Estamos de mudança… again

É isso, o domínio e a hospedagem betinho.org serão desativados assim que vencerem os prazos de renovação. Eu meio que cansei de ficar cuidando do servidor, atualizando WordPress, apagando dezenas de spams semanais.

É uma tarefa que requer atenção constante e que não faz mais sentido pra mim, principalmente porque me toma um tempo em que eu poderia estar fazendo outra coisa como observar a natureza trágica da vida ou procurar dólares no meio dos livros do meu sebo. Aliás não ganho absolutamente nada pagando servidores e domínios diversos, pelo contrário, me custa um dinheirinho que faz falta.

Então voltei pra onde meu blog nasceu, aqui no wordpress.com. Não pago nada, não preciso me preocupar com invasões etc. WordPress sempre atualizado, servidores seguros e tudo mais.

Todos os posts já foram devidamente transferidos para cá, inclusive os mais acessados. Se você encontrar algum link importante que esteja quebrado, me avise.

Talvez aqui eu volte a escrever mais já que não preciso me preocupar com nada além do texto. Estou devendo o final do projeto arcade, não esqueci.

Inté.

Pão com linguiça

E aqui estou eu novamente com meus mimimis. Ao invés de terminar o texto sobre a construção do arcade, venho reclamar porque o mundo não é do jeito que eu quero.
No fim de semana estive no interior de Minas Gerais pra participar de um casamento. Foi bem lá no interior e fui de carro, então deu pra ver um bom pedaço de chão daquele Estado.
Muita montanha, muita pedra, muita curva, muita subida e muita descida. A paisagem é bem diferente de São Paulo. Aqui a gente vive no meio das plantações de cana, lá os mineiros estão cercados por montanhas enormes, estradas mortais e bois, muitos bois.
Na estrada o que mais se vê são churrascarias e placas indicando ótimos lugares com comida caseira, doces de leite, queijos e pão com linguiça.
Pão com linguiça é o fetiche do mineiro. O suprassumo é pão de queijo com linguiça. Até mesmo pão de doce de leite de queijo com linguiça deve fazer muito sucesso por lá. Contar as placas escrito “Pão com linguiça” foi um passatempo sem graça.

Placa-puta-que-pariu
É, eu não gostei de Minas, me perdoem os mineiros. Foi um pouco incômodo pra um vegano ver tanta ode aos derivados do leite. Não deve ser fácil ser vegano lá. Na viagem eu só consegui comer mais ou menos nos postos Graal, nem mesmo nos hotéis havia muita opção no café.

O caminho era metade feio, metade bonito. Bonito pela paisagem, feio porque na beira da estrada as cidades pareciam todas favelas. As casas amontoadas nos pés das montanhas dão essa má impressão. Me pareceu que Minas é muito pobre. Pobre Minas, tão longe de São Paulo e tão perto dos coronéis.

Eu achava que nada podia ser pior que viver na Sucupira do Meu Saco mas posso estar enganado, redondamente (como um queijo) enganado.

Tablet android como terminal de consulta de preços

Eu quebrei a cabeça durante algumas semanas tentando criar um app simples para fazer um tablet android funcionar como terminal de consulta de preços, exatamente como fiz com um PC antigo. Demorou um pouco pra reconhecer que desenvolver um app está além da minha capacidade. Experimentei um caminho diferente que me levou a um resultado satisfatório.

Então vamos lá. Vamos precisar do seguinte:

Todos os apps são gratuitos, compatíveis com o android 2.2 e estão disponíveis no Google Play. Seu tablet não tem a loja do Google? Sem crise, você pode sair caçando na net o modo de instalar o Google Play nele ou, o que é melhor, instalar facilmente a excelente loja da Amazon, onde você encontra todos exceto o Palapa Web Server. Esse último você pode baixar por aqui.

Mas a primeira coisa a se fazer é ter certeza de que você tem um leitor e um tablet que se entendem. Conecte-os e veja se o leitor lê alguma coisa. Geralmente tablets com porta USB comum tem opção de usar a entrada como host. De acordo com o manual do leitor de códigos de barra, configure-o para ler o código e dar enter, isso é importante. Também é bom configurá-lo para que fique em modo de varredura constante. Detalhe: o tablet precisará ficar ligado a tomada.

Instale o AirDroid. Com ele você poderá ter acesso remoto ao tablet, o que será importante para atualizar o arquivo de preços sem precisar desligar ou tirar o tablet de operação. Dedique algum tempo para aprender a usar esse app.

Agora instale o Dolphin Browser, um dos melhores navegadores para android e que quebra um galhão pra quem não pode ou não quer usar o Chrome.

Instale o Palapa Web Server. Ele vai transformar o tablet num servidor web com suporte a php, que é o que nos interessa. Depois rode o app e veja se funciona digitando esse endereço no navegador Dolphin: http://127.0.0.1:8080/

Finalmente, usando o AirDroid, copie a pasta terminal do arquivo zip que disponibilizei acima para dentro do cartão interno do tablet, no diretório criado pelo Palapa: sdcard/pws/www/. Em seguida copie para dentro da pasta terminal um arquivo atualizado gerado pelo seu sistema de gerenciamento de estoque. Esse arquivo deve se chamar terminal.txt, mas você pode mudar para o nome que quiser bastando editar o arquivo index.php

Agora, no Dolphin, dê um refresh no endereço http://127.0.0.1:8080/ A pasta terminal deve surgir. Clique nela e a página de consulta deve carregar.

Se você fez tudo certo até aqui, o sistema está quase pronto, o leitor está capacitado a fazer buscas e a página está recarregando automaticamente a cada 10 segundos.

Agora basta configurar o navegador para rodar em tela cheia. Você também pode salvar o endereço nos favoritos do navegador e posteriormente criar um atalho na tela inicial para poder abrir a página rapidamente no caso de precisar reiniciar o tablet.

Se o tablet estiver com acesso root habilitado, o que é recomendável, você pode ir até configurações, aplicativos, desenvolvimento e configurar para que ele não adormeça quando estiver conectado a fonte. Isso é importante. Caso não esteja com root, experimente configurar o Palapa Web Server, que tem uma opção equivalente.

Uma coisa a se notar é que, já que o Palapa transforma o tablet num servidor, você pode acessar a página de consultas em qualquer smartphone, tablet ou computador que esteja na mesma rede, bastando digitar no navegador o IP do tablet, que pode ser visto na tela principal do Palapa. Com isso você pode ter dois ou mais terminais de consulta usando o tablet principal como cérebro.

Abaixo, um vídeo do sistema em funcionamento. Todo santo dia, ligo o tablet, inicio o Palapa, abro o navegador e ligo o leitor de código. O sistema fica pronto para o uso pelos clientes.

É isso. Está pronto seu terminal de consulta de preços, tão bom quanto um daqueles caríssimos, usando um tablet android modesto.

Torta de beringela

Milhares de pessoas pediram minha famosa receita de torta de beringela e finalmente vou revelar o segredo. É uma receita com beringela para quem não gosta de beringela, ou pensa que não gosta, ou algo assim.

Ingredientes da massa

  • 2 xícaras de farinha de trigo refinada
  • 2/3 xícara de água morna
  • Sal a gosto
  • 1 colher de sopa de óleo ou azeite
  • 1 colher de sopa de fermento granulado

Ingredientes do recheio

  • 2 xícaras de proteína de soja miúda
  • 1 cebola grande
  • 1 dente de alho
  • 1 limão
  • 2 colheres de sopa de óleo
  • Sal a gosto
  • 1 beringela
  • 2 tomates
  • 1 pimentão chapéu-de-frade
  • 1/2 xícara de cheiro verde fresco

Preparando a massa

Misture muito bem os ingredientes secos e só depois acrescente os outros. Cuidado pra não deixar a massa muito dura. Amasse bem e deixe a massa descansando num recipiente coberto enquanto prepara o recheio.

Preparando o recheio

Despeje a proteína de soja numa panela com bastante água e coloque para ferver. Quando levantar fervura, esprema o limão em cima e misture. Deixe fervendo por mais um minuto e depois retire do fogo. Imediatamente escorra bem a água e aperte um pouco a soja pra retirar o excesso. Parabéns, você aprendeu a hidratar carne de soja do jeito certo :)

Pique bem fino a cebola, o alho, o cheiro verde, o pimentão e o tomate. É bom retirar as sementes do tomate. Descasque a beringela, corte ao meio e retire as partes com sementes usando uma faca para escavar. Sim, boa parte da beringela tem sementes mas é importante retirar toda a casca e as partes com semente senão a magia não acontece. Pique em cubos pequenos.

Numa panela média, despeje duas colheres de óleo, uma pitada de sal, o alho e metade da cebola picada. Espere dar aquela fritadinha marota e então jogue a soja hidratada. Mexa e deixe em fogo baixo por alguns minutos. Parabéns, você aprendeu a preparar o picadinho de carne de soja do jeito certo :)

Quando o picadinho estiver parecendo bem seco, jogue o pimentão, o tomate, o cheiro verde, a outra metade da cebola e por fim a gloriosa beringela. Misture e deixe em fogo baixo mais alguns minutos. Retire a panela do fogo e deixe esfriar destampada.

Montando a torta

Corte a massa em dois pedaços, um deles um pouco maior que o outro, esse será a parte de baixo. Estique com um rolo ou uma garrafa. Não pode ficar muito fina, algo próximo de meio centímetro. Unte a forma com óleo e ajeite a massa com cuidado, sem esticar nos cantos. Deixe uma boa borda mas corte o excesso.

Coloque o recheio e espalhe bem pra não deixar espaços vazios.

Estique a outra metade da massa e cubra a forma inteira, cortando o excesso mas deixando as bordas das duas partes bem coladas. A massa que sobrou pode ser cortada em tiras e colocada em cima da torta.

Pincele azeite ou óleo e leve ao forno com fogo baixo/médio. O tempo varia, mas algo em torno de uma hora deve ser suficiente.

Bon Appetit!

Isso não deveria doer

Daí que na quarta-feira eu acordei sentindo a dor mais forte que já senti nesses 38 anos de vida.

Num primeiro momento, enquanto eu flutuava numa semiconsciência e me virava na cama procurando uma posição menos dolorosa, pensei que era a boa e velha dor muscular causada pelo trabalho que tinha feito no dia anterior, carregando livros de um lado pra outro no meu sebo.

Mas não. Totalmente desperto em poucos segundos, comecei a curtir aquela dor e percebi que era um tipo novo, um tipo que eu nunca tinha experimentado antes.

Ok, não sou nenhum especialista no assunto, os diversos sabores de dor que podem ser experimentados pelo ser humano não são meu forte, então logo parei de pensar nisso e me concentrei em respirar, algo que estava se mostrando bastante trabalhoso naquela hora.

Me levantar e caminhar não foi muito difícil, o difícil foi por isso em prática. Tomei um comprimido de paracetamol e tentei ficar tranquilo enquanto esperava que ele fizesse algum efeito. Claro que não fez e a dor foi ficando mais foda.

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Na primeira onda forte mesmo, eu tive ânsia e pensei “que diabos?!”. A partir da segunda já não pensei mais nada e na terceira eu estava vomitando.

No pronto-socorro a senha mágica pra passar na frente de todo mundo é “cólica renal”. Tente se você estiver querendo falar com o médico o mais rápido possível. Talvez dizer pra ele que o melhor que ele faz é voltar pra Cuba.

Então tomei buscopan com soro enquanto um velhinho com suspeita de dengue dizia pro meu irmão que chá de bigode-de-gato é um santo remédio pros rins. Uma planta, não partes de um animal. Se bem que o efeito provavelmente é o mesmo.

Não me entenda mal, eu acredito na medicina natural, saúde através das plantas e tal, mas alguém que esteja sentindo uma dor forte não quer saber de chás e de homeopatias, quer algo que seja despejado diretamente nas veias e traga alívio imediato, porque além de ser um grande inimigo da dor eu sou também um grande fã de drogas. Parece que não, né? Mas sou sim. Sou tão fã que só as uso quando é estritamente necessário, que é pra fazer efeito de verdade.

Enfim, enquanto o buscopan, meu novo melhor amigo, viajava na minha corrente sanguínea espalhando seu pequeno milagre, eu fazia minha própria incursão numa autoanálise pra tentar entender o que me levou a estar ali naquela situação.

A conclusão a qual cheguei é a seguinte: eu sou burro.

Bebo pouquíssima água porque nunca tenho sede, nunca mesmo, e tenho preguiça de me levantar e beber água pra depois ter que me levantar e ir ao banheiro. Por outro lado, ando bebendo refrigerante como se fosse água. Outro grande erro foi acreditar que ter uma dieta vegana me livra da possibilidade de desenvolver cálculos renais.

Isso já havia passado pela minha cabeça antes? Sim. Fui desleixado e ignorei o bom senso? Sim.

Como desgraça pouca é bobagem e só se aprende repetindo a lição, no mesmo dia, a noite, tive outra crise. Dessa vez foi um pouco pior e tomei algo mais forte junto com o buscopan.

Fiquei apreensivo vendo o efeito dessa segunda dose passar, mas não houve mais ataques desde então. Meu urologista — agora tenho um urologista — disse que provavelmente a pedra saiu. Eu estava prestando muita atenção, mas não tive o vislumbre disso acontecendo. Há a possibilidade de que a pedra seja maior que um grão de areia e… mas sejamos otimistas! De qualquer forma, vamos esperar o resultado do exame.

Então só me resta fazer o que está ao meu alcance. Bem, adivinha? Tenho um novo objetivo de vida: nunca mais sentir esse tipo particular de dor enquanto eu viver.

Farei o que é necessário, estou bebendo água de um modo que faria qualquer paulistano me odiar e continuarei nessa marcha enquanto houver água potável no mundo. Aliás, estou mijando água potável. Outra coisa: refrigerantes nunca mais. Adeus Coca-Cola, nosso amor foi eterno enquanto durou ;(.

Como sou um tagarela, ando contando em detalhes pra todo mundo o que aconteceu comigo e minha decisão de mudar alguns hábitos. Fiquei perplexo com a estranheza que a notícia causa nas pessoas. Parece que abstinência de refrigerantes é algo bem radical. A maioria delas diz que pedras nos rins são coisas da vida e que não é preciso tomar medidas tão desesperadas assim. Até mesmo nas palavras tranquilizadoras do médico eu percebi um pouco disso.

Talvez eu esteja sendo movido pela memória recente da dor? Talvez. Talvez os prazeres da mesa compensem esses problemas pontuais? Talvez.

Mas, vem cá, venhamos e convenhamos, veja bem, acompanhe meu raciocínio: essa espécie de roleta russa do xixi, essa trolada do rim lembrando pra você quem manda nessa porra, esse ‘oi’ surpresa do capeta, vale um copo de soda?

Mixando com fones de ouvido — O que usar e como fazer

Às vezes no homestudio é preciso trabalhar usando fones de ouvido (headphones), mesmo durante a mixagem. Então, qual fone deve ser usado e como obter melhores resultados?

Em algum momento, todos recorremos aos fones quando tentamos avaliar uma mix. Existem inúmeras ocasiões em que tal prática é necessária: trabalhando tarde da noite, quando usar monitores causa incomodo, ou mesmo gravando com equipamentos portáteis, o que torna impraticável o uso de amplificação. Pode ser que a sala de mixagem tenha acústica deficiente ou que não estejamos familiarizados com o equipamento de monitoração disponível, e não confiemos ou não podemos confiar no que ouvimos através dele. Também podemos estar gravando na mesma sala em que estamos monitorando e, novamente, alto-falantes devem ser evitados. Seja qual for a razão, trabalhar com fones de ouvido é uma prática comum. Neste artigo, vou versar um pouco sobre as técnicas que podem fazer o uso de fones mais confiável e produtivo.

Os prós e contras de mixar usando fones de ouvido

A primeira coisa a se dizer é que, de modo geral, monitorar com fones de ouvido é quase sempre apenas a “segunda melhor” opção. A grande maioria das gravações sonoras é destinada a ser ouvida via alto-falantes e isso é importante para entender esse fato. As diferenças simples de amplitude que codificamos no nosso sinal estéreo para fornecer informação de posição (usando o famoso botão de pan — panorama) criam uma impressão verossímil de posicionamento espacial apenas quando se faz uma audição através de um par de alto-falantes corretamente posicionados.

monitores
Ouvir com alto-falantes é diferente de ouvir com fones, não só porque cada canal não chega ao ouvido oposto, mas também porque há uma importante contribuição dada pelo som refletido que chega de diferentes ângulos.

O modo como nossos ouvidos interpretam os sons vindos dos alto-falantes é intrinsecamente muito diferente do que é interpretado dos sons de um par de fones de ouvido simples. Estereofonia é uma ilusão auditiva — assim como assistir 25 imagens estáticas por segundo em rápida sucessão cria a ilusão de movimento natural. Ao escutar um alto-falante, seu som direto chega em ambas as orelhas, e se ele estiver posicionado mais perto de um determinado lado (o alto-falante esquerdo, por exemplo) seu som chegará primeiro ao ouvido mais próximo. As diferenças fixas de tempo de chegada para cada orelha se combinam com as diferenças na variação de amplitude codificada entre os canais do áudio estéreo, e enganam nosso senso de audição levando-nos a perceber diferentes tempos de chegada para cada som reproduzido como vindos de direções distintas.

Ouvir com fones de ouvido funciona de um modo totalmente diferente. Nos fones, cada orelha ouve apenas o som de seu próprio fone — não há caminho natural em que o som do fone esquerdo chegue a orelha direita, por exemplo. Como resultado, as diferenças de amplitude definidas entre os canais esquerdo e direito não criam as diferenças de tempo de chegada necessários. A consequência é que a maioria de nós percebe os sons como vindos de dentro de nossas cabeças, espaçadas numa linha que vai de orelha a orelha.

Existem alguns sistemas que tentam contornar essa deficiência ao introduzir os efeitos de diafonia inerentes aos alto-falantes. No entanto, emular um ambiente de audição com alto-falantes é mais complexo do que simplesmente vazar um pouco de cada canal para o fone oposto. A diafonia precisa ter um atraso (delay) numa quantidade de tempo adequada e modelada espectralmente para refletir os artefatos acústicos naturais introduzidos quando o som passa pela cabeça humana. Essa combinação de processamento é muitas vezes referida como “funções de transferência relativas à cabeça” (head-related transfer functions ou HRTF), mas eu não tenho conhecimento de quaisquer exemplos comerciais que funcionem bem o suficiente para serem usados em mixagens precisas. Dito isto, o sofisticado processamento digital de sinais de convolução tem muito a oferecer nesse contexto, e ao menos um sistema experimental extremamente promissor vem sendo desenvolvido, como descrito no box “simulador de sala binaural”.

O resultado é que, se quisermos usar fones de ouvido para monitoração crítica, temos que aprender a interpretar o que se ouve através deles e relacionar isso aos efeitos obtidos por alto-falantes convencionais.

Mixagem surround em fones de ouvido: Desenvolvendo um simulador de sala binaural

Se mixar estéreo em fones de ouvido é suficientemente difícil, como poderemos então desejar uma mixagem surround? Bem, há uma solução mas atualmente é impraticavelmente cara e continua sendo um projeto em desenvolvimento. O German Research Institute, o IRT e a Studer codesenvolveram um simulador de sala binaural (BRS). Essencialmente, um par de fones de ouvido estéreo muito precisos equipado com um sensor de posicionamento que informa ao equipamento o que o operador está “vendo”. Este é um dos elementos mais caros do sistema atualmente, mas é crucial para sua eficácia.

O sistema envolve dois estágios separados — fase de programação e fase de reprodução. Na fase de programação, um sistema de microfones binaural em formato de cabeça (como o Neumann KU100) é colocado na posição ideal de audição de uma sala de monitoramento real. Sinais de impulsos de teste especiais são reproduzidos nos alto-falantes um de cada vez e os sinais captados pelos dois microfones das orelhas da cabeça são armazenados para análise posterior. Esse processo é repetido com a cabeça sendo rotacionada cerca de cinco graus por vez, num total de mais ou menos 45 graus. Os dados armazenados são então traduzidos para diagramas de convolução altamente detalhados, mostrando como a sala de monitoramento específica reage para cada canal de som surround.

A fase de reprodução utiliza esses dados de convolução para processar cada um dos sinais de entrada do canal surround para gerar o campo de som estéreo binaural correspondente, e todos os campos de som binaural de cada canal são combinados antes de serem reproduzidos nos fones estéreo. O sensor de posição nos fones de ouvido diz aos processadores de convolução qual determinado conjunto de dados utilizar, de modo que, conforme o usuário move sua cabeça, os dados de convolução correspondentes são aplicados, e o som percebido permanece estacionário para o ouvinte, assim como seria na vida real. Embora isso tudo adicione uma quantidade enorme de complexidade extra ao sistema, é um requisito essencial para que a ilusão de ouvir um sistema de monitoração surround verdadeiro funcione de forma confiável.

A enorme quantidade de poder de processamento necessário para convoluir seis canais de áudio com precisão e definição suficientes para o monitoramento de alta qualidade, faz esse modelo demasiado caro para uma aplicação comercial viável atualmente, mas algumas unidades de teste foram construídas e eu fui sortudo em ter acesso a uma delas. Embora tenha sido possível identificar pequenos defeitos na qualidade de áudio do protótipo em que fiz o teste, sua capacidade de retratar um exemplo totalmente crível e estável de som surround foi incrível e claramente esta técnica tem muito a oferecer nos próximos anos.

Parece que seu mais recente teste prático foi a transmissão do concerto do Dia de Ano Novo de Viena no início deste ano. A emissora estatal ORF, decidiu lançar um novo serviço de transmissão de som surround com este evento. Como a sala de controle de som do seu caminhão Outside Broadcast era pequena demais para criar um monitoramento de som surround adequado, o engenheiro de mixagem obteve sucesso ao utilizar o sistema Studer BRS experimental durante os ensaios para estabelecer a mixagem em surround.

Esta é certamente uma tecnologia a ser acompanhada. Como o custo do processamento digital de sinais continua a cair, ela vai tornar-se brevemente uma tendência comercial mais viável, seja para aplicações de som estéreo ou surround. Quando isso acontecer, o monitoramento com fones repentinamente se tornará muito mais preciso e confiável do que através de alto-falantes convencionais, para aqueles de nós que dependem de salas de monitoramento com acústica imperfeita. Afinal de contas, o sistema pode ser programado com dados convolucionais recolhidos a partir de uma ou mais das melhores salas de monitoramento de estúdio do planeta, que todos poderíamos compartilhar então no conforto de nossos estúdios caseiros!

Diferenças entre fones de ouvido e monitores

A diferença mais óbvia entre monitoramento via fones de ouvido e alto-falantes é a impressão de posicionamento estéreo, assumindo o uso convencional de técnicas de diferença de amplitude via pan. Se usarmos um dos sistemas mais complexos que envolvem diferenças de tempo de chegada e até mesmo HRTF (algo que só é praticável em alguns consoles digitais high-end), então a imagem sonora será traduzida mais facilmente. No geral, porém, quando se ouve via fones, a imagem espacial percebida fica espalhada ao longo de uma linha entre as orelhas, dentro da cabeça. Nós todos nos acostumamos facilmente com isso, mas o verdadeiro problema é que a linearidade das proporções de panorama sonoro é bastante diferente daquela experimentada em alto-falantes. Não há jeito simples de se adaptar a esta outra que não através de experiência construída.

Regulagens de pan são particularmente muito difíceis de se julgar usando fones de ouvido, por isso é importante comparar as suas percepções nos fones com o resultado nos alto-falantes, a fim de ganhar experiência.
Regulagens de pan são particularmente muito difíceis de se julgar usando fones de ouvido, por isso é importante comparar as suas percepções nos fones com o resultado nos alto-falantes, a fim de ganhar experiência.

É preciso um tempo considerável para ser capaz de se julgar valores de pan usando fones de ouvido. Não é impossível de se fazer, mas é muito difícil. Para ser honesto, eu acho que a maioria de nós provavelmente confia mais em nossos olhos quando a mixagem é feita usando fones, observando as posições dos botões de pan visualmente em vez de analisar com os ouvidos, como seria quando monitoramos em alto-falantes. Claro, pans extremos não são o problema — o “miolo” é que é vago e difícil de mesclar com precisão. Mesmo decidir sobre uma posição precisa no centro pode se mostrar difícil para algumas pessoas!

O truque é praticar primeiro com uma única pista (melhor usar um sinal mono com um amplo espectro de frequência) e comparar a posição que você percebe quando monitorando com fones de ouvido com a posição percebida em alto-falantes. Uma vez que você se acostume a forma como essas duas coisas se relacionam, então você pode relacioná-las com a característica de pan específica do mixer que você está usando — essas características variarão em diferentes equipamentos.

Outra grande diferença entre monitorar com fones de ouvido e alto-falantes é a forma como o cérebro processa a informação que recebe através das orelhas. Com o monitoramento dos alto-falantes, por ambas as orelhas ouvirem ambas as fontes, o cérebro processa a informação que recebe em conjunto e aplica uma espécie de máscara estéreo. Por sua vez, quando ouvindo com fones, o cérebro processa os dados de uma maneira completamente diferente, tratando as informações de cada orelha independentemente, desconstruindo a imagem estéreo. O resultado é que certos elementos e mudanças abruptas na mix, que podem ser inaudíveis quando ouvidas em alto-falantes, se tornam claramente nítidas em fones de ouvido. E às vezes o inverso também acontece.

Por fim, a ausência evidente de qualquer impacto físico (ou “vibração” para os mais refinados) dos sinais de baixa frequência pode criar a impressão de que falta alguma coisa no resultado da mix — e isso pode ser agravado pelas características bastantes estranhas das frequências graves em alguns fones de ouvido.

Usando fones de ouvido com segurança

Obviamente, ouvir sons altos durante longos períodos não é uma boa ideia porque dano auditivo é cumulativo e pode ser permanente. Para piorar a situação, quanto melhor o equipamento de monitoramento (em outras palavras, quanto menores os níveis de distorção), mais silencioso ele parece ser, e por isso é mais fácil terminar ouvindo em níveis perigosamente elevados. Com alto-falantes, mesmo os realmente bons, você tende a saber quando está ficando muito alto porque seus órgãos internos começam a vibrar a cada batida do bumbo, coisas começam a cair da mesa e os vizinhos chamam a polícia! Nenhum desses efeitos colaterais acontece quando se usa fones de ouvido, e até mesmo o sangue jorrando dos tímpanos rompidos fica escondido pelas almofadas dos fones! (Estou brincando. O sangue vai pingar, não jorrar…)

A Canford Audio não apenas vende uma variedade de diferentes modelos de limitadores para fones de ouvido, mas também oferece serviço de montagem de limitadores passivos tipo BBC para pares de fones individuais.
A Canford Audio não apenas vende uma variedade de diferentes modelos de limitadores para fones de ouvido, mas também oferece serviço de montagem de limitadores passivos tipo BBC para pares de fones individuais.

O ponto é que você precisa ter cuidado extra ao usar fones de ouvido. A fonte de som está muito próxima, você pode ficar tentado a ouvir em volume alto para minimizar o ruído ambiente e não vai sentir os efeitos físicos causados por níveis elevados de som, o que pode, por sua vez, inconscientemente incentivá-lo a elevar o nível ainda mais. Com o tipo de amplificação de saída de fones da maioria dos equipamentos atuais, combinado com o uso de fones de baixa impedância, é muito fácil gerar níveis perigosamente elevados.

Naturalmente um grau mínimo de bom senso é necessário, mas como a percepção humana é facilmente enganada, eu recomendo pausas de cinco ou dez minutos a cada meia hora ou menos para descansar as orelhas e reestabelecer um nível de referência sensata. Vá preparar uma xícara de chá ou tomar um ar fresco — o que for preciso para sair do estúdio por um tempo e deixar as orelhas se recuperarem. Se, quando você voltar, o volume dos fones parecer alto demais, tome isso como um sinal: você está exagerando e corre o risco de sofrer danos auditivos! Obviamente haverá momentos, especialmente se você estiver editando faixas de áudio, em que você precisará elevar o nível para perceber detalhes sutis. Apenas lembre-se de baixar o nível depois, tanto para obter uma apreciação realista da edição quanto para preservar sua audição.

Atualmente é cada vez mais comum nos círculos profissionais usar limitadores passivos em fones de ouvido para garantir que os níveis não excedam um volume pré-determinado (normalmente entre 85 dBA e 110 dBA, valores determinados pela quantidade de tempo que usuários podem ser expostos a altos níveis sonoros). A Canford Audio manufatura e instala esses dispositivos originalmente concebidos e implementados pela BBC. Você pode comprar alguns modelos de fones de ouvido com limitadores já instalados, incluindo o Beyerdynamic DT100s e o Sennheiser HD480s, ou pode fornecer seus próprios fones de ouvido para a Canford, que irá testá-los e selecionar, instalar e calibrar um dispositivo limitador adequado para eles. Recomendo totalmente estes dispositivos, embora a montagem do limitador pode ser tão cara quanto comprar fones de ouvido já equipados, e isso só é viável em uso comercial, onde se seguem regulamentos de saúde e segurança.

Escolhendo os fones de ouvido certos

Há diversos tipos de fones de ouvido, mas os dois principais usados em estúdios e salas de monitoramento são os do tipo circumaural fechado ou semiaberto. Estes termos referem-se ao tipo de montagem dos transdutores (nesse caso, é como são chamados os pequenos alto-falantes dos fones). Os fechados são os fones em que praticamente nenhum som escapa para o ambiente, da mesma forma que pouco do som externo penetra. Esse tipo de fone é a melhor escolha para salas de gravação, permitindo que os músicos ouçam o que está sendo tocando sem que vazamentos dos fones sejam captados pelos microfones.

Estes Sennheiser HD600s fornecem som de extrema qualidade em mixagens, mas o seu design semiaberto os torna inadequados em muitas tarefas de gravação em estúdio, e com seu cabo em forma de Y requer cuidado ao ser retirado da cabeça.
Estes Sennheiser HD600s fornecem som de extrema qualidade em mixagens, mas o seu design semiaberto os torna inadequados em muitas tarefas de gravação em estúdio, e com seu cabo em forma de Y requer cuidado ao ser retirado da cabeça.

Porém, até pouco tempo a maioria dos fones fechados soava muito triste — quadradões, maçantes ou embotados, e com falta de ar e ambiência. Isso não é realmente um problema em gravações ou sessões com outros músicos pois nesses casos só é necessário um retorno isolado, mas a tomada de decisões críticas de mixagem é quase impossível se a qualidade do som for pobre. No entanto, alguns dos designs mais modernos podem produzir um som bastante respeitável, e modelos dignos de consideração e de audição incluem AKG K271, Beyerdynamic DT150, Sennheiser HD250, e Sony MDR7506 e MDR7509. Os dois últimos modelos são particularmente impressionantes, muitas vezes eu uso os MDR7509s em mixagens.

Alternativamente, o design semiaberto tem tradição em oferecer a melhor qualidade sonora no monitoramento com fones de ouvido. A desvantagem é que esse tipo de fone vaza bastante som e também atenua pouco o som ambiente. Essas características podem ser um problema dependendo da circunstância. Para mixagem à noite, fones semiabertos podem ser perfeitamente aceitáveis, enquanto que para gravações provavelmente não serão. As melhores opções encontradas incluem AKG K240, Beyerdynamic DT990, Sennheiser HD600, e Ultrasone HFI2000. Eu confiei no onipresente K240s por muitos anos até substituí-lo pelo HD600, mas o modelo austríaco ainda tem muito a oferecer!

Sem nenhuma surpresa: quanto melhores os fones de ouvido, maior o preço. Para mixagens precisas eu sugeriria pares que custam cerca de £100 no Reino Unido, para o mínimo necessário em termos de qualidade, com os melhores modelos custando em torno de duas vezes esse valor. Enquanto alguns podem inicialmente hesitar com tal custo, na realidade, até mesmo £200 é trivial em comparação com um par de alto-falantes de estúdio decentes e um amplificador de definição equivalente.

Apesar de fones de ouvido fechados geralmente terem um som sofrível, o Sony MDR7509s apresenta uma reversão nessa tendência e pode ser uma boa escolha para mixagem. O cabo único saindo do fone esquerdo faz com que este modelo seja fácil de colocar e retirar, mas alguns usuários podem ter dificuldade e desconforto por causa de seu cabo espiral.
Apesar de fones de ouvido fechados geralmente terem um som sofrível, o Sony MDR7509s apresenta uma reversão nessa tendência e pode ser uma boa escolha para mixagem. O cabo único saindo do fone esquerdo faz com que este modelo seja fácil de colocar e retirar, mas alguns usuários podem ter dificuldade e desconforto por causa de seu cabo espiral.

Ao comprar fones de ouvido é fundamental ter em mente como eles devem ser confortáveis de usar. Quando estiver mixando, você irá usá-los por períodos de tempo consideráveis, por isso vale a pena se dar ao trabalho de experimentar os diversos modelos selecionados, por um período razoável de tempo, para obter uma verdadeira impressão de como será trabalhar com eles. Além disso, certifique-se de que eles se ajustam corretamente a sua cabeça. Que fiquem onde você colocá-los e não escorreguem quando você olhar para baixo. Também pode ser um problema caso sejam muito pesados ou apertem excessivamente as orelhas ou os lados da cabeça. Vale a pena procurar modelos que não esquentem e façam os ouvidos suarem, com almofadas substituíveis, uma grande vantagem para fins de limpeza.

Se você está investindo em fones de ouvido caros, verifique se peças de reposição podem ser obtidas facilmente, de modo a manter seu equipamento funcionando caso seja necessário. Fones são puxados pra lá e pra cá e caem da mesa com bastante frequência, alguma manutenção é de se esperar!

A confiabilidade do cabo e conectores é, obviamente, muito importante, embora as pessoas discordem sobre qual o tipo de cabo preferido. Alguns não gostam de cabos espiralados principalmente porque eles exercem uma tensão considerável sobre o fone de ouvido quando esticados, sendo também mais pesados do que os cabos lisos. No entanto, eu realmente prefiro este tipo, desde que seja longo o suficiente para permanecer encolhido durante o uso normal. Eu acho o trecho extra muito útil quando preciso me mover, para mim os cabos lisos sempre parecem perigosos de serem esticados!

Há também a escolha entre um com cabo que sai de apenas um dos fones ou um em formato Y. Eu prefiro fones de ouvido onde a conexão do cabo sai apenas de um lado puramente por conveniência prática. No entanto, há um argumento que diz que este pode ser tecnicamente inferior por causa da necessidade de um trecho de fio a mais passando sobre a cabeça até o fone do lado oposto. Em contraste, os modelos com cabo Y são mais suscetíveis a danos quando deslizam para trás da cabeça e sofrem tensão pelo peso do conjunto!

Táticas práticas de mixagem

Se você está investindo sério num par de fones para uso em mixagem, faz sentido optar por algo com um conjunto completo de peças de reposição. Afinal, fones de ouvido muitas vezes sofrem uma quantidade razoável de abusos no homestudio e você não vai querer ter que substituir todo o conjunto se apenas um único componente precisa de conserto.
Se você está investindo sério num par de fones para uso em mixagem, faz sentido optar por algo com um conjunto completo de peças de reposição. Afinal, fones de ouvido muitas vezes sofrem uma quantidade razoável de abusos no homestudio e você não vai querer ter que substituir todo o conjunto se apenas um único componente precisa de conserto.

Em termos práticos, o requisito mais óbvio para a mixagem em fones de ouvido é passar algum tempo se acostumando com os fones escolhidos, antes de mixar qualquer coisa pra valer. Ouça criticamente uma grande quantidade de material comercial. Acostume-se com o equilíbrio espectral dos diferentes fones de ouvido — muitos tendem a parecer um pouco mais brilhantes e agudos que alto-falantes convencionais — e aprenda a relacionar isso com o que você ouve nos alto-falantes. Descubra como os instrumentos de baixas frequências soam nos fones. Em particular, a forma como a frequência fundamental e os harmônicos se erguem e se equilibram com as frequências dos outros instrumentos. Tenha em mente que parte do impacto visceral e peso das baixas frequências experimentado com alto-falantes estará ausente, por isso é importante aprender a perceber a diferença.

Já que bons fones de ouvido muitas vezes têm níveis de distorção menores que de alto-falantes, você pode perceber detalhes em médio baixo com bem mais clareza do que com caixas de som modestas. Isso pode levá-lo erroneamente a mixar instrumentos de frequência média com menos presença do que eles precisam ter ou aplicar menos equalização do que faria de outra forma.

Mixar com fones de ouvido é um desafio. Eles são, de muitas formas, inerentemente inferiores aos monitores. No entanto, essas deficiências são muitas vezes deixadas de lado pela praticidade. Com treino é possível criar mixagens perfeitamente aceitáveis a partir de fones de ouvido, mas, assim como familiarizar-se com a sonoridade de um par de monitores desconhecido leva tempo e esforço, o monitoramento com fones é uma habilidade que, para ser adquirida, requer uma percepção diferente do que se ouve.

Hugh Robjohns, publicado em dezembro de 2003 no SOS.

Projeto Arcade – Parte 08

quasepronta

É isso aí, a máquina está praticamente pronta, falta apenas a adesivagem decorativa, o vidro de proteção da tela e a tranca da porta traseira.

Depois de meses com o projeto parado, a coisa andou rápido assim que meu irmão aplicou o revestimento de fórmica. Morri numa grana forte nas últimos materiais que faltavam e suamos bastante para fixar o tubão de 29 polegadas. A fonte de alimentação geral, os ficheiros, o computador e todo o resto foi moleza.

Penei um pouco na fiação dos controles porque são muitos fios. Tive medo que desse tudo errado já que eu fiz um hack usando teclado ao invés de gamepads. Se fosse usar esse esquema, precisaria de uns quatro deles porque no total são 25 botões mais os dois direcionais e dois ficheiros. Tem um ninho de rato embaixo daqueles botões.

Segue a lista quase final de custos:

DESCRIÇÃO PREÇO
2 comandos Electromatic c/ micros e 27 botões de nylon c/ micros R$ 154,25
2 barra de terminais de 12 contatos cada R$ 13,00
100 contatos de terminal R$ 25,60
Chapa de compensado sarrafeado – virola 250×160 R$ 91,35
Laminado fórmica brilhante preto R$ 220,40
Lata de cola de contato 2,8kg R$ 29,56
4 rodinhas R$ 30,00
Teclado USB R$ 22,00
TV de 29” Toshiba Lumina R$ 0,00
Computador obsoleto R$ 0,00
2 ficheiros porta dupla c/ cofre, 4 fechaduras, 2 ranhuras e 100 fichas R$ 375,75
2 latas de tinta spray preto fosco, água raz, fita crepe R$ 36,60
2 placas de acrílico transparente 69,5 x 14,5 R$ 50,00
Parafusos, porcas, cola branca, retalhos de madeira e outras ferragens R$ 0,00
Fios e outros materiais elétricos (sucata) R$ 0,00
Fonte bivolt (sucata) R$ 0,00
Vidro de proteção do tubo  ?
Adesivos laterais  ?
Fechadura da porta traseira  ?
TOTAL R$ 1.048,51

 

Sim, ficou cara essa brincadeira. Gastei muito no ficheiro porque não encontrei um modelo de porta com duas entradas de ficha, então tive que usar dois. A fórmica também foi um golpe, me arrependo de não ter usado uma chapa de compensado com acabamento, teria sido bem mais simples e talvez mais barato.

Mas o importante é que o projeto está sendo concluído e eu tenho um brinquedo bacana e a esperança de ter feito um bom investimento.

Ela já está no meu sebo e você pode jogar a vontade os mais de 5000 jogos ao preço de R$ 0,50 a ficha ou, melhor ainda, levar esse trambolho pesado e enorme pra sua casa pela bagatela de R$ 2800,00.

Eu realmente gostei muito da estética que máquina acabou ganhando e acredito que ficou ergonomicamente excelente para competições em jogos de luta.

Acho que não é difícil que alguém interessado em construir sua própria máquina de jogos considere usar esse modelo, por isso em breve vou compartilhar as informações que acumulei durante esse projeto, juntamente com detalhes da construção, fotos, medidas etc.