Eu acredito na resistência

Aqui em Sucupira, no caminho de casa para o trabalho, sempre passo por um quarteirão onde antigamente as casas todas não tinham muros e grades, apenas um jardim entre a porta da frente e a calçada. Com o passar dos anos e o aumento dos assaltos e roubos, como você deve saber, a construção de muros altos e a instalação de cercas elétricas virou moda permanente. Quando eu era criança só via essas coisas em filmes onde o mocinho fugia da prisão.

Hoje todas aquelas casas estão assim, rodeadas de muros, grades e cercas elétricas.

É uma coisa tão óbvia, mas tenho a impressão de que ninguém pensa sobre o quanto as pessoas viraram reféns da desordem e do aumento da criminalidade. Simplesmente a cada dia que passa nos vemos cada vez mais acuados, tentando nos proteger.

Por que nos deixamos acuar? Somos covardes?

Conseguimos nos isolar em nossas próprias casas. As autoridades que elegemos pelo voto direto e democrático, e sustentamos honestamente através dos impostos que pagamos, nos conclamam a nunca, nunca reagir a um assalto. As mídias de massa fazem coro.

Por que eles nos estimulam a passividade? Eles temem pela nossa segurança?

Existem regras no boliche, dude!

O medo alimenta o monstro

Essa insegurança institucionalizada tem uma função política: controle. Com o carimbo governamental e o apoio incondicional das empresas de comunicação, nós somos levados a acreditar não só que a rua está tomada pelos bandidos, mas também que povos distantes e exóticos são bárbaros e hostis e ameaçam constantemente a tranqüilidade das nossas vidas.

Até quando vamos recuar, sabendo que a melhor defesa é o ataque? Quem tem medo é facilmente levado a assinar acordos, contratos, pagar resgates, trocar sua liberdade por garantias de paz, qualquer coisa que o faça voltar a se sentir seguro. O bom servo é aquele que teme seu senhor pois sua vida depende deste.

Eu acredito na resistência.

Quando digo isso não estou falando de tentar tirar a arma do ladrão, embora isso não seja impossível pra ninguém. “A defesa é para tempos de escassez, o ataque para tempos de abundância” (Sun Tzu). Morrer pelo que se acredita está perigosamente fora de moda, mas, se não lutarmos para nos defender, quanto vai valer a nossa vida?

É preciso resistir, não deixar-se intimidar e não aceitar ser subjugado em nenhuma situação e por ninguém, porque os bandidos começam pisando as flores do seu jardim e terminam roubando o que você tem de mais precioso. Quousque tandem abutere Catilina patientia nostra?

“Não adianta; povo ignorante e intelectuais idiotas não entendem que o Estado não é a solução, é o problema. Ninguém entende que o Estado não é a cura, mas a doença. (…) Só nos resta viver nessa ansiedade individualista medíocre, nesse narcisismo brega, nessa desinformação, nessas notícias brutais e irrelevantes, nessa reclamação vaga, sem cultura, sem união para protestos e lutas, sem desejos claros a serem vocalizados.” Arnaldo Jabor

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