro, eu recomendo.

Uma boa ficção, ou melhor, ótima. Pra quem gosta de boa ficção, Gabriel García Márquez é como um daqueles postos de combustível no meio do deserto.

Mesmo sendo um dos primeiros contos publicados por Márquez,  a qualidade da prosa é incrível, ele escreve como quem esculpe uma estátua ao contrário, amalgamando cada palavra no seu lugar predestinado. E faz isso com uma precisão que sempre me assombra e joga a pá de cal definitiva nas minhas simplórias aspirações de escritor girino. Essas minhas aspirações que volta e meia ressuscitam, mau cheirosas. Quem sou eu perto de Gabriel? Eu, a quem ninguém escreve cartas? Eu, que mesmo não esperando carta alguma, ainda mantenho à mão papel e tinta para a resposta?

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