Sonhando

Sua mãe havia rejuvenescido uns vinte anos quando a vi sentando-se na outra ponta do sofá. Olhou sorrindo pra mim e disse alguma coisa que não escutei. A morena apareceu e se sentou meio de lado, de costas pra mim. Virou levemente a cabeça e disse alguma coisa. Aproximei-me e respondi, quase encostando os lábios em seu pescoço. Quando voltei a me recostar, ela acompanhou meu movimento e inclinou-se, encostando-se em meu peito. Os cabelos finos, longos e lisos perfumando e filtrando minha respiração. Estava se oferecendo. Depois de tantos anos de cantadas imbecis e galanteios inúteis finalmente eu colhia o merecido fruto do meu esforço. Como não sou de perder uma oportunidade, sem perda de tempo, comecei a lhe beijar levemente o pescoço e as costas nuas. Não houve resistência, nenhuma palavra grosseira. Num passe de mágica já estava deslizando meus lábios por detrás de suas coxas lisas e macias.
Acordei com aquela dor gostosa entre as pernas e duas batidas fortes na porta do quarto. Meu relógio não deu o alarme. Como posso me considerar um homem inteligente se nem ao menos consigo programar o despertador do meu relógio de pulso?
Em quinze minutos estava entrando no trabalho:
“Que cara, Rogério! Caiu da cama?”
“Caí. Uma morena me derrubou.”

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